Por Telma Elorza
“Casei com minha primeira namorada, depois de 5 anos de namoro. Optamos por casar virgens, por questões religiosas e, portanto, não tivemos mais que beijos ardentes e amassos durante todo o namoro. Acontece que, agora, depois de três meses de casados, ainda não consegui fazer minha mulher ter prazer e se soltar no sexo. Eu a amo e desejo muito, mas ela bloqueia todas as tentativas de intimidade e só faz sexo comigo para ‘cumprir a obrigação de esposa’. O que posso fazer para ajudá-la a se soltar e curtir o sexo como uma coisa natural e gostosa?”
Amigo, primeiro de tudo: que bom que você está buscando entender e ajudar sua esposa — e não simplesmente cobrando algo que, no fundo, só pode nascer de desejo, e não de obrigação. Só isso já mostra que você se importa com ela de verdade. E o caminho começa por aí: com carinho, com escuta e com maturidade emocional.
Casar virgem, por escolha religiosa, é uma decisão respeitável, mas questionável, justamente por causa desses problemas. É importante entender que, junto com essa escolha, podem vir expectativas idealizadas e bloqueios emocionais muito profundos. O sexo, que deveria ser algo leve e natural entre duas pessoas que se amam, às vezes vira um campo de tensão, culpa e medo — especialmente pra mulheres que cresceram ouvindo que “sexo é errado” ou que “o corpo é fonte de pecado”. Isso é especialmente válido para mulheres que cresceram em ambientes onde o corpo feminino era vigiado, o prazer era tabu e o desejo, pecado.
Muitas ouviram desde pequenas que “mulher direita não faz tais coisas”, que “sexo é só depois do casamento e só para agradar o marido”, que “quem sente prazer é prostituta”. Outras foram ensinadas a ter vergonha do próprio corpo, a nunca se tocar, a não conhecer a própria anatomia. Reprimidas no mais profundo do seu ser, que é a sua sexualidade.
E aí, quando chega o casamento, esperam que essa mulher, que passou anos reprimindo o próprio desejo, de repente se transforme numa amante segura, à vontade, sensual — sem preparo emocional, sem autoconhecimento, sem conversa. Isso não é realista. E não é justo. O prazer feminino exige liberdade, conhecimento, intimidade e, principalmente, a quebra dessas amarras internas que foram plantadas por discursos religiosos ou morais que associam o sexo à culpa.
E quando, de repente, tudo isso que era proibido passa a ser “permitido” do dia pra noite, o corpo e a mente nem sempre fazem esse clique automático. Não é só ligar o interruptor e pronto. O prazer feminino é algo construído — e depende muito mais de segurança emocional do que de técnicas ou posições.
Então, vamos lá: o que você pode fazer para ajudá-la a se soltar para um sexo gostoso?
1. Converse. De verdade
Parece simples, mas muitos casais não falam abertamente sobre sexo. Pergunte como ela se sente, sem julgamento e sem pressão. Diga que quer que ela tenha prazer, que você está disposto a aprender junto com ela, e que isso não é sobre performance — é sobre os dois se descobrirem. E mais: pergunte sobre o que ela acredita sobre o sexo. Pode ser que ela tenha medos ou traumas escondidos, ou simplesmente esteja presa a ideias que nunca foram questionadas. Seja o ombro amigo, onde ela pode desabafar suas inseguranças, sem julgamentos.
2. Tragam o corpo pro centro da relação — sem foco direto no sexo
Às vezes, a melhor forma de destravar a intimidade é dessexualizar o momento por um tempo. Troquem massagens, carinhos sem pressa, banhos juntos, toques suaves, sem a obrigação de “ir até o fim”. Isso ajuda o corpo a se sentir seguro. É como reaprender a linguagem do toque e pode ajudá-la a se soltar e, principalmente, confiar em você.
3. Respeite os tempos dela, mas não se anule.
Respeitar não significa se calar. Diga o que você sente, também. Diga que sente falta de intimidade, que sente desejo, que tem vontade de ver ela sentindo prazer. Fale com amor, mas com verdade. O sexo não pode ser um fardo pra ela — mas também não pode ser um vazio pra você.
4. Considere buscar ajuda profissional.
Sério, terapia de casal ou sexoterapia pode fazer milagres. Às vezes, só uma profissional capacitada vai conseguir dar a ela ferramentas pra desconstruir certas ideias que estão travando o corpo e a mente. E não é sinal de fracasso procurar ajuda — é sinal de maturidade.
5. Lembre-se: prazer não nasce do dever.
Se ela sente que está ali “cumprindo um papel de esposa”, isso não vai gerar conexão, nem tesão, nem vínculo. O prazer precisa ser livre. Precisa ser escolha. E isso se constrói aos poucos, com confiança e paciência. Você não está competindo com o tempo ou com um manual. Você está construindo algo único — e isso leva tempo mesmo.
No fim, o sexo só é gostoso quando é bom pros dois. Quando vira obrigação, perde a graça, o encanto e a alma. Continue sendo esse homem que quer cuidar, que quer descobrir junto, que quer amar de verdade. E aí, aos poucos, o prazer dela vai chegar — não como um favor, mas como um presente que ela vai querer lhe dar, porque vai estar feliz por sentir também.
Não desista dela. Tem um mulherão ali, reprimido, querendo dar e receber amor. Mas é um processo longo – quebrar todos esses recalques incutidos nela – e é preciso ser persistente. E, no fim, você vai saber: valeu a pena esperar por isso.
Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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