Por Edmilson Palermo Soares
Vocês devem ter visto, nas redes sociais ou mesmo aqui no site, que o vencedor do sorteio dos 6 anos de existência do O LONDRINE̅NSE ganhou um Champagne Nacional da Peterlongo.
Mas afinal, Champagne não são somente os espumantes produzidos na Região delimitada de Champagne?
Bem, é verdade. Mas existe uma exceção.
Ocorreu que, quando foi criada a Região Protegida de Champagne, em 1927, a Vinícola Peterlongo já fabricava o produto no Brasil. Ela foi a primeira vinícola a plantar uvas viníferas brancas e importar as leveduras de alta qualidade da França.
Como falamos no artigo da semana passada, a Colonia Conde D’Eu foi fundada em 1870 e, entre os colonos que ali chegaram, estava a família Peterlongo, entusiastas pela produção de espumantes. A família começou a produzir seus espumantes e servir aos amigos e pessoas de Garibaldi (emancipada como Município em 31 de outubro de 1900).
Os moradores de Garibaldi logo se entusiasmaram para realizar um Concurso de Uvas, em 1913, e um espumante tipo Champagne da família Peterlongo ganhou a medalha do Ouro, sendo o primeiro registro oficial da bebida elaborada no Brasil.
Com o prêmio vieram novas aspirações daqueles imigrantes e, em outubro de 1915, foi criado oficialmente o Estabelecimento Vinícola Armando Peterlongo S/A.
Os negócios prosperaram e a indústria exigiu mais espaço e tecnologia. A primeira parte da construção da vinícola contemplou dois pavilhões, a cave subterrânea em pedras basálticas e o castelo que seguiu os padrões da região de Champagne (França), passando a ser a moradia da família.

A segunda parte foi a ampliação de mais quatro pavilhões. Na época de sua construção, as caves da vinícola foram projetadas com o objetivo de remontar o ambiente ideal para a preservação dos champagnes, aproveitando o vento minuano que o túnel captava para manter a temperatura estável em seu interior.
Além de fabricar os espumantes corretamente, seguindo os métodos determinados para a região de Champagne, Peterlongo seguia rigorosamente às outras especificações, como as uvas utilizadas, e todas as recomendações de plantio e colheita, além, é claro, das instalações estarem dentro das normas de Champagne (uma vinícola de champagne tem que ter um castelo).

Em 1974, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou improcedente o questionamento de vinícolas francesas que queriam impedir a Peterlongo de usar o termo “champagne”.
Peterlongo Elegance, a champagne brasileira
Para a linha Peterlongo Elegance é utilizado o termo, enquanto as outras linhas que foram criadas posteriormente não tem o mesmo direito para usar o nome “Champagne”.

Por muito tempo, este Champagne era usado oficialmente pelo Governo Brasileiro, aqui e em suas embaixadas, para as solenidades oficiais, batismos de navios e aviões.
Foi o Champagne servido a Rainha Elizabeth durante a recepção feita para ela em 1968, aqui no Brasil.
Se você ainda não experimentou, vale a pena. Vamos valorizar o produto nacional.
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin
Leia todas as colunas do Mundo do Vinho
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

