Por Edmilson Palermo Soares
Começamos a falar hoje sobre as regiões Vinícolas de Portugal. E, para começar, não poderia deixar de escolher a mais conhecida, a Região do Vinho Verde, também chamada de “Minho”.
O vinho produzido nesta região não é verde, é branco, rosé e tinto, como qualquer outra região vinícola do mundo.
Essa região, localizada no noroeste de Portugal, é caracterizada pela sua paisagem verdejante e pela tradição de produzir vinhos leves, frescos e com alta acidez. O nome “Vinho Verde” também pode remeter à colheita das uvas antes de atingirem a maturação total, o que contribui para a sua característica refrescante.
É a maior denominação de Portugal, com uma área de cerca de 24.000 hectares, ocupando uma mancha imensa por todo o noroeste continental, com a propriedade repartida por milhares de pequenas parcelas, por vezes pouco maiores que pequenos quintais.

Situa-se no extremo Norte de Portugal continental, delimitada a Norte pelo rio Minho, estendendo-se pela costa atlântica até a cidade do Porto, e para Sul até as margens do rio Vouga.
As vinhas concentram-se ao longo dos vales dos rios principais. Os solos são homogéneos e maioritariamente graníticos, férteis a muito férteis, de acidez elevada.
A denominação divide-se em nove sub-regiões distintas:
- Monção e Melgaço;
- Lima;
- Basto;
- Cávado;
- Ave;
- Amarante;
- Baião;
- Sousa;
- Paiva
Monção e Melgaço apresenta-se como a mais singular das sub-regiões, a única que por se encontrar protegida da influência direta atlântica, apresenta um clima de influência marítima e continental, com vinhos mais encorpados e de graduações alcoólicas mais elevadas.
No século XII houve um grande incentivo à plantação da vinha. Um documento real concedido por D. Afonso Henriques, em 1172, declara-se que a plantação de vinhas estava isente de qualquer imposto durante cinco anos e após esse período o imposto correspondia à sexta parte do vinho colhido.
A partir do século XVII, as exportações de “Vinho Verde” para Inglaterra tornaram-se regulares. Os primeiros vinhos exportados eram, provavelmente, oriundos da zona de Monção e a sua travessia era feita através do porto de Viana de Castelo.
Vinho Verde, uma região própria

Em 18 de Setembro de 1908, foi demarcada a Região Demarcada dos Vinhos Verdes, e, em 1926, foi criada a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, responsável pela certificação e controle da qualidade do produto.
Em 1959, foi criado o selo de garantia para proteger a origem e a qualidade do Vinho Verde.
Em 1984, o Vinho Verde foi reconhecido como Denominação de Origem Controlada (DOC), garantindo a sua autenticidade e qualidade.
A partir de 1999, a região começou a produzir também vinhos espumantes.

As castas brancas dominantes são o Alvarinho, Arinto (designada localmente por Pedernã), Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura.
Nos tintos sobressaem as castas Borraçal, Brancelho, Alvarelhão, Espadeiro e Vinhão.
Os vinhos brancos são especialmente aromáticos, límpidos e refrescantes.
Sem dúvida, os vinhos mais conhecidas dessa região são: Casal Garcia (o mais vendido no mundo), Casal Mendes e Calamares.
Sugestões de Harmonização
Vinho Verde Branco: Ideal para peixes e mariscos, saladas, pratos leves e cozinha oriental.
Vinho Verde Rosé: Bom para aperitivos, saladas e pratos de carne branca.
Vinho Verde Tinto: Harmoniza bem com receitas mais condimentadas e com maior teor de gordura, como bacalhau.
Foto principal: Câmara Municipal de Braga, Portugal
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin
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