Por Robson Moretão
E aí, galera do controle e do teclado! Robson Moretão aqui, no comando mais uma vez. Há mais de 20 anos fuçando em todo tipo de games, de fliperama a cloud gaming, e ainda me surpreendo com o poder que essa nossa paixão tem. E não é só sobre gráficos em 4K ou histórias épicas, não. É sobre algo muito mais profundo: transformar vidas. E é exatamente sobre isso que vou falar hoje, vindo direto de Goiânia, onde dois projetos estão dando um show de inclusão e usando os games como ferramenta de conexão real.
A linguagem secreta dos games
Vocês viram a notícia sobre os projetos “Jogar para Incluir” e “Game Terapia”, né? A iniciativa da AGES, junto com o projeto Atypical Guto e a Nitroxx Games, é, para ser direto, da hora demais. Mas eu quero ir além da simples divulgação. Quero mergulhar em um aspecto que esses projetos tocam e que é uma revolução silenciosa no mundo dos games: a inclusão de pessoas autistas.
Aqui vai a reflexão impactante que eu queria trazer: e se os games não forem apenas um passatempo para a comunidade autista, mas uma linguagem universal? Uma ferramenta poderosa de regulação sensorial e social que a sociedade, até agora, não foi capaz de proporcionar?
Na prática: como Goiânia está virando o jogo da inclusão
Pensa comigo. Muitas pessoas no espectro autista processam o mundo de uma maneira única. Estímulos sensoriais – luzes, sons, toques – que, para nós, são normais, para eles podem ser avassaladores. A socialização, com suas mil regras não escritas, pode ser um campo minado de ansiedade.
Agora, entra no universo dos games. Um mundo com regras claras, previsíveis e lógicas. Um ambiente onde a interação social pode ser controlada: você pode se comunicar por texto, por gestos no jogo ou simplesmente escolher quando quer interagir. O fone de ouvido pode cancelar o ruído excessivo do mundo real, enquanto as luzes e cores da tela se tornam um foco de atenção controlada, e não um bombardeio caótico.
O projeto “Jogar para Incluir” acerta em cheio ao entender isso. Não é só “deixar” crianças autistas jogarem. É mediar essa experiência, criar um ambiente seguro onde o jogo vira uma ponte. Um multiplayer cooperativo, por exemplo, não é só sobre derrotar um chefe. É sobre aprender a trabalhar em equipe, se comunicar de forma objetiva (“cura!”,“vamos pela direita!”) e celebrar uma vitória conjunta. São habilidades sociais sendo praticadas em um ambiente de baixa pressão e alta recompensa.
Do console ao hospital: o game como ferramenta de cura e alívio
É uma via de mão dupla benéfica. A comunidade autista ganha um espaço de pertencimento e desenvolvimento, e o mundo gamer como um todo fica mais rico. Estamos começando a ver mais jogos com opções de acessibilidade que vão de beyond dublagem e legenda. Opções para reduzir o ritmo do jogo, diminuir efeitos visuais pulsantes ou personalizar controles são um começo, mas sinalizam uma indústria mais consciente.
O “Game Terapia”, que levará consoles e alegria para o Hospital da Criança, é outro ponto brilhante. Um ambiente hospitalar é, por natureza, estressante. Um jogo pode ser uma fuga poderosa, uma forma de dar ao paciente um senso de controle e agência em um momento em que seu corpo não lhe dá nenhum. É remédio para a alma disfarçado de diversão.
Um nexus de possibilidades: o que podemos aprender com isso?
O que está rolando em Goiânia é, portanto, muito mais do que um eventozinho legal. É a ponta de um iceberg de potencial. Esses projetos são a prova prática de que os games são uma ferramenta de inclusão social poderosa e subutilizada. Eles mostram que, quando usamos a linguagem universal do jogo, quebramos barreiras que pareciam intransponíveis.
É um lembrete para todos nós, jogadores. Nossa comunidade é vasta e diversa. Celebrar iniciativas como essas é fortalecer o que há de melhor nos games: o poder de unir pessoas, independentemente de como elas experienciam o mundo.
Fica de olho no trabalho da AGES, galera. Isso é jogo de verdade.
Projeto “Jogar para Incluir”
Data: 8 de outubro de 2025
Local: Nitroxx Games, Goiânia – GO
Inscrições: Abertas para pessoas neurodivergentes (foco em autistas)
Info: @ages.goias no Instagram
Projeto “Game Terapia”
Data: 15 de outubro de 2025
Local: Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad)
Info: @ages.goias no Instagram
Robson Moretão, desplugando por hoje. Até a próxima, e não esqueçam: game é pra todo mundo.
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
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