Por Ana Paula Barcellos
Rose Benedetti é a referência máxima na criação e comércio de bijuterias de luxo no Brasil. Se você nasceu de 1998 pra cá, talvez não conheça tão bem essa referência – mas quem nasceu dali pra trás e é fã de acessórios e bijus sabe muito bem de quem se trata.
Representante (a única) das bijuterias de luxo da grife Yves Saint Laurent no Brasil de 1975 a 1990, foi ela quem começou a primeira marca de bijuterias finas no país – isso em uma época em que as únicas peças disponíveis eram as bijuterias baratas vendidas nos grandes magazines. Inspirada por Chanel, que como a própria Rose pontua, colocou a bijuteria de luxo no lugar que ela merece, começou a criar peças interessantes, bonitas de verdade e com boa qualidade. O que começou como hobby, virou o negócio de toda uma vida.

Mais de 40 anos depois de lançar suas primeiras montagens, sua marca segue lançando novidades, fazendo um trabalho autoral e de altíssima qualidade. A coleção da vez (pensada para o verão 21/22) se chama Citron (nome de uma cidade do sul da Itália) e é inspirada no verão italiano. A coleção é repleta de “bijuterias grandes, que chamam atenção (como as dos anos 1980)”, com limões sicilianos pintados à mão e coordenados com detalhes de cores vibrantes e frescas.

Em entrevista para a coluna, a designer disse que novas ideias surgem o tempo todo, e que todas as coleções são inspiradas em suas vivências. A próxima, inclusive, já está sendo pensada e se chamará Ópera. A inspiração? As récitas que Rose assistiu no MET, em Nova York.

Além de perguntar sobre a coleção atual (que a gente adorou), quisemos saber mais sobre ela, suas peças preferidas e seus planos para o futuro da marca. A gente é fã e queria perguntar tudo, né?
Ela conta: “Usei muita biju a vida inteira. Sempre usei brinco grande, colar grande – sou mínima, tenho 1,50m. Hoje uso menor. Mas não sei sair sem brinco e sem colar. Já aconteceu de sair, entrar no elevador e voltar porque estava sem, me sinto nua!”.
Sobre os planos para a marca, adianta que pretende lançar coleções mais enxutas, limitadas. “O mercado está pequeno, exigente. Quero fazer menor e cada vez melhor”. Já em relação à produção de bijuterias finas no país, é enfática: “Vai mal pra burro. Não se pesquisa [para produção], não se pensa no conceito. Não melhorou nada com o passar dos anos, só piorou”.

E as histórias? Perguntei sobre a parceria com Clodovil (sou da década de 1980, né gente?), que foi seu estilista. “Conheci o Clodovil com 15 anos, estava com minha mãe, que amou as coisas dele”, conta. “A partir daí eu só vestia Clodovil. As modelos dele tinham 1,70m e eu 1,50m, então ele adaptou as roupas pra mim. Quando me casei ele fez meu vestido! Ele sabia de cor meu jeito, então ele quem decidia as cores, tudo, eu não interferia.”
“Não sei se você sabe”, ela continua: “a primeira pessoa que desfilou minhas peças foi o Clodovil! Eu queria morrer, eu que fazia as peças, com nylon, aquela coisa… achei que ia arrebentar tudo”, ri. “No dia, estavam presentes a Constanza Pascolato e a Fernanda de Barros (Editora Abril), que viram e gostaram, descobriram que eu era a Rose Benedetti. Aí foi pra revista, vendi pra burro, tive que abrir uma empresa… e foi assim!”.

Ângela ainda voltou pra perguntar sobre sua coleção icônica de bijuterias Yves Saint Laurent. “Das 400 peças que tinha, vendi algumas para o museu YSL de Marrakesh, outras para o museu YSL de Paris. Fiquei com 250 peças”.
Quem quiser conhecer mais sobre a historia da Rose Benedetti, sua parceria com YSL (e conhecer a coleção), sua influência no cenário nacional das bijuterias de luxo, só dar um Google. Ela já concedeu inúmeras entrevistas, aqui só cabe um pouquinho de tudo que ela tem pra contar. Vale muito a pena!
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Ana Paula Barcellos
Escritora, designer de joias artesanais, marketeira e pesquisadora de tendências. Trabalha com as marcas Pinacola e Ana Diana.
