Aliens: Fireteam Elite 2 acerta na ação, mas perde o medo

CAPA (3)

Por Robson Moretão

Quando um jogo baseado em Alien coloca o jogador diante de dezenas de Xenomorfos, existe uma pergunta inevitável: ainda dá para sentir medo? Eu sou Robson Moretão e, como alguém que acompanha a evolução dos videogames há décadas, vejo Aliens: Fireteam Elite 2 como uma experiência curiosa justamente por caminhar entre dois mundos: o horror claustrofóbico da franquia e a ação desenfreada dos shooters cooperativos.

A sequência mantém a perspectiva em terceira pessoa e aposta novamente em missões nas quais avançar significa enfrentar ondas cada vez mais agressivas de inimigos. A grande mudança estrutural está no esquadrão, que agora comporta quatro jogadores. Parece apenas um detalhe, mas altera bastante a dinâmica das partidas e aproxima ainda mais a experiência de uma sessão tradicional de multiplayer cooperativo.

Mais jogadores, mais possibilidades no campo de batalha

Aliens: Fireteam Elite 2 traz uma experiência curiosa: um horror claustrofóbico com uma ação desenfreada dos shooters cooperativos
Imagens: Divulgação

Com quatro integrantes, as funções de Aliens: Fireteam Elite 2 podem ser distribuídas de maneira mais eficiente e as possibilidades de combinação entre classes aumentam. A nova classe Specialist amplia essa liberdade ao permitir diferentes combinações de habilidades e equipamentos.

É aí que Aliens: Fireteam Elite 2 encontra uma de suas melhores características. Cada integrante possui ferramentas próprias, e montar uma equipe equilibrada deixa de ser apenas uma questão estética. Enquanto um jogador pode assumir uma função mais ofensiva, outro pode controlar áreas, oferecer suporte ou lidar com ameaças específicas.

Na prática, isso transforma cada missão em uma espécie de quebra-cabeça de combate. Não basta correr para o próximo objetivo apertando o gatilho. Quando os Xenomorfos começam a surgir de diferentes direções, posicionamento, comunicação e gerenciamento dos recursos passam a fazer diferença.

A ação Aliens: Fireteam Elite 2 funciona, mas a fórmula cobra seu preço

O problema é que Aliens: Fireteam Elite 2 também demonstra dificuldade para escapar da fórmula estabelecida pelo antecessor. Atirar, avançar, defender uma posição, enfrentar uma nova onda e repetir o processo continua sendo o coração da experiência.

O tiroteio é funcional e divertido, especialmente quando a equipe consegue coordenar suas habilidades. Porém, depois de algumas horas, a estrutura pode se tornar previsível para quem espera uma evolução mais profunda na campanha ou na variedade dos objetivos.

Essa repetição é particularmente perceptível porque a franquia Alien possui um enorme potencial narrativo. Existem diferentes maneiras de explorar o universo criado pelo cinema, seja através do suspense, da sobrevivência ou mesmo da exploração de ambientes abandonados.

Quando o Xenomorfo deixa de assustar

Essa questão também interfere na maneira como a franquia Alien é representada. O Xenomorfo sempre foi uma criatura associada ao desconhecido, à vulnerabilidade e à sensação de que qualquer corredor poderia esconder uma ameaça mortal.

Aqui, entretanto, ele aparece em quantidade suficiente para deixar de ser exclusivamente uma criatura assustadora e assumir o papel de inimigo recorrente de um shooter. É uma escolha coerente com a proposta, mas que naturalmente diminui parte do impacto psicológico que a criatura possui em outras experiências.

Isso não significa que o jogo seja ruim. Pelo contrário. Para quem gosta de reunir amigos e enfrentar campanhas cooperativas, existe uma boa dose de diversão. A possibilidade de desenvolver personagens, experimentar equipamentos e testar diferentes combinações mantém o interesse, principalmente quando o grupo consegue trabalhar como uma verdadeira unidade.

O que os games ensinam quando a tela é desligada

Existe ainda uma lição interessante nisso que ultrapassa a tela. Em partidas cooperativas, o jogador que tenta resolver tudo sozinho normalmente acaba comprometendo o grupo.

A lógica é parecida com situações reais: conhecimento, recursos e habilidades individuais têm muito mais valor quando são compartilhados. Tecnologia pode oferecer ferramentas poderosas, mas nenhuma delas substitui completamente comunicação, confiança e tomada de decisão.

Fireteam Elite 2 funciona melhor quando entendemos sua proposta. Ele não pretende ser uma nova versão de Alien: Isolation. Seu objetivo é entregar ação cooperativa dentro de um dos universos de ficção científica mais reconhecidos da cultura pop.

Quando aceitamos essa escolha, seus pontos fortes ficam mais evidentes — e suas limitações também.

No fim, fica uma provocação que vale tanto para o jogo quanto para a própria evolução dos videogames: quando transformamos aquilo que deveria nos assustar em algo que eliminamos aos milhares, será que ainda estamos enfrentando o monstro ou apenas repetindo mais uma missão no mapa?

Foto principal: imagem gerada por IA

Robson Moretão
Um game para aprender Física? O jogo "Katarina no Mundo da Eletricidade", desenvolvido na Universidade Federal de Alagoas, mostra que sim, é possível

Um maluco por games desde a era dos pixels — e sem cura! 🎮 São mais de 30 anos nessa. Sou daqueles que piram em histórias incríveis, desafios que parecem impossíveis (mas não são) e gráficos realistas de hoje (que a gente nem acredita). Aqui na minha coluna, o papo é sobre a evolução dessa indústria insana e todos os rolês que vêm com ela, e as vezes games que mudam o cotidiano.

Quer novidade de games todo santo dia? Cola comigo no TikTok Instagram e Spotify.

Essas opiniões são minhas, viu? O LONDRINE̅NSE só deixa eu postar aqui. Se gostou, foi sorte deles. Se não gostou, foi coisa da minha cabeça. E as broncas estão tudo no meu CPF. Combinado?

LEIA TODAS AS COLUNAS SOBRE GAMES

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse