Há quanto tempo você não se encontra?

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Em setembro, os primeiros encontros de O Poder da Expressão nascem de uma pergunta simples: e se a comunicação começasse muito antes da primeira palavra?

Por André Luiz Lima

Na última coluna, escrevi sobre a felicidade de estar a caminho. Falava sobre Ítaca, sobre a viagem, sobre os encontros que acontecem enquanto caminhamos e sobre uma pergunta que ficou ecoando em mim: e se a vida acontecesse justamente antes da chegada?

Desde que aquele texto foi publicado, algo curioso começou a acontecer.

As pessoas passaram a me escrever.

Algumas contaram histórias. Outras falaram de mudanças que estavam vivendo. Algumas confessaram medos que nunca haviam colocado em voz alta.

E percebi uma coisa muito simples: quase ninguém está precisando apenas de mais informação.

As pessoas estão precisando de lugares onde possam existir sem precisar representar.

Vivemos uma época curiosa.

Aprendemos a falar para as telas, mas desaprendemos a conversar olhando nos olhos.

Aprendemos a responder rapidamente, mas nem sempre sabemos escutar.

Aprendemos a construir versões de nós mesmos, mas muitas vezes esquecemos de perguntar:

Quem está respirando por trás dessa personagem?

Foi daí que nasceu uma pergunta que, há muitos anos, me acompanha desde o teatro.

Que corpo é esse?

Não é uma pergunta sobre aparência.

É uma pergunta sobre presença.

É o corpo que entra numa reunião já pedindo desculpas por existir.

É o corpo que chega cansado sem perceber o próprio cansaço.

É o corpo que sorri enquanto segura um peso invisível.

É o corpo que esqueceu como ocupar o próprio espaço.

Durante anos, no espetáculo Lazarilho, descobri que a comunicação começa muito antes da primeira palavra.

Descobri que um silêncio pode falar.

Que um olhar pode abrir uma porta.

Que uma respiração pode mudar completamente uma conversa.

Talvez seja por isso que hoje eu tenha cada vez mais vontade de criar rodas em vez de palcos.

Porque numa roda acontece uma pequena revolução.

Ninguém fica escondido atrás da última fileira.

Ninguém precisa provar que sabe mais.

Ninguém precisa performar uma versão perfeita de si.

Numa roda, todos enxergam todos.

E isso exige coragem.

A coragem de escutar.

A coragem de ser visto.

A coragem de perceber que talvez aquilo que você considera uma fragilidade seja justamente a porta por onde começa a sua expressão.

Costumamos imaginar que expressão é falar bem.

Eu já não penso assim.

Em setembro, começam os primeiros encontros do O Poder da Expressão, que não são palestras tradicionais, mas experiências
Foto: Sérgio Branco

Expressão é conseguir fazer o lado de dentro encontrar o lado de fora.

É quando a voz deixa de ser apenas som e passa a carregar verdade.

É quando o corpo para de pedir licença para existir.

É quando o olhar finalmente encontra outro olhar.

Talvez seja por isso que decidi transformar uma vontade antiga em realidade.

Em setembro, vou abrir os primeiros encontros do O Poder da Expressão.

Não serão palestras tradicionais.

Serão experiências.

Lugares para respirar, olhar, ouvir, experimentar e descobrir como nossa comunicação muda quando nossa presença muda primeiro.

Os primeiros encontros

17 de setembro (quinta-feira) — 18h30 às 22h30

O Poder da Expressão — Que Corpo é Esse?

Uma experiência para perceber o corpo como território da comunicação.

24 de setembro (quinta-feira) — 18h30 às 22h30

O Poder da Expressão — Ver e Ouvir

Um encontro sobre escuta, presença e a qualidade do olhar.

E, no dia 17 de outubro, está prevista a primeira experiência ampliada do O Poder da Expressão — um sábado inteiro para aprofundar essa jornada.

Talvez você esteja pensando que ainda não sabe falar em público.

Talvez ache que isso é apenas para artistas.

Mas talvez a pergunta seja outra.

Há quanto tempo você não encontra um espaço onde possa simplesmente estar inteiro?

Porque, no fim, talvez um encontro não aconteça quando duas pessoas ocupam o mesmo lugar.

Talvez ele aconteça quando alguém encontra coragem para entrar na roda.

E é justamente por isso que setembro será o começo da roda.

Outubro pode ser o momento de aprofundar essa experiência.

O caminho começa quando alguém aceita o convite para estar inteiro.


Serviço:
O Poder da Expressão — Primeiros Encontros

17/09 | Que Corpo é Esse? — 18h30 às 22h30

24/09 | Ver e Ouvir — 18h30 às 22h30

17/10 | Experiência Ampliada (prevista) — 9h às 17h

Vagas limitadas

WhatsApp: (43) 99978-5035

Foto principal: Pexels

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante, produtor cultural e criador de experiências.

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