Por Cláudio Chiusoli
O panorama atual não é muito animador, com muitas famílias endividadas, crédito muito caro, aumento da inflação e quais surpresas podemos aguardar agora com a nova taxa Selic?
A decisão de baixar a taxa era a esperada pelo mercado. Houve uma queda, porém de forma mais lenta, já que ainda se trata de uma das taxas de juros mais elevadas globalmente. O setor financeiro aguardava essa diminuição de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom realizada nesta quarta-feira (29), reduzindo-a de 14,75% para 14,50% ao ano, o que se confirmou.
A redução da Selic atendeu às expectativas do mercado financeiro, conforme indicado no Boletim Focus.
Esta é uma publicação semanal do Banco Central do Brasil, que é divulgada todas as segundas-feiras e que resume as estimativas de mais de 100 instituições financeiras e consultorias sobre os principais indicadores econômicos do Brasil, como inflação (IPCA), câmbio (dólar), PIB e taxa Selic.
As projeções indicam a continuidade de ajustes moderados, apesar da inflação alta e das incertezas no cenário geopolítico.
Tendência aponta diminuição na Selic
A tendência atual aponta para uma diminuição, porém com uma abordagem mais cautelosa tanto do mercado financeiro quanto do Banco Central. Os principais aspectos a serem observados são: saber se haverá possibilidade para um novo corte na reunião de junho ou se o Banco Central optará por interromper as reduções, em razão da recente pressão nos preços do petróleo e da instabilidade externa.
As previsões para o final do ano, mesmo com o começo recente do ciclo de queda, indicam que para 2026 se espera 13%; para 2027, 11% e, para 2028, 10%.
Há diversas variáveis que estão dificultando cortes mais drásticos, evitando uma redução mais acelerada. Além da situação internacional como a tensão entre os EUA e o Irã e a alta exposição ao risco fiscal e à dívida pública há também as incertezas sobre as finanças do governo.
Da mesma forma, a inflação medida pelo IPCA é outro fator relevante, com as projeções para 2026 subindo pela sétima semana consecutiva, atingindo 4,86%, o que leva o Banco Central a manter a taxa de juros em níveis restritivos por mais tempo e a adotar uma postura mais conservadora para assegurar que a inflação retorne à meta.
Resumindo: a Selic caiu, mas o nível esperado para 2026 deve ser superior ao inicialmente projetado no começo do ano, que foi de até 12,50%.
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e Instagram.
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