Matthieu Blazy leva novo lançamento da Chanel pra rua

chanel-metiers-dart-2026-copyright-chanel-8-hd

Por Ana Paula Barcellos

A última coleção da Chanel, a Métiers d’Art 2026, que foi apresentada há alguns dias na plataforma desativada da estação Bowery (Nova York), é o segundo ato de Matthieu Blazy como diretor criativo da marca – e que ato! Após o debut bombástico em Paris para primavera/verão 2026, com um Grand Palais transformado em sistema solar e silhuetas que misturavam tweed clássico a jaquetas raw-edged, Blazy foi pro metrô. Literalmente.

O desfile, inspirado na visita de Coco Chanel a Nova York em 1931, transformou o subsolo urbano em passarela: modelos desfilaram entre colunas de azulejo, com looks que fundem o artesanato impecável da maison (incluindo bordados, plumas e joias) a um mix de épocas e estilos – dos anos 1920 aos dias de hoje.

Pense em bolsas 2.55 cheias de historia, como se tivessem acabado de sair de uma festa no Lower East Side, coordenadas com camisas oxford oversized e saias com penas, tudo a ver com o caos criativo do street style novaiorquino. Blazy não está só “aproximando” a Chanel da rua; ele cria um manifesto dizendo que o luxo de verdade nasce ali, no atrito do asfalto, onde o tweed herdado encontra o jeans surrado com saltos que pisam tranquilamente nas poças.

É uma virada de chave ousada para uma casa tão tradicional que, sob o comando de Karl Lagerfeld e Virginie Viard, até flertava vez ou outra com o cotidiano comum, mas sem tirar o pé do pedestal. Blazy, vindo da Bottega Veneta onde reinventava o jeans e trazia muito das cenas cotidianas das ruas italianas, joga com essa insolência urbana, uma espécie de antídoto ao luxo saturado. O timing? Perfeito: o buzz pós-show no Instagram e TikTok explodiu com editores e influenciadores recriando os looks em outros cenários reais, provando que a rua não é só inspiração – é o pulso que dita o que sobrevive, o que permanece.

Blazy e o laboratório das ruas

No fim das contas, a rua segue sendo a maior fonte de inspiração porque é o laboratório vivo da moda: ali, tendências não são impostas por relatórios ou sketchs intocáveis, mas testadas no corpo real, no clima imprevisível e no julgamento imediato dos olhares. Blazy sabe disso.

O street style, esse queridinho eterno, influencia semanas de moda porque democratiza o elitismo: o que vemos em Milão ou Nova York nasce nos posts de anônimos em Berlim ou São Paulo, onde um blazer Chanel faz par com sneakers sujos ou saia midi de brechó com correntes. É o melhor termômetro de trends porque mede aquilo que é duradouro – não o hype passageiro, mas o que se adapta à vida, ao corpo, ao humor do dia.

Matthieu Blazy, o diretor criativo da manson Chanel, deu uma virada de chave ousada na casa, levando a alta costura para o cotidiano

Nessa dança entre alta-costura e calçada, o que Blazy nos mostra é que a moda de rua não é só estética – é o reflexo de quem somos quando ninguém filma. Pós-pandemia, com inseguranças ainda à flor da pele, abraçamos o street style porque ele também permite conforto e vulnerabilidade sem tanta performance: é o blazer solto com camiseta velha e chinelo que diz “estou aqui, misturada no meio da multidão, mas ainda sou eu”.

Não deixa de ser um convite ao desapego – vá pela rua como se sentir bem, com o que conversa com você, sem culpa, e o mundo te acompanha.

Fotos: Chanel, Métiers d’Art 2026/Divulgação

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram @experienciasdecabide @yopaulab

Leia todas as colunas Em Alta

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse