Por Cláudio Chiusoli
Apesar da recente diminuição na taxa Selic para 13,75%, o Brasil ainda mantém a posição de maior taxa de juros reais globalmente.
Atualmente, o país se destaca no panorama internacional, liderando em juros reais (considera a taxa de juros nominal de 13,75% sendo dividida pela inflação estimada em 4,9%, tendo em mente que a determinação ocorre por meio de juros compostos), figurando entre os primeiros em relação aos juros nominais.
Para entender essa situação, é fundamental distinguir as duas principais maneiras de avaliar as taxas de juros:
Juro Real (a mais alto do mundo)
O juro real é a medida que realmente tem impacto na economia, pois leva em conta a inflação projetada ao calcular a taxa de juros aplicada (Selic).
Conforme dados recentes do mercado, o Brasil está no topo do ranking mundial em juros reais, com uma taxa real estimada em cerca de 8,45% ao ano.
O país está significativamente à frente de outras economias, como a Rússia (6,79%), Colômbia (6,33%) e Turquia (6,25%).
Para ter uma noção, a média mundial da taxa de juros real é de apenas 1,62% ao ano, que ressalta a discrepância da taxa brasileira em relação à global.
Juro Nominal (4º maior do mundo)
O juro nominal é a taxa bruta que é divulgada pelo Banco Central (a Selic – 13,75%), sem considerar da inflação.
Em termos de juro nominal, o Brasil ocupa a quarta posição no mundo, com a Selic fixada atualmente em 13,75% ao ano. O país só fica atrás da Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%).
Por que os juros são tão elevados no Brasil?
A posição de liderança do Brasil em juro real não se deve apenas ao alto valor da Selic, mas à junção de uma taxa de juros elevada no mercado com uma inflação futura projetada, motivo de preocupação.
Entre as razões para a permanência das taxas de juros altas no Brasil, destaco duas principais:
- Combate à inflação: o Banco Central utiliza a elevação dos juros para tornar o crédito mais caro, desencorajar o consumo e tentar controlar o aumento dos preços.
- Risco fiscal: a elevada dívida do governo e incertezas em relação às finanças públicas levam os investidores a exigirem um retorno maior ao emprestar dinheiro ao país.
Fique por dentro!
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e Instagram.
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