Por Ana Paula Barcellos
Se tem uma coisa que a moda brasileira sabe fazer bem é surfar na onda da nostalgia. E o lançamento mais quente do momento prova isso: a coleção de camisetas da C&A inspirada em Britney Spears e nos maiores ícones dos anos 2000 está esgotando mais rápido que ingresso de show.
A gente já viu o movimento nas redes: stories lotados de gente caçando as peças nas lojas físicas, filas virtuais e aquele clássico “achei na C&A, mas só tinha PP”. As estampas? Impecáveis. São fotos icônicas das primeiras fases da princesa do pop – aquela Britney de …Baby One More Time ou da foto dela dançando com a cobra. Qualidade alta, cores vibrantes, corte que cai bem (do PP ao GG, quando ainda tem). Não é aquela estampa borrada de souvenir barato: é peça boa.
E o timing? Em março de 2026, Britney foi presa por dirigir sob influência de álcool (e possivelmente outras substâncias) na Califórnia. O caso explodiu na mídia mundial e, poucas semanas depois, em abril, a cantora optou por uma internação voluntária em clínica de reabilitação. De repente, o nome dela voltou a trending topic, os documentários antigos ressurgiram no streaming e o público – especialmente a Geração Y e a Z que redescobre o Y2K – reviveu todo o carinho pela “Britney de antigamente”. A saúde mental dela virou pauta séria, mas a nostalgia pela era dourada dos anos 2000 virou oportunidade de ouro.

C&A não foi a única a surfar no hype da Britney
E as marcas sabem disso. A C&A não foi a única a surfar no hype (a Renner também entrou no jogo com peças semelhantes), mas foi a que mais acertou no preço acessível e na distribuição nacional. Enquanto marcas de luxo cobram quatro dígitos por uma regata “inspirada em Britney”, a C&A entrega a vibe original por menos de R$ 90 (tem peças na faixa dos R$ 40 e poucos). É fast-fashion fazendo o que ele faz de melhor: democratizar a tendência e transformar um momento midiático em lucro imediato. Críticos podem chamar de oportunismo; fãs curtem e consomem.
O resultado? Prateleiras da C&A vazias em menos de uma semana. Tem modelo que, segundo relatos de quem foi à loja à noite, só sobrou tamanho PP.
Não é só sobre Britney. A coleção traz outros ícones da época – como as Spice Girls. É a prova de que a moda dos anos 2000 nunca morreu: só estava hibernando, esperando o próximo gatilho emocional (ou o próximo caso de Britney) para voltar com tudo.
Foto principal: Pop Facts
Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate.
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