Por Telma Elorza
“Sou babaca por querer dispensar uma mulher incrível? Comecei a sair com uma garota maravilhosa, perfeita, lindíssima, um tesão. O problema é que ela gosta de sexo agressivo, quer que eu bata nela, com força. Ela também me bate, me morde, arranha de tirar sangue. Na primeira vez, eu fiquei surpreso com tanta agressividade e até gostei. Mas agora ela quer toda vez, quer que eu a deixe roxa, bata forte mesmo e, se possível, arranque sangue. E isso está me deixando desconfortável, porque não gosto muito dessas coisas de machucar as pessoas nem de agressões gratuitas. Todos meus amigos babam nela e dizem que eu tenho muita sorte. Mas eu tô pensando em terminar e procurar alguém mais calminha. O que acha?”
Cara, que situação. E já vou abrir o jogo: você não é babaca, não. Você não é saco de pancada. O que você está vivendo não é exatamente sexo, é uma versão pornô do Mortal Kombat e nem gosta deste game. E pior, tiraram o controle da sua mão. Você entrou no modo “apanhar” e ela, no “fatality”.
Vamos por partes. Eu já cansei de falar que TUDO no sexo tem que ser consensual. Ou seja, os dois tem que gostar e permitir. Na primeira vez de vocês, ok, você ficou surpreso, achou até divertido. Tipo quando alguém convida para andar de montanha-russa e você pensa: “uau, por que não? Vai ser adrenalina pura”! Mas o problema é que ninguém avisou que, dali para frente, o passeio seria todo dia, sem direito de descer do carrinho. Em vez da cama, você está entrando num ringue!
E você não é obrigado a gostar e nem fazer o que ela quer só porque é uma deusa de beleza. Nem por é porque você é homem – e, portanto, na concepção machista de ser uma máquina de fazer sexo do jeito que ela quiser – , nem porque seus amigos estão babando nela, chamando-o de sortudo. Você não precisa aceitar isso. Ser macho é também saber dizer não e sair de situações que não o agradam. Não é frescura, não é “falta de masculinidade” e muito menos “sorte desperdiçada”. É simplesmente reconhecer seus limites. O fato de ser a mulher que pede e o homem que recusa, não muda a situação. O consensual, lembra?
Isso não é sexo, é boletim de ocorrência
Tesão é bom, mas tem limite. Tapinha de leve? Show. Mordidinhas (sem deixar marcas)? Excelente. Agora, tapa de deixar roxo, arranhão de tirar sangue? Amigo, isso não é sexo, é boletim de ocorrência. Terminar com ela vai ser bem melhor para sua saúde física e mental. Ela que vá procurar um parceiro que curta BDSM. Ali tem gente que curte apanhar pesado, sangue, roxos e tudo mais. Ela pode ser muito mais feliz que ter que obrigar parceiros que não gostam dessa violência toda a participar.
Sugiro que você converse com ela e exponha seus pontos de vista e, principalmente, seu desconforto com a situação. Vai que ela aceita baixar o nível da agressividade. Tipo: menos UFC e mais sessão de filme pornô? Mas se ela só se satifaz com o estilo Clube da Luta, aí você tem que escolher: ou vive cheio de hematomas, mesmo não gostando, ou cai fora. Eu, pessoalmente, cairia fora.
Mas a real é que você não terminou ainda porque ela infla seu ego masculino. Afinal, ela é perfeita, maravilhosa, todos os caras queriam estar no seu lugar. Mas será que vale a pena massagear o seu ego em detrimento ao que você realmente quer da vida e do sexo? Quer viver insatisfeito para não ser o cara que dispensou a mina capa de revista por “bobeira”?
Respeito próprio é sexy
Se decidir terminar, não vai significar que perdeu a chance da vida. Significa apenas que você tem maturidade suficiente para entender que sexo bom é aquele em que não se precisa fingir gostar de uma coisa. Vai aparecer outras mulheres bonitas, que combinam melhor na cama com seu ritmo e desejos. E uma delas vai ser, sim, a “sorte grande” para você. Aliás, vou contar um segredinho: respeito próprio é muito sexy. O cara que sabe dizer NÃO quando algo não faz sentido para ele é muito mais homem que aquele que engole sapo só para não perder o “respeito” dos amigos.
No fim de tudo, é bem simples: sexo bom é quando você sai da cama leve, sorrindo, com aquela preguiça gostosa. Não quando você sai mancando, procurando gelo e se perguntando se o plano de saúde cobre os custos para tratar os ferimentos. Pense nisso.
Espero que tenha ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
Leia mais colunas Tia Telma Responde
Siga O LONDRINENSE no Instagram e Facebook
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.


