Vale de Colchagua: grandes vinhos encorpados

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Por Edmilson Palermo Soares

O Vale de Colchagua é o coração dos grandes vinhos tintos encorpados do Chile, mundialmente consagrado pela opulência da sua Carmenère, Cabernet Sauvignon e Syrah.

A vocação vitivinícola da região remonta à época colonial, quando ordens religiosas introduziram a uva País. No entanto, sua revolução moderna ocorreu nas décadas de 1980 e 1990.

Famílias visionárias, como Aurelio Montes com a Viña Montes, Laura Hartwig e a família Silva com a Casa Silva, identificaram que o clima quente e a proteção geográfica entre os Andes e a Cordilheira da Costa eram ideais para tintos de grande concentração.

Em 2005, a prestigiada revista norte-americana Wine Enthusiast elegeu Colchagua como a Melhor Região Vinícola do Mundo (Wine Region of the Year), projetando a marca Colchagua no cenário global de luxo e impulsionando um circuito de enoturismo de padrão internacional.

Características do Terroir e Clima do Vale do Colchagua

Clima: Mediterrâneo quente com verões secos e ensolarados. A Cordilheira da Costa atua como um escudo, mas as aberturas do vale canalizam brisas frescas do Oceano Pacífico no final da tarde.

Amplitude térmica: Dias de sol intenso com quedas térmicas acentuadas à noite, o que permite maturação fenólica completa (taninos aveludados e açúcares ideais) sem perda total de acidez.

Solos: Grande diversidade geológica, com solos aluviais e coluviais nas encostas, combinando argila, granito decomposto e pedras de boa drenagem.

Estilo do vinho: Tintos de cor profunda, perfil aromático de frutas negras maduras, notas de especiarias doces, chocolate, taninos fartos e textura aveludada.

O Vale do Colchagua, no Chile, é uma das regiões mais importantes da vitivinicultra do país, com vinhos encorpados de renome internacional
Foto: Enoturismo Chile

As sub-regiões

Colchagua faz parte do Vale do Rapel e se divide em setores com identidades climáticas bem distintas:

Apalta: É o setor mais famoso e nobre de Colchagua (elevado à categoria de denominação de origem própria). Trata-se de um anfiteatro natural voltado para o norte, protegido de ventos extremos e com encostas íngremes de solo granítico. É o berço dos maiores vinhos ícones do país.

Peralillo e Palmilla: Localizados no centro do vale. Região ligeiramente mais plana e quente, excelente para Cabernet Sauvignon, Carmenère e Malbec equilibrados.

Marchigüe: Situado mais a oeste, mais próximo ao Oceano Pacífico. Recebe ventos marítimos mais intensos e solos graníticos pobres, conferindo maior frescor, tensão e mineralidade aos tintos (com destaque para Syrah e Cabernet).

Paredones (Colchagua Costa): A apenas alguns quilômetros do mar, com clima frio e névoas marinhas. Dedicado à produção de vinhos brancos de alta acidez (Sauvignon Blanc) e Pinot Noir.

Principais uvas

Tintas:

  • Carmenère: A grande embaixadora do vale. Em Colchagua (especialmente em Apalta e Peumo/Rapel adjacente), ela atinge plena maturação, perdendo o excesso de pirazina (notas verdes ásperas) e ganhando notas de figo, ameixa e pimenta-do-reino preta.
  • Syrah: Apresenta grande destaque em Apalta e Marchigüe, com notas cárnicas, florais e de azeitona preta.
  • Malbec: Possui um patrimônio histórico relevante em vinhas velhas de pé-franco.

Brancas:

Principais vinícolas

Montes Wines – Região de Apalta

Principais vinhos:  

  • Montes Alpha M, Montes Folly (100% Syrah icônico),
  • Purple Angel

Clos Apalta (Lapostolle) – Região de Apalta

Principais vinhos: 

Clos Apalta (eleito Vinho nº 1 do Mundo pela Wine Spectator na safra 2005)

Foto: reprodução da internet

Casa Silva – Região de Angostura / Lolol

Principais vinhos:  

  • Microterroir de Carmenère
  • Altura
  • Quinta Generación

Viu Manent – Região de Cunaco

Principais vinhos:  

  • Vibo
  • Viu 1 (Malbec ícone de vinhas centenárias de 1900)

Lapostolle – Região de Apalta

Principais vinhos:  

  • Cuvée Alexandre
  • La Parcelle 8

Neyen – Região de Apalta

Principais Vinhos:  

  • Neyen Espírito de Apalta (corte de Carmenère e Cabernet de vinhas de 1890)

Viña Vik – Região de Millahue (borda de Colchagua/Cachapoal)

Principais vinhos: 

  • VIK
  • Milla Cala
  • La Piu Belle

Laura Hartwig – Região de Santa Cruz

Principais vinhos:  

  • Edición de Familia
  • Single Vineyard Cabernet Franc

Curiosidades históricas de Colchagua

A Adega do Feng Shui e Cantos Gregorianos

Na adega da Viña Montes, em Apalta, a arquitetura foi desenhada estritamente de acordo com os princípios do Feng Shui para canalizar energias positivas. Além disso, as barricas de carvalho onde envelhecem os vinhos ícones descansam ouvindo gravações contínuas de cantos gregorianos 24 horas por dia, prática adotada por Aurelio Montes, sob a crença de que as vibrações sonoras sutis favorecem o envelhecimento do vinho.

As Vinhas Pré-Filoxera de 1890 da Neyen

A propriedade da vinícola Neyen preserva vinhedos originais de Cabernet Sauvignon e Carmenère plantados em pé-franco em 1890, sobreviventes da era pré-filoxera, irrigados por gravidade e produzindo cachos de concentração e pureza raras até os dias de hoje.

O Berço do Enoturismo e o Trem do Vinho

Santa Cruz, a cidade-sede de Colchagua, foi pioneira na infraestrutura de enoturismo na América do Sul, com a criação do lendário Tren del Vino, uma locomotiva histórica a vapor que transportava turistas de San Fernando até os vinhedos com degustações a bordo.

Museu de Santa Cruz

A região abriga o Museu de Colchagua, um dos maiores acervos privados da América Latina (criado pelo empresário Carlos Cardoen), que vai desde fósseis e arte pré-colombiana até os itens originais do resgate dos 33 mineiros chilenos em 2010.

Um brinde!

Foto principal: Vale do Colchagua/Senatur-Chile

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