De quanta roupa você precisa?

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Por Ana Paula Barcellos

Ontem, enquanto arrastava uma sacola cheia de roupas para um brechó, me peguei pensando: de quanta roupa eu realmente preciso? A pergunta veio depois de ver, pela milésima vez, um post no Instagram de uma influenciadora fashion que adoro. Ela mostrava as “comprinhas” da semana: dois tênis novos, duas bolsas, algumas blusas. O closet dela? Um universo à parte. Calças, camisetas, saias, conjuntos, óculos de sol, bijuterias, cintos, sapatos, botas… é muito, muito tudo. E o mais impressionante? Ela nunca repete look no feed. Nunca.

Não é a primeira vez que vejo isso. Volta e meia, ela organiza vendas tipo Enjoei pra “desapegar” dos excessos, mas logo aparece com mais novidades. E não é só ela. As redes sociais são uma vitrine constante de consumo: “compre isso, compre aquilo, você precisa dessa tendência”. É exaustivo. E, pior, faz a gente questionar o próprio guarda-roupa, mesmo quando ele já tá mais do que suficiente.

De quanta roupa a gente precisa? Você precisa mesmo comprar todas as trends que as influenciadoras mostram?
Fotos: Freepik

Eu não sou imune a essa rodinha de rato. Mesmo repetindo looks e tendo bem menos coisas, confesso que já comprei por impulso, já me deixei levar por uma trend que vi no Insta. Mas ultimamente tenho sentido um cansaço disso tudo. Não é só sobre o dinheiro gasto, é sobre o espaço mental que esse ciclo ocupa. Sobre a culpa de saber que a indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, enquanto a gente continua enchendo o armário com peças que, às vezes, nem usamos tanto assim.

Levar aquela sacola pro brechó foi quase um ritual. Quero enxugar meu guarda-roupa, ficar só com o que realmente amo, o que uso de verdade e o que me ajuda a criar as produções que quero. Não é fácil. A tentação de comprar uma blusinha nova ou aquele sapato “perfeito” tá sempre ali, especialmente quando passo o dedo pela tela e vejo mil influenciadoras mostrando suas aquisições. Por isso, comecei a dar unfollow em várias delas. Não é pessoal, é sobrevivência. Esse bombardeio de “compre, compre, compre” inclusive, tende a deixar a gente mais ansiosa do que inspirada.

De quanta roupa a gente precisa mesmo?

Acho que tá na hora de repensar o guarda-roupa – não só o meu, mas o de todos nós. De quanta roupa a gente precisa, mesmo? Será que é possível ter um armário mais enxuto, versátil e alinhado com quem somos, sem ceder à pressão do consumismo? Acho que sim. Comecei olhando pras peças que já tenho: o que eu amo? O que eu uso até gastar? O que tá ali só ocupando espaço? E, principalmente, o que eu posso criar com o que já existe?

Sustentabilidade na moda não é só comprar de brechó ou apoiar marcas éticas (embora isso ajude). É também consumir menos, repetir mais, cuidar do que já temos. É se perguntar: “Eu preciso mesmo disso?”. E, quem sabe, descobrir que a resposta, na maioria das vezes, é não.

Então, me conta: de quanta roupa você precisa? E como anda sua relação com o consumo de moda? Porque, se tem uma coisa que aprendi, é que o primeiro passo pra sair dessa rodinha de rato é parar, respirar e olhar pro armário com novos olhos.

Foto principal: Garetsvisual/Freepik

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram Me siga no Instagram @experienciasdecabide @yopaulab

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