A região do Tejo e seus vinhos de alta qualidade

df96cd69

Por Edmilson Palermo Soares

Seguimos nossa série sobre os vinhos portugueses. E hoje vamos falar da região vinícola do Tejo, que está localizada no coração de Portugal, próxima da capital Lisboa.

Formado por um património histórico interessante, desde ruínas romanas, castelos góticos, mosteiros Manuelinos, vilarejos medievais em colinas, esta região é referenciada em Portugal como a terra das vinhas, olivais, florestas de sobreiro, gado Mertolengo, e dos famosos cavalos Lusitanos.

A viticultura é reconhecida como uma das mais antigas regiões produtoras de vinho no país. Vinhedos formados às margens do rio Tejo desde os tempos romanos e a influência das antigas culturas produtoras de vinho é evidente nas muitas relíquias arquitetônicas.

É dividido nas seguintes sub-regiões: Tomar, Santarém, Chamusca, Cartaxo, Almeirim e Coruche.

A vinicultura remonta a 2000 a.C., quando os Tartessos iniciaram a plantação da vinha junto às margens do rio Tejo, seguidos por romanos.

O vinho do Tejo já era reconhecido no século XII, com referências em documentos históricos como o Farol de Santarém, concedido por D. Afonso Henriques em 1170.

Durante os séculos XIII, XIV e XV, os reis portugueses aplicaram uma série de medidas que protegiam os vinhos ribatejanos, nomeadamente através da proibição da entrada de vinhos produzidos fora da região.

A região passou por períodos de prosperidade e declínio, com momentos de grande produção e exportação de vinho, e outros de restrições, como a ordem de Marquês de Pombal que extinguiu as vinhas, em 1765.

Em 1989, foram criadas as primeiras Indicações de Proveniência Regulamentada para os vinhos do Ribatejo, marcando o início de um novo ciclo de reconhecimento e desenvolvimento da região.

A criação da Comissão Vitivinícola Regional do Ribatejo, em 1997, e mais tarde da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, em 2009, impulsionou a profissionalização e modernização da produção de vinho na região.

Os vinhos vibrante do Tejo

Com foco na qualidade e equilíbrio, os vinhos do Tejo são alguns dos mais vibrantes e acessíveis produzidos em Portugal, atualmente, oferecendo uma vasta gama diversificada de estilos atraentes para todos os gostos e orçamentos.

Entre as antigas vilas, olivais e Montados de Sobro, as quintas do Tejo tem em comum a produção de vinhos de alta qualidade, que expressem as características únicas do terreno do qual são provenientes as uvas. Os vinhos produzidos são resultados de entusiasmo, empenho e natureza colaborativa de produtores apaixonados que acreditam no terroir muito especial que define a região.

Aqui, são mantidas as antigas tradições desta região:

  • a pisa a pé: método tradicional que consiste em esmagar e pisar uvas sob os pés;
  • colheita em comunidade: mulheres locais colhem os frutos maduros enquanto cantam canções folclóricas tradicionais;
  • utilização de rolhas de cortiça tradicionais: cortiça nativa, natural e sustentável proveniente da árvores de cortiça da região.
A viticultura da região do Tejo, no coração de Portugal,  é uma das mais antigas daquele país e, hoje, os vinhos são de alta qualidade
Pisa a pé – Foto: Pinhal da Torre

O terroir da região (solo e clima) está inteiramente influenciado pela própria natureza do rio Tejo (amplitude e força, gerando três zonas produtoras de vinho distintas:

  • Bairro: localizado no norte do rio Tejo, terras altas compostas por colinas e amplas planícies, ricas em solos de calcário e argila. Mais a norte, partes da terra contêm depósitos de xisto, fazendo com que as videiras estabeleçam raízes mais profundas;
  • Charneca: localizado na margem esquerda do Rio Tejo ao sul do Campo, com solos arenosos que forçam as videiras a lutarem, e por sua vez produzem frutos mais complexa. As temperaturas são mais elevadas assim as uvas amadurecem mais rápido do que no resto da região;
  • Campo: situa-se junto as margens do rio Tejo. A proximidade com o rio oferece um clima mais marítimo, equilibrando as temperaturas e, consequentemente, influenciando o caráter frutado, a acidez e frescor dos vinhos. Os solos aluviais destas planícies proporcionam uma boa drenagem, sustentando as vinhas situadas no local.

A região do Tejo possui cerca de 17 mil hectares de terreno, representando uma produção anual de 650 mil hectolitros, 10% da produção no país. Deste total, 110 mil hectolitros são alvo de certificação, sendo 90% com a Indicação Geográfica Protegida (IGP), e o restantes 10% têm Denominação de Origem Controlada (DOC).

Reconhecida pelos seus esplêndidos vinhos, a região do Tejo apresenta uma versatilidade imensa nesta produção. Criando vinhos únicos, repletos de particularidades, estes terroirs são o abrigo de castas escolhidas e cultivadas meticulosamente, o que se reflete em alguns dos vinhos mais vibrantes do país.

Para os vinhos brancos do Tejo, são utilizadas desde a Chardonnay e Sauvignon Blanc até Arinto. Porém, a casta nacional Fernão Pires distingue-se das demais pela sua elevada produção. Estas castas autóctones prosperaram em climas quentes e solos complexos da região do Tejo, mantendo a elevada acidez natural, para produzir vinhos equilibrados com características de frutas ricas.

Uva Arinto – Foto: CVRTejo

Para os vinhos tintos, são utilizadas as castas Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira (revela-se uma casta emblemática), e a Castelão (a mais expressiva da região).

Os produtores de vinho da região têm mudado a sua abordagem em termos de qualidade e equilíbrio, combinando a experimentação, o investimento em equipamentos modernos, um compromisso com a redução de custos e o cultivo de uvas específicas do terroir. A herança do Velho Mundo é combinada com estratégias novas e pioneiras na produção de vinho. Os resultados são vinhos que atendem às sensibilidades e prazer do dia-a-dia atuais.

Os vinhos do Tejo são alguns dos mais vibrantes e acessíveis de Portugal, brancos a tintos, sem nunca deixar esquecer os licorosos e os espumantes, o equilíbrio é admirável. Oferecem uma gama diversificada de estilos que atendem a uma variedade de gostos e orçamentos.

Um brinde a todos.

Foto principal: Adega/Pinhal da Torre

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

Leia todas as colunas do Mundo do Vinho

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

Compartilhe:

Respostas de 2

  1. Caro Edmilson
    Parece-me bastante bem… Com um ou outro detalhe…
    O processo “Pisa a pé” é mantido para edições muito limitadas e caras…
    Na sua globalidade o processo utilizado é o de prensas mecânicas.
    Além do referido importará salientar a influência atlântica (Frescura e acidez).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse