A felicidade de estar a caminho

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Por André Luiz Lima

Na minha última coluna, escrevi sobre O luxo de viver uma experiência. Falava sobre esse luxo que talvez seja hoje um dos mais raros: estar verdadeiramente presente para aquilo que estamos vivendo e caminhando.

Na Arte dos Encontros, continuo pensando nisso.

Talvez porque, quando aprendemos a viver uma experiência, começamos também a perceber que a vida não acontece apenas nos lugares onde queremos chegar. Ela acontece no caminho.

Recentemente, voltei a pensar em Ítaca, poema do grego Konstantinos Kaváfis, inspirado na Odisseia de Homero. Ulisses parte em direção à sua terra natal e enfrenta monstros, tempestades, perigos e inúmeras experiências. Mas Kaváfis nos propõe uma outra maneira de olhar para essa viagem: não tenha tanta pressa de chegar.

Porque é no caminho que encontramos cidades, pessoas, histórias, descobertas. É no caminho que aprendemos. É no caminho que nos transformamos.

E talvez seja justamente aí que estejam os encontros mais importantes.

Há pessoas que aparecem em nossas vidas como quem surge à beira da estrada. Algumas caminham conosco por muitos anos. Outras permanecem apenas por um trecho. Algumas nos oferecem uma palavra, um gesto, uma oportunidade. Outras nos confrontam, nos incomodam ou nos obrigam a olhar para alguma coisa que ainda não havíamos percebido em nós mesmos.

Nem todo encontro precisa durar para ter importância.

Quando aprendemos a viver uma experiência, começamos também a perceber que a vida não acontece apenas nos lugares onde queremos chegar. Ela acontece no caminho
Foto: Acervo pessoal

Às vezes, alguém passa pela nossa vida e muda a direção de uma viagem inteira.

Talvez tenhamos aprendido a procurar a felicidade no lugar da chegada: quando tivermos determinado trabalho, quando encontrarmos determinada pessoa, quando conquistarmos alguma coisa, quando finalmente estivermos onde imaginamos que deveríamos estar.

E, enquanto esperamos, a vida passa.

Kaváfis nos lembra de algo muito simples e, ao mesmo tempo, muito difícil: a viagem também é a vida.

Ítaca é importante. Precisamos de desejos, sonhos, destinos. Precisamos de alguma coisa que nos faça partir. Mas não podemos transformar o destino em uma condição para começar a viver.

Porque, se toda a felicidade estiver depositada no lugar onde queremos chegar, o caminho se transforma apenas em espera.

E eu me pergunto: quantos encontros perdemos porque estávamos preocupados demais com a chegada?

Quantas paisagens não vimos?

Quantas conversas não tivemos?

Quantas pessoas passaram por nós enquanto olhávamos para um horizonte que ainda não existia?

Talvez felicidade seja também uma forma de presença.

É conseguir perceber que, mesmo quando alguma coisa ainda não aconteceu, alguma coisa já está acontecendo.

O encontro acontece agora.
A conversa acontece agora.
A descoberta acontece agora.
A vida acontece agora.

Por isso, talvez exista um luxo ainda maior do que viver uma experiência: ter disponibilidade para perceber o que essa experiência está nos oferecendo.

Não sabemos quantas pessoas ainda encontraremos pelo caminho. Não sabemos quais portas irão se abrir, quais irão se fechar, quais caminhos teremos de refazer.

Mas talvez não seja necessário saber.

Talvez seja suficiente continuar caminhando com os olhos abertos.

Porque a felicidade pode não estar esperando por nós em algum ponto distante da estrada.

Talvez ela esteja justamente aqui:

naquilo que encontramos enquanto estamos a caminho.

Foto: acervo pessoal

Talvez seja por isso que eu tenha cada vez mais vontade de criar experiências e encontros.

Não encontros para simplesmente estar no mesmo lugar, mas encontros para estar presente. Para olhar, ouvir, conversar, descobrir, trocar histórias e, quem sabe, sair um pouco diferente de como chegamos.

Nos próximos tempos, vou abrir novas experiências e também algumas Rodas de Encontro — espaços para conversar sobre a vida, as escolhas, os caminhos, os encontros e tudo aquilo que nos atravessa enquanto seguimos.

E quero fazer isso também a partir de vocês.

Que tema você gostaria de levar para uma dessas rodas?

Pode ser uma pergunta, uma inquietação, uma experiência, algo que você gostaria de conversar com outras pessoas.

Afinal, talvez um encontro comece justamente assim: quando alguém tem coragem de colocar uma pergunta no centro da roda.

E, quem sabe, descobrir que outras pessoas também estavam procurando essa resposta pelo caminho.

Porque, no fim, talvez a felicidade não seja apenas chegar.

Talvez seja ter com quem caminhar.

E é nesse caminhar, entre experiências, perguntas, encontros e descobertas, que seguimos fazendo A Arte dos Encontros.

Viva a vida, André!

Foto principal: imagem gerada por IA

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante, produtor cultural e criador de experiências.

Siga os Instagrans de André@allconnecting @aondevaiandre

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE

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