Por Telma Elorza
“Meu namorado (recente) me contou que tem fetiche de transar com uma pessoa totalmente imóvel, como se fosse uma boneca. Ele me pediu experimentarmos e disse que ia gostar. Eu aceitei e realmente gostei, mas não sei se vou topar sempre. Queria saber mais sobre isso. É comum algo assim?”
Bom, amiga, esse fetiche de imobilidade/boneca humana existe sim, mas é mais conhecido no universo BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) e de outras práticas sexuais como “fetichismo da imobilidade”.
Isso significa que é alguém que gosta de fazer sexo com outro fingindo se um objeto inanimado, ligado à agalmatofilia (fetiche por estátuas, manequins ou bonecas sexuais) ou somnophilia (fetiche por sono e alguém adormecido). Ambos, porém, precisam de consentimento prévio absoluto para ser seguro e consensual.
Na prática, o desejo de ver o parceiro completamente imóvel (ou de ser aquele que não se mexe) geralmente se divide em algumas dinâmicas principais.
A primeira e mais comum é a da Boneca(o) Humano, também conhecido por Dollification. Um dos parceiros age, veste-se e posiciona-se como se fosse uma boneca de cera, manequim ou robô Sim, tem essa vertente também. O outro parceiro o manipula, troca de roupa ou interage com ele enquanto a “boneca” permanece estática. Muita gente que ama essa prática pode ter ou sonhar ter uma Sexy Doll (aquelas bonecas hiper-realistas criadas especialmente para sexo) e ser fãs de filmes de ficção onde o humano se relaciona sexualmente com robôs. Tem vários desse tipo, mas não tive paciência de listar.
A segunda vertente são os chamados “Jogos de Controle e Entrega”. Para quem fica imóvel, o prazer estaria na perda total do controle e na entrega do próprio corpo ao outro. Para quem comanda, o prazer pode vir do poder de interagir com um corpo que está interamente à sua disposição.
Há ainda a dinâmica “Jogos de Paralisia ou Congelamento”, onde um comando ou senha simula que a pessoa perdeu a capacidade de se mover temporariamente e só sai da posição quando um novo comando é dado.
Todas essas são interessantes para quem gosta da prática com “bonecas”. Maaasssssssssssssssssssss…… É preciso que haja regras de segurança (como em qualquer prática BDSM) que sejam seguidas à risca.
Como qualquer prática BDSM, o consentimento e a comunicação são essenciais. Antes de começarem os jogos, é preciso que conversem sobre tudo e alinhem pontos essenciais (inclusive a duração do jogo sexual. Afinal, ficar imóvel como uma boneca pode dar dores musculares) antes da prática começar. Jamais entre em algo do tipo sem o acordo explícito de ambas as partes, ok?
É preciso ter uma palavra de segurança (uma senha) ou, no caso – como a pessoa está interpretando alguém que não fala ou se mexe –, um sinal sonoro ou algo tipo piscar os olhos repetidamente para indicar que a situação começou a ficar desconfortável. O outro tem a obrigação de parar imediatamente o que estiver fazendo. Interromper sem senha ou sinal também é possível, já que você não perde o direito de retirar o consentimento porque esqueceu a senha de segurança ou não conseguiu pronunciá-la.
Cansou de ser boneca? Ok
No fim das contas, fetiches e fantasias sexuais são muito mais variados que a gente imagina. Mas, há uma diferença importante entre ter um fetiche de submissão e transformar isso em uma obrigação do parceiro.
Você aceitou o fetiche do seu namorado recente. Gostou, ótimo. Mas isso não significa que você tenha assinado um contrato vitalício para fazer sempre a mesma coisa quando ele quiser. É preciso lembrar que consentimento” não é algo que “aceitou uma, duas vezes, tem que fazer para sempre”. Não. Você pode gostar hoje e amanhã não estar à fim, querer fazer algo diferente. Pode gostar de algo e estabelecer limites para outra coisa sugerida. Pode até mudar de ideia no meio do jogo.
E seu namorado precisa entender isso também, ok? Se você não quer mais, explique e conversem. Ele precisa respeitar seus limites. Se fizer chantagem emocional ou insistir ou fazer pressão para que você continue sendo a boneca dele, já sabe, né? Fuja rápido. Run!
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?
Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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