Por Edmilson Palermo Soares
Seguimos nossa série sobre dúvidas que aparecem na minha loja de vinhos. Desta vez, vamos falar sobre uma das dúvidas mais comuns: o Vinho de Mesa.
A existência do Vinho de Mesa não é uma exclusividade das terras brasileiras. Existem vinhos de mesa em todas as partes do mundo.
Antes de continuar esse assunto, preciso explicar uma outra coisa.
Existem 13 famílias de uvas em todo o mundo. Apenas uma família é própria para a produção de vinhos, devido a sua riqueza de aromas e paladares que possuem.
Esta família se chama “Viti Vinífera” e, na sua forma selvagem, não existe nas Américas, sendo aqui mais comum as “Viti Labrusca”, “Viti Americana” e a “Viti Rupestre”.
Essas famílias de uvas da América são pobres em Aroma, paladares e também na produção e concentração da frutose (o açúcar das uvas).
Na Familia “Viti Vinífera” existem mais de 12.000 castas (tipos de uvas) e são originarias, principalmente, da região do Cáucaso (a mais antiga identificada), Europa, Ásia.
Quando os imigrantes estrangeiros chegaram no Brasil, eles tentaram introduzir as uvas que trouxeram com elas, mas elas não vingaram devido a um inseto existente por aqui que atacava os cavalos (pé das uvas) e sugavam toda a seiva, fazendo a planta morrer.
Esse inseto acabou indo parar na Europa, por volta de 1850 e acabou matando uma boa parte dos vinhedos, inclusive extinguindo algumas destas castas (foi o caso da uva Carmenere que só sobreviveu porque estava plantada em uma região do Chile onde este inseto não existia).
Detalhe: Não confundir a família “Viti Labrusca” com a uva Lambrusco da família “Viti Vinífera”.
Voltando aos imigrantes, eles começaram a fazer o vinho com as uvas locais, produzindo os vinhos de Colonia, que passaram a ser chamados de Vinhos de Mesa.
Estes vinhos geralmente eram produzidos com as uvas Bordô (não é da região da França, Bordeaux), Izabel e Concord. Estas uvas geralmente são uvas para comer ou fazer sucos.
Os vinhos produzidos com estas uvas são simples, o aroma e o paladar são apenas o da própria uva (que não é ruim).
Em relação a frutose, como a produção é baixa, para conseguir um vinho com o teor alcoólico maior, é necessário a adição de açúcar (no caso aqui, glicose).
Em qualquer vinho, precisamos de equilíbrio entre acidez, taninos, corpo e açúcar residual. No caso do vinho de mesa produzido aqui, existem vinhos que tem uma concentração maior de açúcar residual.
Este assunto falaremos no próximo artigo.
Vinho de Mesa: sem seguir regras
No Brasil começou há pouco tempo existir as regulamentações dos vinhos finos, que estabelecem regras (como existem em outros países, com algumas diferenças de nomenclaturas e de outros detalhes).
Também falaremos sobre isso mais para a frente.
Voltando ao assunto do Vinho de Mesa nos outros países, eles são os vinhos que não seguem essas normas estabelecidas.
Por exemplo, na Italia existem 20 regiões vinícolas, as quais já falamos aqui na coluna, cada uma com suas regras. Quem não as segue, o vinho é classificado como Vino di Tavola (Vinho de Mesa)
Ser um vinho de mesa não significa ser um vinho sem qualidade.
Uma boa semana…e…. Saúde!!!
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral.
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