Por Ângela Diana
Já fiz uma coluna, há anos, sobre a diferença de colecionadores e acumuladores. Existe uma linha bem tênue às vezes, entre coleções e acumulação…
O colecionador (para relembrar) busca peças ou obras de arte, escolhendo a dedo, guardando e, muitas vezes, classificando suas coleções! Você pode ser um colecionador de canecas, carrinhos, roupas vintage, bijoux, jóias, esculturas, quadros, desenhos… É infinito!

Eu, por exemplo, tenho coleções de latas, canecas e anjos. Comecei há anos uma coleção de acessórios com figuras de anjos e beija-flores, mas os ladrões levaram…
E, aqui, venho falar especificamente de coleções de bijoux. Talvez eu entre um pouco na área da Ana Paula ( da coluna Moda), mas não é segredo para ninguém que trabalhamos juntas muitas vezes, pois a paixão pelos acessórios é a mesma!
Eu e Rogério (DNA do Rock) consertamos bijous… Aprendi com ele e o trabalho de arte me ajuda muito. Por quê? Porque várias vezes consertamos peças de coleções de algumas clientes, então ou refaço o modelo (o que não é fácil quando a peça vem toda desmontada) ou temos que mudar totalmente o modelo, para adaptar às medidas das clientes.

Sim! MEDIDAS! O que muita gente não imagina é que quando você coleciona bijoux, com o tempo você pode engordar, emagrecer, o corpo muda o tempo todo e os materiais também. No caso das bijoux, um milímetro já dá uma diferença enorme!
Um bom silicone por exemplo, dura no máximo 4 anos sem arrebentar, depois ele tem que ser trocado. Peças que são de fundição podem ser bem pesadas ou as misturas que se faziam antigamente traziam aquelas peças escuras que tinham cobre e elas azinhabram, o que é perigoso para a saúde (peças de cobre de qualidade vem com verniz especial), cordões de couro tendem a se quebrar, peças de plástico riscam e mesmo um acrílico especial precisa de manutenção…

Para quem tem pérolas de água doce e não dão a mínima importância, saiba que as pérolas não são bijoux, são verdadeiras. Claro que valem muito menos que as cultivadas em água salgada, mas precisam ser mantidas envoltas em papel de seda branco, guardadas no escuro e serem usadas. Elas precisam do contato com a pele para não morrerem.
Para quem tem aquela peças que a Ana e eu chamamos de “joiudas”, que parecem jóias e são banhadas com metais nobres e com zircônias (cristais feitos especialmente para parecerem diamantes, ou seja são pra as bijoux banhadas a mesma coisa que pedras preciosas são para as jóias de verdade), precisam ser guardadas em saquinhos individuais ou caixas, separados e longe da luz do sol.
Perfume, detergente, cremes são os inimigos de qualquer bijou!
TUDO que não é ouro e prata é bijouteria! Que isso fique bem claro! Rose Benedetti, quando deu uma entrevista para Ana que foi para coluna, já nos disse isso.
Tudo o que não é jóia, é BIJOUTERIA.
Chamar de “semijoias” é apenas uma forma de vender melhor ou classificar um tipo de peça.
Porque colecionar bijouterias? Porque existem milhares de modelos, de design diferentes, matérias diferentes, grandes , pequenas, extravagantes, as do “dia a dia”, as “clássicas” ou as “classudas”.
E claro! As que fazem parte de épocas da nossa vida, como os brincos de borracha, geométricos dos anos 80…
As bijoux marcam época, contam histórias, vieram com a maravilhosa Channel! Que queria trazer para mulheres comuns, ou seja, as que não tem fortunas para jóias, poderem se beneficiar de um acessório que empodera!
As pérolas de vidro e a camélia já fazem parte do imaginário da marca Channel.
Artistas plásticos também desenharam para grandes estilista! Juan Miró foi um deles! Só que no caso, ele fez jóias! Que com certeza triplicou o preço pelo design exclusivo do mestre.
Duas ourives que gosto muito (falando de jóias), que tem peças autorias, são a Tati Brenzam e a Isabelle Garib.
Artistas que fazem peças de alumínio, com design também autoral, são a Deisy Favoreto e Marines Zanatta.

Coleções que representam, não que acumulem
Algumas dicas para quem coleciona: busque por peças que lhe representem, saiba que nem todas vão durar e limpe as peças com sabão de côco líquido, deixando secar bem e guardando longe da luz solar.
Pasta de dente branca também está valendo: passe a pasta pura, deixe por alguns minutos, lave com uma escova de dentes macia ou cotonete, enxague e seque bem.
Seja sincero ou sincera consigo mesma: não guarde peças apenas por guardar, se a peça não tem apelo emocional, doe, venda, mas não acumule.
O acumulador guarda qualquer coisa. Uma das clássicas de acumulador é misturar reciclado e papel, por exemplo, com documentos importantes, ou bijoux quebradas, peças que não servem para nada com peças boas…Isso é o mínimo! A mistura, o aspecto caótico do acumulador é a mesma coisa que vício em drogas. Pense nisso. Se você se enxergou aqui como acumulador ou acumuladora, busque ajuda.
Existem grupos de apoio e ajuda psicológica sim! Pois é um transtorno mental e é sério!
Ainda é impossível para mim falar de bijoux e não lembrar do assalto que sofremos ano passado… Levaram bijouterias, não temos e não teremos nunca jóias! Jóias são para pessoas que tem muito dinheiro e que tem seguranças para cuidar disso .
Não moram em bairros como o meu. Pessoas ricas ou milionárias moram em casas enormes ou apartamentos gigantescos e bairros notoriamente que todos conhecem na cidade.

É engraçado que minha mãe sempre seguiu um lema na vida, que o estudo é a maior herança que pais podem deixar para os filhos… E é mesmo..levaram nossas peças, compradas com suor do trabalho, peças para montagem e algumas bijoux que ficaram ainda do tempo da loja, mas não levaram nossa capacidade de trabalho, o que aprendemos com o tempo, com os cursos, com a experiência.
Isso é “nosso” de verdade!
Fiquei um tanto quanto traumatizada e não trabalhamos mais vendendo, mesmo porque o que tínhamos em investimento estavam nas peças que se foram e será bem difícil comprar nesse momento .
Mas ainda estamos nos consertos! Fica a outra dica ![]()
Ah! Reveja suas bijoux, experimente, analise, faça uma limpeza! Veja com que roupa fica bem, o que lhe representa ainda, não compre em lojas que vendem por “quilo”! Procure as peças legais, as boas, que duram!
O que aprendemos é que o diferentão era a melhor coisa! Peças atemporais, que são feitas com uma tiragem pequena, peças artesanais feitas à mão, que levam a marca do artesão, do designer.
Peças mais delicadas ou para o dia a dia, que tem um banho de metal e uma liga que duram, que são hipoalergênicas…
Peças de família, que merecem uma repaginada ou serem usadas, sim! No dia a dia, por que não?
Não sigam modinhas, a fast “moda” de bijouterias.
E se você for do tipo que usa uma vez e descarta, busque ao menos peças melhores que você pode vender nos brechós e ela entra no rol do círculo sustentável!

Ufa! Para mim, aprender e ensinar a fazer montagem e consertos fazem parte do meu “metiê” como artista! Os princípios usados são os mesmos: cor, forma, textura, estrutura.
Use o que lhe representa e, claro, siga a coluna da nossa amiga Ana Paula! Com tendências, histórias da moda e claro! Acessórios!
Lembrete para a vida! Quem desenhou as primeiras jóias da humanidade e continua a fazer isso, jóias ou bijoux são os(as) artistas! Mesmo que hoje em dia o nome seja “designers”!
Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Instagram angela_dianarte
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