Por Cláudio Chiusoli
As agências de proteção ao crédito, como o Serviço de Proteção ao Crédito e a Serasa Experian, são encarregadas de registrar as informações sobre inadimplência e disponibilizar esses dados para as empresas que oferecem crédito. Essas informações são essenciais para a análise de crédito e para decisões sobre a concessão ou recusa de empréstimos e financiamentos.
Dados da Serasa indicam um forte crescimento de 38% na inadimplência do brasileiro em 10 anos, impulsionado por juros altos, crédito fácil e baixo poder de compra, afetando mais de 35% das pessoas com 41 a 60 anos. Agora, a inadimplência no Brasil atingiu um novo recorde, em fevereiro de 2026, com 81,7 milhões de pessoas com o nome negativado, o maior nível em 14 anos.
Endividamento é diferente de inadimplência

Vale destacar que há diferença entre endividamento e inadimplência. Endividamento é ter dívidas parceladas (cartão, empréstimo) que estão com pagamento em dia. Inadimplência é o atraso ou não pagamento dessas dívidas após o vencimento, gerando juros e risco de restrição ao crédito. Todo inadimplente está endividado, mas nem todo endividado é inadimplente.
O grande responsável por isso são os cartões de crédito e os bancos, que têm uma taxa de 26,8%, o que é um percentual elevado ao usar o crédito rotativo, que tem uma cobrança que ultrapassa 400% ao ano. Em seguida, estão as contas de água, gás e eletricidade, com 21,4%, e, logo após, as instituições financeiras, com 20,3%, de acordo com o Serasa.
Vários elementos influenciam a falta de pagamento no país:
- aumento do desemprego;
- queda real na renda;
- elevado endividamento;
- ausência de educação financeira; e
- falta de controle nas despesas e as dificuldades para obter crédito.
Crises econômicas e instabilidades políticas também podem piorar o problema da inadimplência.
Para enfrentar essa questão, o governo e as instituições financeiras têm tomado iniciativas com o objetivo de diminuir a inadimplência e promover a regularização das dívidas. Existem ainda empresas focadas em recuperação de crédito, que atuam na negociação e na cobrança de valores devidos.
É fundamental destacar que a inadimplência não impacta apenas os devedores, mas também gera repercussões na economia em geral. A falta de pagamentos compromete a saúde financeira das empresas, limita o acesso ao crédito, afeta o consumo e pode levar a demissões e a uma desaceleração econômica. Confira o vídeo.
Foto principal: imagem gerada por IA/Freepik
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e Instagram.
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