Por Ana Paula Barcellos
Vamos falar de creches? É incrível como as promessas de campanha do nosso atual prefeito, não cumpridas, vão virando poeira ao vento. As promessas, tão bonitas em campanhas eleitorais e esquecidas no calor do mandato. Entre as tantas bandeiras levantadas, uma traz especial indignação: a promessa de zerar a fila das creches, um compromisso que o atual prefeito fez falando mais forte.
Em 2024, a defasagem anunciada era de 2.600 vagas em creches, um número que já denunciava um problema crônico. Pois o que vemos hoje, após nove meses de gestão, é um quadro ainda mais desolador: 4.500 vagas a menos do que o necessário. A matemática da negligência é cruel. Enquanto pais se desdobram entre trabalho e a busca por um lugar para seus filhos, a fila cresce, e as crianças pagam o preço de um planejamento que não vingou. Na última quinta-feira, a vereadora Paula Vicente, em um vídeo que circula nas redes, mostrou trechos do plano de governo, um documento que hoje não passa de obra de ficção. “Quem acaba com a fila das creches?”, pergunta ela, com um misto de indignação e apelo. A resposta, infelizmente, ainda não veio.
Sem creches, sem direitos básicos

Essa não é apenas uma questão de números. É sobre o cuidado, a educação, o futuro. Crianças sem creches são crianças privadas de um direito básico, que estão crescendo sem a devida assistência. Mães e pais, muitas vezes forçados a escolher entre o sustento da família e a atenção aos filhos, carregam um peso que não deveria ser deles. O plano prometia resolver, mas o que se vê é uma defasagem que salta de 2.600 para 4.500 em menos de um ano. Onde está a vontade política? Onde está a ação que deveria acompanhar as palavras tão bonitas da campanha?
A educação infantil é o alicerce de uma sociedade, e negligenciá-la é minar as bases de um amanhã mais justo. A atual administração parece ter trocado prioridades por discursos, e o resultado está nas ruas: famílias desamparadas, creches lotadas e uma fila que só cresce – e nem sinal de aparecer uma solução. Será que alguém se importa?
Enquanto o prefeito e sua equipe navegam esse mar poeirento de promessas não cumpridas, cabe a nós como sociedade cobrar, fiscalizar, exigir. A fila das creches é mais do que um número: é um espelho da nossa capacidade de cuidar uns dos outros. E é, sim, preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.
Ana Paula Barcellos

É graduada em História pela UEL, Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural.
Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga o Instagram @yopaulab
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