Press start para recomeçar: games e saúde mental

0102 - CAPA

Por Robson Moretão

Saudações, galera! Aqui é o Robson Moretão, do blog “Além dos Controles”.

Hoje eu quero te convidar a uma reflexão que talvez você nunca tenha parado para fazer: quais são os benefícios psicológicos que os videogames podem trazer para pessoas que estão enfrentando a depressão? Será que jogar pode, de alguma forma, aliviar a dor invisível que tantas pessoas carregam? A ciência diz que sim — e a experiência de muitos jogadores também.

1. O controle nas mãos: quando o game ajuda a mente

Falar de depressão é falar de um peso diário: cansaço, falta de energia, desinteresse por coisas que antes traziam alegria. E é curioso perceber que, mesmo nesse cenário, milhões de pessoas encontram nos videogames um pequeno refúgio — não como fuga da realidade, mas como um espaço seguro onde a mente respira.

Não é novidade que o ato de jogar ativa recompensas cerebrais, estimula a concentração e cria micro-momentos de prazer. Mas estudos recentes mostram que, para pessoas com depressão, isso pode ser muito mais do que diversão: pode ser terapêutico.

Jogos como Animal Crossing, Minecraft, Pokémon ou RPGs em geral funcionam quase como jardins mentais. São lugares onde você constrói, cuida, evolui, conversa, interage. E, para quem está em um momento sombrio, ver progresso em algo — mesmo que virtual — já reacende um fio de esperança.

A sensação de conquista, mesmo pequena, é cientificamente ligada à regulação de humor. Até jogos rápidos, como puzzle games de celular, já mostraram capacidade de reduzir o afeto negativo no curto prazo. É aquele velho “deixa eu jogar só uma partidinha para relaxar”, só que em um nível mais profundo.

2. Mundos que acolhem: interação, pertencimento e autoconfiança

Outro ponto poderoso dos videogames é a socialização. Para quem luta contra a depressão, sentir-se só é quase uma constante. Mas dentro de um lobby multiplayer, de um clã, de um servidor ou até de um grupo de amigos no Discord, surgem conexões reais que podem aquecer o psicológico.

Não é apenas “jogar com outras pessoas”. É conversar, rir, compartilhar vitórias e frustrações, receber um “boa partida” ou “vamos de novo?”.

É pertencer.

A depressão muitas vezes faz a pessoa acreditar que não é boa o suficiente. Já um jogo te recompensa quando você aprende algo novo, supera uma fase, encontra uma estratégia. É uma forma simbólica de lembrar o jogador: “Você ainda é capaz.”

E existe também o poder dos Serious Games — jogos pensados especificamente para terapia, que simulam situações emocionais reais e ajudam o paciente, guiado por um psicólogo, a treinar decisões sem o risco do mundo real. É como um laboratório emocional, seguro e controlado.

Esse tipo de abordagem já é usado em diversos países e tem ganhado força porque combina tecnologia, psicologia e aprendizado prático.

Afinal, simular um conflito emocional com um personagem pode ser menos assustador do que vivê-lo diretamente.

3. Jogar para sentir, não para escapar: o equilíbrio que importa

Apesar de tudo isso, é importante reforçar: videogames não substituem tratamento. Eles funcionam como aliados — e aliados poderosos — quando acompanhados por profissionais.

O que a ciência mostra é que jogos podem ajudar a:

  • regular o humor;
  • reduzir pensamentos negativos repetitivos;
  • criar sensação de propósito e progresso;
  • estimular interações sociais;
  • treinar habilidades emocionais;
  • facilitar conversas durante sessões terapêuticas;
  • promover pequenas rotinas e disciplina.

E não é sobre “gamificar” a vida, mas sobre entender que, no meio do caos emocional, um controle na mão pode ser a fagulha de motivação que faltava para começar a melhorar.

Jogos são mundos, sim. Mas também podem ser pontes.

Pontes que conectam a pessoa a si mesma, aos outros, e ao que ela pode voltar a sentir com o tempo: alegria, curiosidade, entusiasmo, pertencimento.

E talvez esse seja o maior poder dos videogames: lembrar que, mesmo quando o mundo lá fora parece travado, sempre existe a opção de apertar Start e tentar outra vez.

Apesar de todos esses benefícios, é importante lembrar que o excesso nos videogames também pode trazer malefícios. Quando o jogo deixa de ser uma ferramenta de apoio e passa a substituir relacionamentos, responsabilidades ou cuidados básicos — como sono, alimentação e socialização —, ele pode ampliar o isolamento e agravar sintomas depressivos.

Como qualquer recurso terapêutico, games funcionam melhor quando usados com equilíbrio, intencionalidade e, sempre que possível, com orientação profissional. O problema não é jogar, mas transformar o jogo no único lugar onde se vive. O desafio é encontrar o ponto saudável entre o mundo real e o virtual.

E você — já viveu algum momento em que um jogo te ajudou emocionalmente?

Ou conhece alguém que encontrou nos games um respiro em meio à depressão?

Compartilhe nos comentários. Sua história pode ajudar alguém a perceber que não está jogando sozinho.

Foto principal: Envato

Robson Moretão

Games podem ajudar no tratamento da depressão. Há até Serious Games, jogos pensados especificamente para terapias

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.

Ah, e se quiser ficar por dentro das últimas novidades dos games e e-sports diariamente, cola comigo nas minhas redes sociais: TwitterTiktok, e Instagram

Leia todas as colunas sobre Games

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse