Por Telma Elorza
“Quando me mudei para esta cidade, a primeira pessoa que conheci foi meu namorado. Estamos juntos há um ano e meio e há seis meses, decidimos morar juntos. Mas meu namorado, assim que nos acomodamos em meu apartamento, mudou. Pediu demissão do trabalho com a justificativa que iria encontrar algo melhor, que pagasse mais e, desde então, eu venho sustentando a casa sozinha. Ele não se mexe, fica jogando videogame o dia inteiro. E quando reclamo, ele apenas diz que o mercado está difícil e que é para eu ter paciência. Não tenho muitos amigos íntimos e minha família mora longe. Não sei o que fazer, não quero perdê-lo, mas não estou confortável com esta situação”.
Amiga, vamos falar sério: o que você tem aí não é um namorado, não é um parceiro. Ele é apenas um encosto. Você entrou num relacionamento, mas acabou virando a provedora oficial de um adulto preguiçoso e aproveitador, que acha que você não faz mais que sua obrigação em sustentá-lo.
Observe bem como ele fez: conquistou sua confiança quando você estava se ambientando em uma cidade desconhecida, lançou a proposta de morarem juntos, pediu demissão assim que se viu instalado – alegando que iria arrumar algo melhor e, seis meses depois, continua no sofá, controlinho do game na mão, enquanto você banca aluguel, contas, comida, lazer e ainda deve fazer todo o serviço de casa sozinha, né? E se reclama, cobra uma atitude, ainda deve aguentar cara feia, né? Isso não é azar no amor, isso é golpe.
E sabe o que é mais cruel? Seu namorado deve ter percebido que você está com medo de ficar sozinha e usa isso para manipulá-la. Se fosse só “mercado difícil”, ele estaria correndo atrás, mandando currículo, fazendo cursos de aprimoramento para melhor as chances, tentando se virar. Mas não, amiga. O cara escolheu viver às suas custas e ainda exige paciência. Paciênci é o que a gente tem com criança, aprendendo as coisas. Não com um marmanjo que se recusa a trabalhar.
Você diz que não quer perdê-lo. Mas vai perder exatamente o quê? O privilégio de bancar um homem adulto que não lava nem as próprias cuecas? Ou o prazer de chegar cansada do trabalho e encontrar o namorado no sofá, jogando como se a vida fosse um campeonato de videogame? Pior, com casa bagunçada para você arrumar, como se fosse uma empregada dele?
Pensa comigo: e se fosse o contrário? Você desempregada há seis meses, sem perspectiva, sem esforço. Seu namorado estaria ali bancando a casa com um sorriso no rosto? Duvido. Provavelmente já teria jogado na sua cara que você é um peso morto e que ele não tem obrigação de sustentá-la.
Namorado não. Parasita
Você não tem um namorado. Tem um parasita. E parasitas não melhoram com o tempo, nem com conversas fofas. Eles só dão um jeito na própria vida quando perdem os hospedeiros.
Então, se liga no que vou falar: VOCÊ NÃO PRECISA DELE. Você há provou que dá conta da vida sozinha. Está sustentando casa, pagando contas e ainda tentanto salvar uma relação que só existe porque você insiste. A solidão que você teme já está acontecendo, você só não enxergou isso ainda porque tem um corpo inútil ocupando espaço na sua casa.
Meu conselho? Dê um prazo curtíssimo para ele dar um jeito na vida dele. E, se o namorado não se mexer, chute para fora. E não adianta esperar “mudanças”, porque homem que se acomoda nessa nível, não levanta do sofá por amor. Só levanta quando sente que a mamata acabou.
Ou ele age ou rua. Você merece um parceiro, não um filho de 30 anos que ainda acredita em fada do emprego dos sonhos. O amor próprio é que vai lher salvar, porque amor mal distribuido só serve para afundar a gente. Pare de perder tempo e dinheiro com esse encosto. Fique livre para encontrar alguém melhor, como você merece. Um novo namorado adulto funcional e não um parasita.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
Siga O LONDRINE̅NSE no Instagram
Leia mais colunas do Consultório Sentimental da Tia Telma
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

Uma resposta
O fato de você estar longe da sua família é um fator complicador, pode gerar uma certa carência, mas não deveria se apegar assim a alguém, que aparetemente não tem responsabilidade. Você não disse sua idade mas deve ser jovem (não é defeito), entenda que não deve se contentar com migalhas.