E a semana passou voando….

Arte- acervo pessoal

A semana passou VOANDO! Infelizmente, não consegui avisar do Bazar da Madre que aconteceu dia 8! Para os próximos já darei o recado, assim como algumas atividades tanto de feiras, apresentações e outras “cositas más”!

Continuando um pouco mais o assunto que está “bombando” nas páginas do Face e Insta, a respeito da presença da polícia, choque, helicópteros, etc na cidade, ostensivamente… Eu não sei qual sua opinião sobre isso e se quiser comente aqui, eu já dei a minha. Então vou só explanar melhor sobre centros de cultura, educação e artes na cidade.

Exposição no Sesc Cadeião em Londrina: um exemplo de centro cultural (acervo pessoal)

Quando falo que falta esses centros, você que talvez nunca tenha tido uma experiência como voluntário ou voluntária com crianças, adolescentes em situações de riscos pode não compreender exatamente o assunto!

Vamos lá! Não precisa de milhões para se ter um centro cultural. Em síntese, precisaríamos de um galpão, com janelas, bem iluminado, bem ventilado, com banheiros, uma cozinha e um almoxarifado.

Materiais de pintura, escultura, bordados, crochê, tricô e o que mais pudesse ser colocado, para as aulas!

Isso só para artes plásticas e artesanatos! 

Nesses centros, como teria a cozinha, podem ser implantados cursos de padaria, confeitaria e comida para o dia a dia!

Tanto a parte prática, quanto a parte lúdica e o processo de criação seriam colocados nesses centros!

Espaços como o corredor são utilizados para exposição de artes no Sesc Cadeião (acervo pessoal)

Às vezes, uma pessoa deixa tomates estragarem porque não sabe fazer molho com eles! Isso, aprendi dando aula no projeto no União da Vitória…uma coisa que para mim era básica, pois aprendi com 9 anos, não foi ensinado para dona Gel, que cuidava da alimentação das crianças no projeto e é até hoje minha melhor referência de uma mulher honrada, forte e de fé! Respeitadíssima no bairro!

De onde viriam os educadores? A maioria do próprio bairro!

Voluntários e voluntárias, alunos das universidades que serviriam de estagiários com os profissionais.

Porque em projetos assim,estagiários não poderiam dar aulas! Pela falta de experiência. Digo isso com propriedade.

Não é todo mundo que consegue ficar em bairros mais afastados do centrão. Muitas vezes por medo , por preconceitos…

E falando de voluntários e voluntárias, escolas pagas, estaduais, municipais, deveriam ter em seus currículos, uma vez por semana, alunos e alunas nesses projetos, fazendo sim uma interação social! Para que todos, todas e todes perceba .que somos da mesma cidade e somos todos “gente”! Quem sabe assim, com o tempo, muitas pessoas perdessem a arrogância e quem tem mais ajudaria em quem tem menos?

Conhecer a realidade faz um bem danado pra alma, a mudança no caráter é radical, na maioria das vezes para o bem.

Quantos “filhinhos de papai e mamãe” entram também para o crime ou se acham importantes demais, apenas porque não aprenderam que o dinheiro é para ser usado para o bem, para ajudar o próximo, que status só gera gente egoísta, sacana e que destrói o planeta e as pessoas.

Muita gente tem um vazio que não sabe preencher. Se essas pessoas soubessem que fazer o bem, doar seu tempo para os outros preenche, quem sabe veríamos menos absurdos por aí!

Como pessoas que gastam fortunas mudando seus corpos até ficarem irreconhecíveis, criando “modismos” idiotas, enquanto toda essa fortuna poderia servir para centros culturais, fundações culturais, museus, mais escolas que colocassem a arte e a filosofia como base, dinheiro que pagaria salas de danças, instrumentos musicais, materiais diversos e barracões de centros de cultura, salas de exposições, barracões próprios para feiras de artesanato e artes e por aí vai!

Meu sonho? Um projeto como a mansão do Caminho do Divaldo Franco, que existe na Bahia , em Salvador! Não sabe o que é? Assista o filme “Divaldo”… Independente da sua religião!

Outro sonho? Um “Inhotim” aqui em Londrina! Um parque cheio de flores, plantas, árvores, lagos e ARTE! Esculturas ao ar livre, barracões para exposições e outros para cursos livres para o público.

Temos tanto Inhotim como o Parque Lage no Rio de Janeiro como exemplos!

Posso citar também o Centro de Artes Pompidou, que logo estará em Foz do Iguaçu! Uma parceria da França com o Brasil! Outro exemplo? A Pinacoteca do Estado, que fica em São Paulo!

Em Curitiba, capital do Paraná, o Museu Niemeyer, conhecido como Museu do Olho, recebe visitantes do mundo inteiro.

É difícil? Buscar tudo isso, que já funciona, saber COMO funciona e colocar aqui em Londrina? 

Teatros que deem aulas tanto de dança, música, teatro para a população? 

Centros ao ar livre, para apresentações? 

No MON, arte ao ar livre (acervo pessoal)

Você vai me dizer que temos! Temos mesmo? Me fale, como está a Concha Acústica do Zerão, agora? E o teatro Zaqueu, e o Museu de Arte, e o Teatro Municipal, e o Jardim Botânico?

E o centro histórico? E os bairros em torno da cidade?

Você percebe que, com tudo isso, crianças e adolescentes e qualquer adulto teria como aprender? Haveria lugares e espetáculos para assistir? Sem falar nas óperas, nas orquestras – e desculpem! – gratuitos! Pois com todo o IPTU e taxas que pagamos aqui, temos esse direito! Ou se faz como nos grandes museus: preços diferentes, quem pode paga, quem não pode entra de graça! 

Daí vai dá consciência de cada um!

Como buscar patrocínios? Já falei! Busquem esses centros e saibam como eles funcionam! Afinal , a Scretaria de Cultura serve para que, senão também fazer toda essa parte burocrática?

Existem fundações pelo mundo a fora que têm verbas para quem apresente projetos concretos! Se você não sabia, está sabendo agora.

Isso não é ótimo? Não acaba com a ladainha do “Londrina não tem dinheiro para isso?”

Uma observação muito importante! Os primeiros artistas a estarem em todos esses lugares, com seus cursos e obras, teriam que sermos nós! E sim, eu me incluo, afinal são quase 40 anos de trabalho AQUI, e isso e pouco perto de amigos e colegas que estão em Londrina trabalhando arduamente pela cultura! 

Sem deixar de fora poesia, grafite, literatura, bandas do underground, maravilhosas, projetos que incluam todas, todes, todos.

Na parte do dia-a-dia, centros que dariam aulas técnicas desde cozinheiros, costureiras, sapateiros e profissões que não podem ser apagadas do mapa! Arte, cultura, meios de subsistência! 

Já existem! E bato hoje na mesma tecla! Londrina pode ser um dos maiores pólos culturais desse país!

E não esse esgoto a céu aberto, com polícia que precisa ser ostensiva, porque a criminalidade cresceu absurdamente nesses anos! Tirem a arte, a cultura, cursos técnicos, EJAS e você verá mais e mais policiais , porque teremos mais e mais bandidos!

Bom final de semana.

Fotos: acervo pessoal

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos. Instagram angela_dianarte

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

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