Comemore o Dia Nacional da Imigração Italiana

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Por Edmilson Palermo Soares

Nesta sexta (21), comemora-se o Dia Nacional da Imigração Italiana. Nesta data, em 1874, um navio vindo de Genova (Itália) chegava no Porto de Vitória com 388 imigrantes. Era a Expedição Tabbachi, que iria fundar a 1ª. Colônia Italiana em Santa Tereza, no Estado do Espírito Santo.

Sabem qual é a principal atividade econômica desta cidade? É uma região vinícola.

Até então, a bebida produzida no Brasil era a cachaça, feita de cana-de-açúcar. As tentativas anteriores de produção vinícola feita pelos portugueses não tinham dado muito certo.

Onde as Colônias Italianas se desenvolviam, desenvolvia-se também a Vinicultura. Nascem assim, no Brasil, os Vinhos Coloniais, feitos de uvas locais, que eram próprias para o consumo in natura ou para sucos. Também ficaram conhecidos como Vinhos de Mesa.

Mas os italianos também trouxeram suas mudas de uvas e foram as adaptando aqui, em nosso país.

Nesta sexta, comemora-se o Dia Nacional da Imigração Italiana. E devemos comemorar mesmo, porque os italianos trouxeram muitas coisas boas para nosso país
Colheita da uva – Foto: IBGE

Nos anos de 1870 nasceram as Colônias no Rio Grande do Sul:

  • Conde D’Eu (Garibaldi)
  • Dona Isabel (Bento Gonçalves)
  • Campo dos Bugres (Caxias do Sul)
  • Silveira Martins (Santa Maria)

Em Santa Catarina:

  • Colônia Nova Itália (São João Batista)
  • Colônia Azambuja (Pedras Grandes)


Da Colina Azambuja criaram os assentamentos de:

  • Nova Trento,
  • Urussanga,
  • Nova Veneza,
  • Nova Treviso.

No Paraná, pelos anos de 1875, começaram as Colônias;

  • Nova Itália e Nova Alexandra (Morretes, Antonina, Paranaguá)
  • Santa Felicidade
  • Colombo

No Estado de São Paulo, as Colônias se espalharam pela Zona Cafeeira da Alta Mogiana (Oeste), onde podemos citar: Altinópolis, Batatais, Buritizal, Cajuru, Cristais Paulista, Franca, Ibirapuã, Jeriquara, Nuporanga, Patrocínio Paulista.

A imigração italiana

Estes italianos eram arregimentados por agentes de imigração que percorriam áreas carentes da Itália, como Vêneto, Lombardia, Calábria e Sicília. Esses intermediários agrupavam grandes contingentes de imigrantes, oferecendo-lhes passagens a preços subsidiados.

Foram atraídos por propaganda enganosa que dizia:

“Terras para os italianos no Brasil”

“Um país de oportunidades”

“O governo dá terra e ferramentas a todos.”

“Venha construir seu sonho com sua família”.

A principal necessidade era a substituição da mão-de-obra escrava para a produção agrícola que começava a explorar mercados internacionais. Eles contribuíram trazendo novas formas e técnicas de plantio.

Também introduziram o tomate e a couve na agricultura e alimentação dos brasileiros.

Na cidade de São Paulo, se estabeleceram nos bairros do Bixiga, Mooca, Brás e em São Caetano do Sul, onde formaram o que conhecemos hoje.

Para se ter uma ideia, em 1920, São Paulo (Capital) tinha uma população de aproximadamente 600 mil habitantes. Destes, 400 mil eram italianos ou descendentes, que representavam 90% dos trabalhadores em fábricas.

Foram eles que desenvolveram a nossa culinária com pratos inspirados e adaptados a realidade que aqui encontraram. Nasce assim, por exemplo o Filé a Parmegiana (invenção nacional em São Paulo).

Da massa total de imigrantes que vieram para o Brasil, entre 1870 a 1920, 42% foram Italianos vindos principalmente de 4 regiões da Itália (55% do total):

  • Veneto, principalmente: Treviso, Verona, Veneza, Padova, Vicenza, Rovigo;
  • Campania, principalmente: Napoli e Caserta;
  • Calábria, principalmente: Cosenza, Catanzaro;
  • Lombardia, principalmente: Milão, Mantova, Cremona e Bergamo.

A sua influência deixou marcas profundas, principalmente nos estados a seguir e a participação da população de italianos e descendentes:

  • Rio Grande do Sul: 30%;
  • Santa Catarina: 50%
  • Paraná: 40%;
  • São Paulo: 32%;
  • Rio de Janeiro: 4%;
  • Espírito Santo: 65%;
  • Minas Gerais: 7,5%.

E, é claro, todo o desenvolvimento vinícola por todo o país foi devido a esta gente que aqui veio, desenvolveu e enriqueceu a nossa cultura.

Nossa bela e querida cidade de Londrina teve uma grande afluência de Italianos e descendentes vindos do Interior de São Paulo, trazendo para cá toda a sua experiência e conhecimento para a cultura do café que nos transformou em pouco tempo na Capital Mundial do Café.

Um brinde a todos os italianos e seus descendentes.

Quer conhecer mais sobre os vinhos Italianos? Clique aqui.

Foto principal: Guilherme Gaensly/Fundação Patrimônio da Energia de São Paulo/Memorial do Imigrante

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

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