Vinhos brasileiros em seu melhor momento

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Por Edmilson Palermo Soares

O mercado da vitivinicultura brasileira está no seu momento mais maduro, tecnológico e premiado da história.

O Brasil deixou de ser visto apenas como um produtor de espumantes frescos para se consolidar como uma potência na produção de vinhos finos de alta gama, com identidade própria e grande reconhecimento internacional.

O salto de qualidade do vinho brasileiro nos últimos anos se apoia em três grandes movimentos.

A revolução da Dupla Poda (vinhos de inverno)

Tradicionalmente, o Sudeste brasileiro (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e o norte do Paraná) sofria com o excesso de chuvas no verão, época da colheita.

Com a técnica da inversão do ciclo (ou dupla poda), as videiras são induzidas a frutificar no inverno, quando os dias são ensolarados e as noites são frias.

O resultado são vinhos tintos (especialmente Syrah) e brancos (Sauvignon Blanc e Viognier) ultra concentrados, complexos e que estão varrendo premiações.

Consolidação e diversificação do Sul

A Serra Gaúcha continua sendo o coração do vinho nacional, com destaque para a excelência dos espumantes e a consagração da uva Merlot no Vale dos Vinhedos.

Além disso, novas fronteiras no Sul expandiram o mapa da qualidade:

  • Campanha Gaúcha: Fronteira com o Uruguai, solo plano e muito sol, ideal para tintos estruturados, como Tannat e Cabernet Sauvignon.
  • Serra Catarinense: Vinhedos de altitude (acima de 1.000m) que produzem brancos e Pinot Noirs de padrão internacional, marcados por extrema fineza e acidez vibrante.

Reconhecimento internacional e identidade

O Brasil pontua consistentemente acima dos 90-95 pontos em guias renomados como o Descorchados e o avaliador Robert Parker, além de medalhas de ouro no Decanter World Wine Awards.

O foco mudou: em vez de tentar copiar o estilo europeu ou argentino, o Brasil assumiu a identidade de vinhos com excelente frescor, teor alcoólico moderado e muita elegância gastronômica.

Abaixo seguem 10 vinhos considerados hoje exemplos desta evolução nacional

Esta lista reúne alguns dos ícones brasileiros mais aclamados pela crítica especializada, abrangendo tintos, brancos e espumantes de corte e de guarda.

Os preços médios servem como referência de mercado e podem variar conforme o lote, a safra e o lojista.

Guaspari Vista do Chá Syrah

O vinho brasileiro está tendo um grande reconhecimento internacional, por sua identidade própria. Você ainda não experimentou?
Foto: site da vinícola

Região: Espírito Santo do Pinhal, SP

Estilo: Tinto de Inverno (colheita de inverno).

Foi o pioneiro a colocar os vinhos do Sudeste no mapa mundial ao ganhar medalha de ouro na prestigiada revista Decanter. É um Syrah espetacular, com notas marcantes de pimenta preta, frutas negras maduras, taninos sedosos e uso cirúrgico do carvalho francês.

Preço Médio: R$ 320,00 a R$ 380,00

Miolo Lote 43

Região: Vale dos Vinhedos, RS

Estilo: Tinto de Guarda – Corte de Merlot e Cabernet Sauvignon.

Produzido apenas em safras excepcionais, presta homenagem ao lote de terra original da família Miolo, de 1897. É um clássico absoluto do Vale dos Vinhedos. Encorpado, elegante, com aromas de envelhecimento (tabaco, couro, cacau) e uma estrutura icônica.

Preço Médio: R$ 290,00 a R$ 350,00

Pizzato Concentus Gran Reserva

Região: Vale dos Vinhedos, RS

Estilo: Tinto de Guarda – Corte de Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat.

A vinícola Pizzato é uma das maiores especialistas na uva Merlot do país. O Concentus resume essa maestria. É um vinho potente, complexo, de altíssima longevidade na adega e equilíbrio impecável entre fruta e madeira.

Preço Médio: R$ 220,00 a R$ 260,00

Thera Sauvignon Blanc

Região: Serra Catarinense, SC

Estilo: Branco Jovem / De Altitude.

Considerado por muitos críticos um dos melhores, se não o melhor, Sauvignon Blanc do país. O clima frio da altitude catarinense preserva a acidez natural e entrega aromas exuberantes de maracujá fresco, notas herbáceas puras (grama cortada) e mineralidade cristalina.

Preço Médio: R$ 140,00 a R$ 170,00

Luiz Argenta Cave Gran Reserva Chardonnay

Foto: Divulgação

Região: Indicação de Procedência Altos Montes, RS

Estilo: Branco de Guarda – Chardonnay com passagem por madeira.

Famoso tanto pelo design de suas garrafas quanto pelo líquido magnífico. Este Chardonnay passa por um longo estágio em barricas e amadurecimento sobre as borras, processo conhecido por sur lie, resultando em um vinho encorpado, untuoso, com notas amanteigadas, de baunilha e abacaxi maduro.

Preço Médio: R$ 280,00 a R$ 320,00

Cave Geisse Terroir Nature

Região: Pinto Bandeira, RS

Foto: Divulgação

Estilo: Espumante Ícone – Método Tradicional (Champenoise).

Mario Geisse (ex-diretor da Chandon) provou que a região de Pinto Bandeira tem o terroir perfeito para espumantes no nível de Champagne. O espumante passa 24 a 36 meses em contato com as leveduras. É seco, complexo, com notas de panificação, brioche e frutas secas, aliado a uma cremosidade incomparável.

Preço Médio: R$ 250,00 a R$ 300,00

Maria Maria Syrah Belas Artes

Região: Três Pontas, MG

Estilo: Tinto de Inverno.

Milton Nascimento batizou os vinhedos dessa vinícola, mas quem brilha é o vinho. Outro grande expoente da dupla poda mineira, entrega muita fruta madura, ótima acidez gastronômica e frescor que compete de igual para igual com grandes Syrahs do Velho Mundo.

Preço Médio: R$ 160,00 a R$ 190,00

Era dos Ventos Peverella

Região: Caminhos de Pedra, Bento Gonçalves, RS

Foto: Divulgação

Estilo: Vinho Laranja – Branco Ancestral de Mínima Intervenção.

Este é um dos vinhos mais cultuados e originais do Brasil. Produzido pelo casal Luís Henrique e Talise Zanini, resgata a uva histórica Peverella, trazida pelos primeiros imigrantes italianos, vinificada com a técnica de contato prolongado com as cascas (como se faz um vinho tinto). O resultado é um vinho de cor canela/alaranjada, incrivelmente complexo, com textura tânica na boca, notas de ervas secas, casca de laranja e uma acidez mineral fantástica.

Preço Médio: R$ 260,00 a R$ 310,00

Villaggio Bassetti Chardonnay Donna

Região: São Joaquim, Serra Catarinense, SC

Estilo: Branco de Altitude com passagem por madeira.

Cultivado a mais de 1.300 metros de altitude, onde a neve é comum no inverno, este Chardonnay é uma obra-prima de equilíbrio. O clima extremo confere ao vinho uma acidez natural cortante e muito elegante, enquanto o seu estágio em barricas de carvalho francês aporta uma textura untuosa na boca, notas sutis de baunilha, avelã e frutas cítricas maduras. É um branco com grande potencial de guarda.

Preço Médio: R$ 180,00 a R$ 220,00

Quinta da Neve Pinot Noir

Região: São Joaquim, Serra Catarinense, SC

Estilo: Tinto de Altitude – Elegante.

A Quinta da Neve foi uma das pioneiras na viticultura de altitude em Santa Catarina e se tornou a grande referência nacional no cultivo da difícil uva Pinot Noir. Este vinho destaca-se pelo seu perfil etéreo e europeu: tem coloração rubi translúcida, aromas finos de cerejas frescas, morangos silvestres, toques terrosos e de especiarias. Na boca, possui corpo leve a médio, taninos sedosos e um frescor gastronômico impecável.

Preço Médio: R$ 160,00 a R$ 195,00

Você conhece alguns desses vinhos?

Não deixe de experimentar e entender que nós não devemos nada para os nossos hermanos argentinos.

Uma excelente experiência!

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral.

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