Os jovens estão fazendo menos sexo? Parece que sim e isso preocupa

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

Esses dias, eu estava lendo um artigo científico (sim, gente, eu leio essas coisas para responder as perguntas mais específicas que chegam aqui, para a coluna Tia Telma Responde) que me deixou preocupada. Basicamente, o artigo dizia que nunca se falou tanto de sexo e, ao mesmo tempo, parece que nunca se arrumou tanta desculpa para não fazer.

Essa colocação fez meu queixo cair. O que? Como assim? Sexo é básico, é vida. Como assim as pessoas – principalmente os jovens – estão deixando de praticar? Estão fazendo o quê, então? Crochê?

Na minha juventude e vida adulta (principalmente depois do divórcio), o sexo sempre foi algo desejado intensamente. Nem sempre conseguíamos sexo de qualidade, mas sempre tentávamos. O que está acontecendo? O que mudou? Fui pesquisar mais, né? E sim, gente, para achar essas coisas eu peço ajuda para Inteligência Artificial. Ela me lista uma série de artigos do meu interesse, do mundo todo.

Então, nisso, achei alguns estudos dos Estados Unidos, pesquisas sérias como a General Social Survey  – do instituto de pesquisa social NORC da  Universidade de Chicago, que monitora as mudanças sociais, estudando a complexidade da sociedade estadunidense – e levantamentos publicados no  Archives of Sexual Behavior  indicam uma queda consistente na atividade sexual entre jovens adultos. O pessoal de 18 a 30 anos está transando menos que gerações anteriores na mesma idade.

E parece que não é por falta de informação (quanto a isso tenho minhas dúvidas, porque aqui, na coluna, chegam perguntas bem básicas sobre sexo). Segundo essas pesquisas, hoje em dia, as pessoas sabem tudo sobre o assunto, como consentimento, prazer feminino (ah, só se for na sociedade americana, porque aqui, no Brasil, não é essa realidade que vejo), posições, “red flags”, traumas emocionais etc. Parece que sabem até o mapa astral do crush antes de sair de casa para um encontro. Porém….

Na hora de ir concretizar o date, de sair das teorias e ir encarar o sexo real, cru, pulsante, dão para trás.

Aí, eu fiquei pensando. Nunca foi tão fácil se conectar com outras pessoas. Tem aplicativos de encontros, redes sociais, whatsapp (apesar que nos EUA não se usa tanto quando no Brasil). Como o encontro real virou um evento especial?

Sexo prejudicado pela falta de leveza de espírito

O que aparece nos estudos, segundo eu entendi, é uma mistura de ansiedade, isolamento social (interações pessoais seriam basicamente pelas redes sociais) e cansaço emocional. Muitos jovens estadunidenses estão vivendo em um ritmo tão acelerado, sendo cobrados, cheio de comparações, que sobraria pouca energia para intimidade de verdade.

E isso até entendo, porque sexo não só corpo (para a maioria). É presença que exige uma coisa que anda faltando a praticamente todo mundo: leveza de espírito. Nestes tempos tão difíceis, com o crescimento do conservadorismo, guerras em boa parte do planeta, mudanças climáticas, crises econômicas, um presidente estadunidense malucão e sádico como Donald Trump ameaçando o mundo, quem consegue viver com leveza hoje em dia?

Outro ponto é a famosa pornografia. Os especialistas discutem há anos, em revistas científicas e estudos comportamentais, sua influência negativa na vida sexual dos jovens. E que eu vejo isso na prática, porque muitos caras ou são viciados em pornô ou acham que aquilo lá é realidade. Quando a referência de sexo vem de filme pornô, totalmente irreal, editado e cheio de sexo fake, o encontro com outra pessoa “normal” pode parecer menos atrativo.

Outro ponto levantados pelas pesquisas é o fator econômico. E sim, dinheiro influencia no romance. Os jovens do mundo todo estão demorando mais para sair da casa dos pais, por causa de empregos mal pagos. Fica mais difícil criar intimidade quando você não tem um lugar privativo para fazer sexo.

E aqui, no Brasil, onde os motéis florescem, a hora tá bem carinha. Sim, eu sei. Umas das primeiras coisas que os caras me perguntam, quando estou conhecendo alguém, é se moro sozinha. Na cabeça deles, isso significa economia de não ter que pagar motel. E, sinceramente, desanima qualquer mulher, independente da idade.

A conclusão que os cientistas chegaram é que existe sim, o desejo sexual. Mas o problema é que ele está disputando espaço com ansiedade, cansaço, preocupações e um medo constante de não ser suficiente. Os jovens estariam tentando dar conta de tudo ao mesmo tempo e o sexo virou só mais uma coisa na lista que exige muita energia, que nem sempre sobra.

E eu acho isso extremamente triste. Porque, como disse, sexo é vida. Tô com dó dos jovens dos Estados Unidos.

Mas agora eu pergunto:

E aí, pessoal, como está aqui no Brasil? Você também está fazendo pouco sexo?

Mande sua resposta para telma@olondrinense.com.br

Quero realmente saber.

Quem é Tia Telma?

Pesquisas apontaram que jovens entre 18 e 38 anos estão fazendo menos sexo que gerações anteriores e isso preocupa
Tia Telma versão IA

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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