Por Edmilson Palermo Soares
A região de La Pampa, localizada no centro da Argentina, conhecida por sua pecuária e agricultura, vem ganhando destaque no cenário vitivinícola do país nas últimas décadas.
Iniciou sua trajetória na produção de vinhos no final do século XX, impulsionada pelo clima semiárido, solos férteis e investimento em tecnologia agrícola.
A história da vitivinicultura em La Pampa está intrinsecamente ligada ao Rio Colorado, que marca a fronteira sul da província com a Patagônia.
Com altitudes moderadas e grande amplitude térmica, a região oferece condições favoráveis para o cultivo de uvas de alta qualidade.
O “estalo” para o vinho veio com a percepção de que o solo arenoso e pedregoso, aliado à disponibilidade de água para irrigação do Rio Colorado, criava um terroir único.
O surgimento da vinícola Bodega del Desierto em 2001, na localidade de 25 de Mayo, colocou La Pampa no mapa mundial. Eles foram os primeiros a provar que era possível produzir vinhos de alta gama em pleno deserto pampeano.

A combinação de técnicas tradicionais e inovação enológica resulta em rótulos modernos, com caráter único e identidade própria, tornando La Pampa uma promissora região vinícola argentina.
La Pampa é uma região extremamente ventosa. O vento constante engrossa a casca da uva (para proteção), resultando em vinhos com muita cor e taninos firmes.
Durante o dia, o sol é intenso e o calor é forte. À noite, a temperatura despenca. Essa variação preserva a acidez da uva, algo que se tornou a marca registrada da região.
Diferente de Mendoza, onde o Malbec é o rei absoluto, a história de La Pampa se diversificou rapidamente:
- Cabernet Franc e Merlot: A região descobriu uma vocação incrível para estas uvas, produzindo exemplares que estão entre os melhores da Argentina, com notas de especiarias e grande estrutura;
- Pinot Noir e Chardonnay: No sul da província, o clima mais fresco permitiu que essas variedades se destacassem, servindo inclusive como base para espumantes de alta qualidade.
Atualmente, La Pampa é reconhecida geograficamente como parte da Região Patagônica para fins de rotulagem de vinhos (Indicação Geográfica).
Aqui os vinhos são conhecidos como “Vinho do Deserto”. É a história de como o homem transformou uma terra árida e ventosa em um berço de vinhos elegantes, intensos e com uma personalidade muito distinta daquela que encontramos em Mendoza.
Diferente de Mendoza, aqui são poucas vinícolas, e podemos destacar as seguintes:
Bodega Estilo 152
Localizada em General Acha, esta vinícola representa o esforço de produtores locais para diversificar a economia da região (tradicionalmente pecuária).
É uma vinícola boutique com foco em vinhos que expressam o terroir do vale central da Pampa.
Produzem Malbec, Cabernet Sauvignon e blends que têm ganhado medalhas em concursos nacionais argentinos.
É um dos principais pontos de parada para quem viaja pela Ruta 152, oferecendo degustações e visitas guiadas.
Bodega del Desierto (a Pioneira)
É a vinícola mais importante e famosa de La Pampa. Foi ela quem provou ao mundo que a região de 25 de Mayo (no extremo sudoeste da província) poderia produzir vinhos de classe mundial.
É conhecida pela linha Desierto 25 e Desierto Pampa.
Seus vinhos de Cabernet Franc e Merlot são considerados alguns dos melhores da Argentina por sua estrutura e notas de especiarias. Também produzem um Chardonnay muito elegante.
Eles utilizam consultoria de enólogos renomados (como Paul Hobbs no passado), o que trouxe um padrão de qualidade internacional desde o início.
Fincas de Duval
Este é um projeto governamental e de colonos na região de Gobernador Duval, às margens do Rio Colorado.
Funciona como uma espécie de “chácara experimental” que se tornou comercial. O objetivo foi mostrar que as terras irrigadas pelo Rio Colorado são altamente produtivas.
Cultivam Malbec, Cabernet Sauvignon e uvas para vinhos de mesa, ajudando a fomentar novos pequenos produtores na região.
Quietud (Vinícola Boutique)
Localizada próxima à capital da província, Santa Rosa, a Quietud é um exemplo de vinícola de pequena escala que foca na qualidade artesanal, conhecidos como Vinhos de autor.
Eles experimentam com micro-vinificações, focando em entregar um produto que conte a história do produtor.
Ideal para quem busca rótulos “fora do radar”, pois são vinhos muito pouco conhecidos.
Tears!!!
Fotos: blog.winesofargentina.com
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral.
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