Tem gente que sente fetiche por árvore. E isso nem é o mais estranho

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Tia Telma, qual o fetiche mais diferentão que existe?”

Querido leitor, confesso que a pergunta me fez mergulhar numas pesquisas que olha, foi um universo totalmente à parte do que já vi por aí. E eu já vi muuuuuita coisa. Tanto pessoalmente, quanto nas minhas pesquisas aqui, para a coluna.

A gente tem que reconhecer que a sexualidade humana é uma das coisas mais incríveis e criativas que existem. Enquanto algumas pessoas gostam de um jantar à luz de velas e vinho para dar o “clima” propício para uma relação sexual posterior, outras têm métodos próprios para estimular o tesão.

Tem gente que não pode ver uns pés nus (ou até com sapatos) que se excita. Tem gente que gosta de ver alguém vestido em um uniforme ou alguma fantasia. Tem gente que adora ver o outro urinando. Tem gente que adora observar seu parceiro transando com uma terceira pessoa. Enfim, são tantas coisas que podem levar ao desejo que eu acho que as possibilidades de fetiche são infinitas e, ao mesmo tempo, muito individuais.  

Fetiche por árvore ou estátua?

Por exemplo, existem pessoas que sentem atração por árvores, por estátuas, pontes (viadutos incluídos) e até pela ideia de se relacionar sexualmente com gigantes. Sim, gigantes mitológicos, de preferência. E não apenas homens altos.

Sim, você leu certo.

A dendrofilia, por exemplo, é a atração por árvores. E não estou falando de simplesmente abraçar um Ipê Amarelo na rua. Quem tem esse tipo de fetiche desenvolve uma conexão emocional e sexual com árvores. Sim, gozam abraçando – se esfregando e até introduzindo o pênis em algum buraco, se houver – a pobrezinha. O ipê tava lá quietinho, vem um e pimba.

A agalmatofilia envolve atração por estátuas, manequins e bonecos. Imagine explicar para a família e amigos que você está envolvido sexualmente com a estátua de Castelo Branco na rotatória da Avenida Maringá. HO! Os almoços de domingo seriam muito interessantes.

A objetofilia é outro fetiche “diferentão”, como o leitor diz. Nesse caso, a pessoa desenvolve sentimentos amorosos e eróticos por objetos. Qualquer objeto, desde uma bola de capotão até um viaduto, um monumento, um prédio.

Outro fetiche pouco conhecido é a macrofilia, um fetiche que envolve pessoas gigantes, mas gigantes mesmo. E o seu inverso, a microfilia, que faz a imaginação erótica girar em torno de pessoas minúsculas, não apenas anões.

Há também a formicofilia, ligada à sensação de pequenos insetos caminhando sobre a pele. Iiiiiiiiiiirc! Só de escrever isso já sinto uma coceira nas costas. Mas, para alguns “privilegiados(?)” , essa sensação pode ser muito excitante.

Então, quando a gente acha que já viu de tudo (um tapa na minha cara), descobre que existe até quem se interesse por ser roubado, assaltado, extorquido ou chantageado. Espero que (apenas) dentro de um contexto de fantasia e consensual. Imagina o cara sendo assaltado de verdade e morrendo de tesão? Esse fetiche é a chamada crematistofilia.

Não prejudica ninguém? Então está ok

Mas aqui vai uma observação importante. Muitas pessoas ouvem falar desses fetiches e imediatamente concluem que seus praticantes são “estranhos” ou “anormais”. Porém, não é bem assim. A ciência vê a questão de forma um pouco diferente.

Especialistas costumam avaliar três fatores principais: consentimento, segurança e sofrimento. Se um fetiche não causa danos, não envolve vítimas que não consentiram com a prática e não gera sofrimento significativo a ninguém, nem ao próprio fetichista, ele geralmente é considerado apenas a uma variação da sexualidade humana. Ao contrário da pedofilia, por exemplo. Se o cara quer fazer sexo exclusivamente com uma bola de capotão, deixa ele ser feliz.

Vale lembrar que aquilo que hoje parece absolutamente comum  – como vender fotos dos pés para tarados por pés, hoje tão comum na internet  – já foi considerado escandaloso em outras épocas. Houve tempo em que falar que a mulher “dava” para o marido no leito nupcial era motivo de constrangimento enorme.

Então, a questão não é qual o fetiche mais estranho do mundo. Mas sim, por que ficamos tão fascinados pelas fantasias sexuais dos outros? Será que é porque elas revelam algo fundamental como: ninguém é tão normal quanto aparenta?

Atrás da aparência pacata daquele casal vizinho, pode ter dois grandes frequentadores de casas de Swing, praticando a troca de casais toda semana. A aparência séria do advogado, do médico ou da aposentada do apartamento de cima podem esconder todo um universo de fantasias sexuais, sonhos e desejos. Pensou nisso? Você nunca mais vai olhar seu contador sem se perguntar: o que será que ele fantasia?

E isso, gente, torna tudo mais interessante.

E até você, que está me lendo agora, pode ter alguns fetiches “diferentões” escondidos. Mas não deixa de ser uma pessoa normal, ok?

Quem é Tia Telma?

O leitor pergunta sobre os fetiches "diferentões". Será que você conhece todos?
Tia Telma versão IA

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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