Por Edmilson Palermo Soares
O Pêra-Manca é um dos vinhos mais icônicos e prestigiados de Portugal, com uma história que se entrelaça com a tradição e a excelência da região do Alentejo.

O nome “Pêra-Manca” tem origem nos terrenos onde as vinhas que produziam o vinho estavam localizadas. A expressão “pedras mancas” descrevia as grandes pedras soltas que se moviam ou “mancavam” no barranco, uma característica do solo da região.
A produção do Pêra-Manca remonta aos séculos XV e XVI, quando frades da Ordem de São Jerônimo cultivavam vinhas perto de Évora.
Reza a lenda que este vinho, famoso na época, foi levado por Pedro Álvares Cabral na sua viagem de descobrimento do Brasil, sendo utilizado para brindar ao encontro com a população indígena.
No século XIX, o nome foi resgatado pela Casa Agrícola José Soares, que produziu o vinho durante anos. No entanto, com a crise da filoxera e a morte do proprietário em 1920, a produção foi interrompida. Em 1987, o herdeiro da casa agrícola, José António de Oliveira Soares, doou a marca à Fundação Eugenio de Almeida, com a condição de que o nome Pêra-Manca fosse usado apenas no melhor vinho de cada ano.
A Fundação Eugenio de Almeida, proprietária da Adega Cartuxa, retomou a produção do Pêra-Manca. Desde 1990, a primeira safra da nova era, o vinho é produzido apenas em anos que a equipe de enologia considera de qualidade excepcional.
Quando a qualidade não atinge os padrões exigidos, o vinho não é produzido, o que contribui para a sua exclusividade e prestígio.
As castas utilizadas no Pêra-Manca tinto são a Trincadeira e o Aragonez (Tempranillo), que estagiam em tonéis de carvalho francês por 18 meses, seguidos por um longo período em garrafa.
Existe também o Pêra-Manca branco, produzido com as castas Antão Vaz e Arinto.

O Pêra-Manca é reconhecido pela sua complexidade, elegância e grande potencial de envelhecimento, sendo um dos vinhos portugueses mais cobiçados e procurados por colecionadores e apreciadores em todo o mundo.
Pêra-Manca tem oferta limitada
O Pêra-Manca é um vinho de alta gama e seu preço reflete a sua exclusividade, qualidade e a meticulosa seleção de safras pela Fundação Eugenio de Almeida. Por ser produzido apenas em anos considerados excepcionais, a oferta é limitada, o que eleva seu valor no mercado.
Os preços podem variar bastante dependendo de alguns fatores:
Tipo de vinho: O Pêra-Manca tinto é consideravelmente mais caro que o Pêra-Manca branco. O tinto, por ser o mais emblemático e ter maior potencial de guarda, costuma ter preços que partem de R$ 3.800 a R$ 5.500 por garrafa, podendo ser ainda mais alto para safras raras.
Ano da safra: Vinhos de safras mais antigas e cobiçadas, especialmente aquelas com pontuações altas de críticos especializados, tendem a ter preços mais elevados no mercado de colecionadores.
Ponto de venda: O preço pode ser diferente entre lojas especializadas, adegas on-line e grandes varejistas. No Brasil, o valor final é impactado por impostos e custos de importação.
Para ter uma ideia dos preços médios, o Pêra-Manca branco geralmente custa entre R$800 e R$1.200 por garrafa, dependendo da safra e do ponto de venda.
É importante ressaltar que o Pêra-Manca é um vinho de investimento, muitas vezes adquirido por colecionadores. Seus preços refletem não apenas a qualidade, mas a história e o prestígio que a marca construiu ao longo dos séculos.
Não é um vinho para ser comprado e imediatamente aberto. É um vinho para se manter em sua adega até que ele atinja o seu ápice de envelhecimento e tenha uma entrega (experiência) excepcional.
Um vinho que exige ser decantado por horas.
Um brinde!
Foto principal: A adega da Adega Cartuxa
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin
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