Por Cláudio Chuisoli
Esse é meu artigo de número 280 e, durante todo o período que escrevo essa coluna, recebi várias sugestões de novos temas, o que considero muito importante. Na área de economia, deixando de lado o viés ideológico, uma economia de qualquer país bem administrado teria um bom desempenho em qualquer região do planeta.
O tema que abordo hoje é a conexão entre a Economia do Crime e o Establishment, que se fundamenta principalmente na noção de racionalidade e na manutenção de benefícios entre os diversos grupos de interesse.
Esses acontecimentos afetam a economia diariamente e desempenham um papel significativo em nossas escolhas, além de criar dificuldades aos empresários com incertezas jurídicas, alta carga de impostos e taxas de juros elevadas.
A Economia do Crime é uma decisão fundamentada em uma análise de custo e benefício, tal como exemplo, o crime organizado não é mais visto como uma atividade “marginal”; ele deixou de se restringir ao tráfico. Transformou-se em uma rede complexa presente em setores da economia, como combustíveis, mercado imobiliário e construção, através de negócios legítimos, praticando lavagem de dinheiro e gerando lucros “limpos”, com o auxílio de agentes infiltrados no sistema jurídico e político.
O Establishment é uma ordem ideológica, econômica, política e jurídica que constitui uma sociedade ou um Estado ou ainda elite social, econômica e política de um país.
Quando o mecanismo de penalizações não consegue afetar indivíduos de “elevado status social” (chamados de crimes de colarinho branco), o ato ilícito passa a ser uma opção financeiramente atrativa para quem está no comando, confiando na impunidade.
Entenda a Economia do Crime e Establishment

Baseado nisso, a conexão que isso tem nas nossas vidas como cidadãos é poderosa, pois enfrentamos diversos escândalos em nível nacional que geram poucos resultados, levando à famosa expressão “acabando em pizza”. Eis alguns exemplos, entre tantos:
a) O escândalo do banco Master envolvendo familiares e membros do judiciário e políticos;
b) O caso do Resort Tayaya, onde proprietários estão relacionados a ministro do judiciário;
c) O desconto indevido dos recursos do INSS destinados aos idosos, com apoio de sindicatos, partidos e familiares de políticos influentes;
d) Um alarmante nível de déficit e corrupção nas empresas estatais, com líderes políticos ideológicos gerenciando essas organizações.
e) Familiares de políticos sendo protegidos no depoimento em CPI do congresso.
Assim, há um segmento da elite que se resguarda com o auxílio do sistema judicial e de figuras políticas, tanto no poder executivo como no legislativo, onde um lado sustenta o outro.
Decididamente, o Brasil não é para amadores e a população está cansada de enfrentar essa realidade; isso é evidente na reação nas redes sociais.
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e Instagram.
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