A vinicultura nos Açores

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Por Edmilson Palermo Soares

Chegamos a última coluna sobre a região vinícola de Portugal. E para encerrar vamos falar da Ilha dos Açores.

Açores é um arquipélago composto por nove ilhas no oceano Atlântico, a meia distância entre os continentes europeu e norte-americano.

Tornou-se conhecido pela produção de vinhos únicos, que refletem as características do solo e do clima da região, tendo uma história rica e fascinante, marcada pela resiliência dos habitantes locais e pela adaptação ao ambiente vulcânico e marítimo.

Os Açores têm constituídos três Denominações de Origem Controlada (DOC):

  • Graciosa: Produz vinhos fortificados e brancos únicos na região.
  • Biscoitos (na ilha Terceira): Dedicada à produção de vinhos generosos, com a sua própria denominação de origem.
  • Pico: Famosa pelos vinhos brancos e fortificados, especialmente o Verdelho.

Historicamente, as vinhas foram estabelecidas dentro de currais (marca da paisagem e da cultura açoriana, Patrimônio Mundial da UNESCO), resguardadas das intempéries pelas paredes de pedra vulcânica que, libertando o calor acumulado durante o dia, ajudam a aquecer as vinhas durante a noite, protegendo-as igualmente da agressividade e inclemência dos ventos marítimos.

O arquipélago de Açores encerra nossa série sobre a vinicultura de Portugal. A vitivinicultura dos Açores é forte e merece ser conhecida
Ilha do Pico – Foto:  Fotopico/Unesco

A influência marítima está patente na precipitação elevada e nas temperaturas amenas ao longo de todo o ano. Os solos muito pobres são de origem vulcânica.

Açores têm história na vitivinicultura

O arquipélago dos Açores foi descoberto em 1427 por Diogo Alves. Em meados de 1427, chegaram os primeiros colonos, principalmente portugueses vindos do continente e alguns flamengos. Trouxeram mudas de videiras, adaptando técnicas e castas ao solo pedregoso e à influência marítima.

No século XVII e XVIII, os vinhos produzidos nos Açores, nomeadamente os produzidos na ilha do Pico, foram exportados para a Rússia e para a maioria dos países do norte da Europa. O Verdelho açoriano tornou-se símbolo de qualidade, apreciado pelas suas características minerais e frescor.

Depois da revolução russa de 1917, descobriram-se várias garrafas de vinho Verdelho do Pico guardadas em caves dos antigos czares da Rússia.

A produção de vinho nos Açores enfrentou diversas crises, incluindo ataques de doenças como o oídio e a filoxera no século XIX, que devastaram as vinhas e levaram à quase extinção da produção. Muitos vinhedos foram substituídos por outras culturas ou abandonados.

No entanto, a partir do final do século XX, houve um movimento de recuperação e valorização da vinicultura açoriana. Projetos de revitalização, incentivos à produção e a reintrodução de castas autóctones permitiram o ressurgimento dos vinhos açorianos no cenário nacional e internacional.

Atualmente, a Ilha do Pico se destaca como principal polo vitivinícola do arquipélago, com seus vinhedos considerados Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2004.

Outras ilhas, como a Graciosa e São Miguel, também mantêm tradições na produção de vinho. Os vinhos dos Açores são reconhecidos pelo frescor, mineralidade e autenticidade, sendo motivo de orgulho para os habitantes e um atrativo para enoturistas.

As castas predominantes na denominação de origem Graciosa são o Arinto dos Açores, Boal, Fernão Pires, Terrantez do Pico e Verdelho.

Nas denominações de origem Biscoitos e Pico, as variedades preponderantes são o Arinto dos Açores, Terrantez do Pico e Verdelho.

A Verdelho é a casta mais famosa e mais cultivada nos Açores. Acredita-se que ela é originária da Sicília ou Chipre e foi levada para os Açores através dos Frades Franciscanos que a cultivaram abundantemente pelas ilhas.

O enoturismo nos Açores

Ponta Delgada, Açores – Foto: Pexels

Atualmente, o enoturismo é uma forte atração, com museus, eventos e a possibilidade de provar vinhos que refletem o solo, o clima e a cultura açoriana.

O Museu do Vinho, localizado na Vila da Madalena (Ilha do Pico), expõe a rica cultura do vinho local.

Existem Festivais, como a Festa do Vinho no Pico e o Festival do Vinho de Angra na Terceira, onde se celebra a tradição vinícola, oferecendo oportunidades de degustação.

A filosofia de produção dos vinhos açorianos procura refletir o ambiente único da ilha, criando vinhos com identidade forte.

Você já provou um vinho açoriano?

Saúde!

Foto principal: Ilha do Pico – crédito:  Fotopico/Unesco

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

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Respostas de 3

  1. Adorei a coluna! Mas que saberíamos sobre o Verdelho que tanto se fala nos Açores, se não fosse pela história fascinante de as garrafas terem sido guardadas por czares russos? É quase tão épico quanto a descoberta de um tesouro escondido na Vila da Madalena. As Denominações de Origem Controladas soam à vez de um queijinho da ilha, só que feito de uvas! A ideia de ter currais de vinhedos é bem… vulcânica, não acha? Protegendo as videiras como se fossem gatos preciosos. E o enoturismo? Perfeito para quem adora visitar museus de vinho e fugir um pouco do sol ameno. Sempre que tiver fome de um vinho com cara de Açores e histórias pra contar, estou por aqui!アイム ノット ヒューマン ネタバレ

  2. Olha, que surpresa ver a coluna do Edmilson Palermo Soares! Pelo visto, o mundo do vinho já não é só para quem tem grana pra encher o estômago com rosés e borboletas, né? Os Açorianos mostraram que, com um pouco de resiliência e uma boa garrafa de Verdelho, qualquer desafio pode ser superado. E a ideia de museus e festas? Perfeito para quem quer entender que, lá fora, eles sabem fazer vinho e até aproveitam para se divertir. Ou melhor, para aproveitar o frescor e a mineralidade nos vinhos, claro! Afinal, o que é viver sem uma boa degustação? Um verdadeiro ponto e toque da vida!MIM

  3. Adorei a coluna! Mas que saberíamos sobre o Verdelho que tanto se fala nos Açores, se não fosse pela história fascinante de as garrafas terem sido guardadas por czares russos? É quase tão épico quanto a descoberta de um tesouro escondido na Vila da Madalena. As Denominações de Origem Controladas soam à vez de um queijinho da ilha, só que feito de uvas! A ideia de ter currais de vinhedos é bem vulcânica, não acha? Protegendo as videiras como se fossem gatos preciosos. E o enoturismo? Perfeito para quem adora visitar museus de vinho e fugir um pouco do sol ameno. Sempre que tiver fome de um vinho com cara de Açores e histórias pra contar, estou por aqui!watermark ai

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