Por Robson Moretão
Robson Moretão aqui. Depois de mais de 20 anos acompanhando a evolução dos videogames, ainda existe algo fascinante em perceber como um esporte real consegue ganhar uma nova vida dentro de um controle. No caso de NBA 2K27, essa sensação continua forte. A produção da Visual Concepts mostra mais uma vez o quanto a tecnologia conseguiu aproximar o videogame da experiência de estar em uma quadra de basquete. Mas, ao mesmo tempo, o jogo também revela um problema cada vez mais comum na indústria: quando excelentes mecânicas precisam dividir espaço com estratégias agressivas de monetização.
A bola quica, os jogadores se movimentam e as jogadas acontecem com uma precisão impressionante. A sensação de construir uma jogada, chamar um bloqueio e encontrar um companheiro livre para a cesta continua sendo um dos grandes trunfos da franquia.
O desafio de dominar a quadra
A defesa também ganhou importância. Os recursos apresentados em NBA 2K27 tornam a marcação mais estratégica, enquanto o sistema de Takeover oferece recompensas para quem consegue manter boas atuações. O resultado é uma experiência que exige mais atenção do jogador e deixa claro que simplesmente correr para a cesta já não é suficiente.
NBA 2K27: Mais do que jogar, administrar

Fora das partidas, MyNBA continua sendo um dos grandes destaques. A possibilidade de administrar franquias em diferentes períodos da história da NBA, mexendo com negociações, contratos, elenco e decisões esportivas, mostra como os games de esporte deixaram de ser apenas simuladores de partidas.
Eles também podem funcionar como verdadeiros laboratórios de estratégia. O jogador passa a pensar não apenas em quem deve marcar a próxima cesta, mas também em planejamento, desenvolvimento de atletas e construção de uma equipe capaz de competir a longo prazo.
Uma carreira com altos e baixos
MyCareer, por outro lado, apresenta uma experiência mais irregular. A narrativa acompanha um jovem jogador que precisa reconstruir sua trajetória após um acidente e passar pela G League antes de chegar ao grande palco.
A ideia tem potencial para criar uma jornada pessoal interessante, mas algumas escolhas narrativas acabam prejudicando a sensação de estar vivendo a carreira de um único atleta. Em determinados momentos, a experiência parece mais preocupada em conduzir o jogador por diferentes sistemas do que em desenvolver uma história realmente marcante.
É justamente quando o jogador deixa a quadra que NBA 2K27 começa a mostrar sua outra face. The City funciona como um espaço social cheio de publicidade, conteúdos patrocinados e oportunidades de consumo.
O problema não está simplesmente na existência de itens pagos, mas na maneira como eles podem atravessar diferentes partes da experiência. Para muitos jogadores, a sensação é de que a fronteira entre jogar e consumir fica cada vez menos evidente.
O peso da moeda virtual

A utilização da moeda virtual VC é outro ponto sensível. Ela participa da evolução do personagem e também de outras possibilidades dentro do jogo.
Isso cria uma disputa curiosa: o jogador precisa decidir se seus recursos virtuais serão usados para melhorar habilidades, adquirir itens cosméticos ou investir em outras áreas. Para quem já pagou pelo jogo completo, essa sensação pode ser difícil de ignorar.
Quando o videogame ensina sobre escolhas
E aqui está uma aplicação que vai muito além do videogame. NBA 2K27 mostra como os produtos digitais são capazes de transformar atenção em moeda. Isso acontece também nas redes sociais, aplicativos e plataformas de streaming.
Aprender a identificar quando estamos fazendo uma escolha porque realmente queremos algo ou porque o sistema foi desenhado para estimular nosso consumo é uma habilidade importante no mundo conectado.
Uma partida com dois lados
No fim, NBA 2K27 funciona quase como uma partida decidida nos últimos segundos. De um lado, temos uma simulação esportiva tecnicamente impressionante, com profundidade, variedade e mecânicas capazes de prender o jogador por dezenas de horas.
Do outro, existem decisões comerciais que podem diminuir justamente a imersão que o jogo trabalhou tanto para construir.
Depois de desligar o console, fica uma pergunta que vale para qualquer gamer: estamos escolhendo como jogar ou, cada vez mais, aprendendo a jogar dentro das escolhas que alguém já fez por nós?
Robson Moretão

Um maluco por games desde a era dos pixels — e sem cura! 🎮 São mais de 30 anos nessa. Sou daqueles que piram em histórias incríveis, desafios que parecem impossíveis (mas não são) e gráficos realistas de hoje (que a gente nem acredita). Aqui na minha coluna, o papo é sobre a evolução dessa indústria insana e todos os rolês que vêm com ela, e as vezes games que mudam o cotidiano.
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Essas opiniões são minhas, viu? O LONDRINE̅NSE só deixa eu postar aqui. Se gostou, foi sorte deles. Se não gostou, foi coisa da minha cabeça. E as broncas estão tudo no meu CPF. Combinado?
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