Por Suzi Bońfím
Passear pelo Jardim Botânico de Londrina exige muito cuidado e atenção. A falta de manutenção e o abandono de boa parte da estrutura representa um risco para os visitantes diante de algumas “armadilhas” espalhadas pela área total de 97 hectares. À primeira vista, caminhar nas trilhas e fazer um piquenique no gramado, áreas que estão em boas condições – para os mais desavisados – pode ser o suficiente para usufruir o espaço aberto para o público desde de 17 de dezembro de 2013. Afinal, o Jardim Botânico é apontado como uma das principais atrações turísticas da cidade.
Basta olhar para as estufas instaladas no parque para ver o descaso com o dinheiro público.

O mato está tomando conta das estufas projetadas para o cultivo de bromélias epífitas, orquídeas e outras espécies exóticas aclimatadas em ambientes especiais, conforme informação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema). A estrutura de madeira e vidro se destaca no cenário nestes dias de céu azul e calor escaldante.
Na frente das estufas, em uma calçada, existem vários buracos com tampas de alumínio perfuradas que estão se soltando. Não há nenhuma sinalização, bloqueio ou aviso para que os visitantes não se aproximem.

Logo adiante, a ponte de madeira sobre um dos lagos está interditada com cones dos dois lados. É possível perceber que o material está apodrecendo, mas não há nenhum alerta para que as pessoas não se arrisquem a passar por ali.

No lago, os espelhos d’água formados a partir das nascentes do Córrego Andorinhas estão quase secos e sendo tomados pelo mato. Com a interdição da ponte para se chegar até onde estão as estufas é preciso caminhar pela margem direita num terreno desnivelado. A Sema informa que há duas opções de trilhas no Jardim Botânico Trilha – leve e moderada – para caminhada, contemplação e educação ambiental com mata nativa e nascentes de rios.

Porém, não há indicação sobre o trajeto e distância da trilha para que o visitante possa escolher. No dia em que estive no local, o Centro de visitantes – que é voltado à educação ambiental e tem equipamentos de audiovisual sobre o histórico ambiental regional – estava fechado.
É frustrante ver que o Jardim Botânico não corresponde ao projeto inicial e a manutenção se resume à limpeza da área, grama aparada e segurança. Isso é essencial, mas é muito pouco diante do potencial de lazer e de educação ambiental que Londrina merece, principalmente em tempos de mudanças climáticas. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná – Simepar, a cidade vai continuar com altas temperaturas durante o resto do mês de fevereiro. A previsão é um calorão entre 30 e 35 graus.
Responsabilidade do Poder Público para com o Jardim Botânico
A página do Programa de Parcerias do Paraná – PAR diz que o parque criado por meio do Decreto nº 6.184, de 8 de março de 2006, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), é “um dos mais belos pontos turísticos de Londrina e uma das maiores unidades de pesquisa e conservação de espécies nativas e exóticas do Paraná”.
Relata ainda que a estrutura do parque conta “com lagos, estufas, trilhas e pistas de caminhada” e são grandes atrativos do lugar. Informa também que a parceria com a iniciativa privada na gestão do Jardim Botânico de Londrina, “ além de fomentar a atividade turística de maneira sustentável com incremento da oferta de bens e serviços, garantirá a conservação e manutenção da área”.
De acordo com a página do PAR o processo de revitalização do Jardim Botânico é estimada pelo Instituto Água e Terra (IAT) em R$ 1,4 milhão. Enquanto nada acontece, ir ao Jardim Botânico de Londrina provoca um misto de indignação e tristeza ao ver que a maior parte do que se propaga não existe, o que foi feito está inacabado e se deteriorando e a falta de manutenção pode causar acidentes aos visitantes mais desavisados que tentam aproveitar o mínimo que o Jardim Botânico oferece.
É inadmissível ver um potencial de lazer e turismo ser desperdiçado desta forma e o pior, o dinheiro público já investido ali sendo carcomido pelo tempo. A indignação é ainda maior quando dizem que o responsável pelo Jardim Botânico é do Governo do Estado, assim como há outros prédios públicos em Londrina abandonados que são do Governo Federal.
Como contribuinte, cumpro o meu dever pagando impostos e pouco me interessa se cabe à prefeitura de Londrina, governo estadual ou à União garantir a funcionalidade e eficiência do serviço público.
Quero ter o prazer de ir ao Jardim Botânico e ver concretizado o que está no projeto: lugar de proteção e cultivo de espécies silvestres raras, ameaçadas de extinção, ou econômica e ecologicamente importantes para a restauração e reabilitação de ecossistemas. Com a palavra os gestores públicos.
*as diversas ligações telefônicas feitas ao Jardim Botânico não foram atendidas.
Fotos: Suzi Bońfím e Eloísa Bonfim
Suzi Bońfím

Jornalista, formada na UEL, por quase 30 anos morou em Cuiabá -MT. De volta a Londrina-PR, vive a fase R de reencontros e renovação, respirando novos ares. Escreve sobre o que acredita por um mundo melhor. Instagram @suzi.bonfim
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Respostas de 2
Era para ser um ponto movimentado, tanto quanto o Lago Igapó no centro, eu e minha esposa fomos logo no início, recém inaugurado… vitórias-régias no lago, era bem promissor.
Infelizmente, uma promessa que não se cumpriu até o momento. Vamos cobrar das autoridades.