Por Edmilson Palermo Soares
O mercado brasileiro de vinho vive um momento de maturidade e ajustes pós-pandemia. E isso se traduz em números.
Aqui estão os dados consolidados (baseados nos relatórios da Ideal Consulting e da UVIBRA) para o cenário atual:
Faturamento e consumo
O mercado de vinhos no Brasil movimenta aproximadamente R$ 20 bilhões anualmente (considerando toda a cadeia: produção, importação e varejo).
Estabilizou em torno de 2,7 a 2,8 litros por pessoa/ano. Embora pareça pouco comparado à Argentina (22L) ou França (45L), o foco brasileiro mudou para a premiumização (beber menos, mas de melhor qualidade).
Historicamente, o mercado é dividido em 65% vinhos de mesa (uvas americanas/híbridas) e 35% vinhos finos (uvas Vitis vinifera).

Produção local versus importados
O Brasil produz cerca de 300 a 350 milhões de litros de vinho por ano.
Os Espumantes Nacionais dominam o setor, onde o Brasil é referência mundial.
O produto nacional domina o mercado de vinhos de mesa.
Os vinhos Importados ocupam cerca de 15% a 20% do volume total, mas representam uma fatia muito maior em termos de faturamento no segmento de vinhos finos.
Países mais representativos (importação)
O Chile continua sendo o líder isolado, mas o cenário está mudando. Atualmente tem 42% do mercado de importados, beneficiado pelo acordo de livre comércio.
Argentina: 18%
Portugal: 15%, com crescimento constante em vinhos de entrada e vinhos regionais.
Itália: 10%, vem crescendo muito no segmento de brancos e tintos de prestígio (como o Barolo).
França: 6%, concentrada em luxo, Champagne e Rosés da Provence.
Números por estilo de vinho

A preferência do brasileiro ainda é majoritariamente tinta, mas há um avanço notável nos brancos e espumantes.
Vinhos Tintos – 70% do consumo de vinhos finos. É o soberano absoluto. No Brasil, o consumidor médio ainda associa “vinho de qualidade” à cor tinta. Uvas líderes: Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot.
Vinhos Brancos – 15% do consumo. A categoria que mais cresce em termos de “educação de paladar”. O consumo de brancos leves e aromáticos (como o Moscato e Sauvignon Blanc) tem aumentado devido ao clima tropical do país.
Espumantes – 12% do consumo. É o orgulho nacional. Mais de 70% dos espumantes consumidos no Brasil são produzidos aqui. O estilo Moscatel ainda é o líder de vendas, mas o estilo Brut (método Charmat e Tradicional) ganha espaço como bebida de gastronomia, não apenas de brinde.
Vinhos Rosés – 3% do consumo. Embora a porcentagem seja baixa, é um nicho fiel e sofisticado. O “estilo Provence” (cor casca de cebola e seco) é o que dita a tendência no mercado premium.
Você sabia disso?
Foto principal: Magnific
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral.
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