Por Ana Paula Barcellos
Uma das influenciadoras que mais gosto de acompanhar entrou na onda de fazer looks inspiração “com cara de rica”. Ela, claro, tem que entregar o que seu público espera e pede, mas eu, sinceramente, não aguento mais a vibe “cara de rica“.

Primeiro, porque isso não existe. Tirando raras e poucas exceções, você sabe quando a pessoa tem dinheiro porque ela transpira cifrões. Não tem a ver com apenas com a roupa. Segundo, porque essa tendência alimenta um elitismo que a gente deveria estar combatendo ao invés de propagar e estimular.
E vamos ser sinceras? Colocar uma bermuda alfaiataria com a ponta esquerda da camisa para dentro não vai te deixar com mais dinheiro na conta mas, sim, vai te deixar igualzinha às outras 50 mulheres que você vai encontrar no shopping. Vocês não cansam dessa mesmice, desse efeito manada? Eu canso.

Já falei por aqui sobre o quanto esse tipo de tendência é elitista e, embora nunca seja demais frisar e falar sobre o assunto, que na verdade é bem importante, não quero me repetir. Mas tanto tem se publicado por aí sobre a não tendência como tendência, sobre a originalidade e personalidade como guia do estilo de cada pessoa, e ver esse tipo de conteúdo ser repercutido também por gente muito boa e com alcance é cansativo e desanimador.
Ter cara de rica, Maria vai com as outras ou ser original?

É muito difícil, obviamente, ser 100% original e não seguir tendências atuais pelos simples motivos que roupa boa custa caro, garimpar em brechós assiduamente é luxo e ter tempo para pensar sobre o que vai vestir já é quase um privilégio nesse mundo doido dos boletos que a gente habita. Ainda assim, dá pra fazer mais que ser “Maria Vai Com as Outras” sem consciência social nenhuma, eu acredito.
A gente não precisa se engessar e cair nessas ciladas fashion por causa de aprovação alheia! Eu sei do poder transformador da Moda e sei também que não dá pra gente morar em um bolha, completamente distraída e alienada do que acontece, vivendo em um mundo capitalizado e globalizado como o nosso.
Dito isso, a gente pode e deve buscar outras referências, buscar ter uma visão mais ampla. Parar para pensar na nossa vida; no nosso estilo de vida, nos nossos gostos pessoais e a partir daí fazer um mix com o que está disponível e criar algo mais nosso, mais consciente também.

Ana Paula Barcellos
Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram Me siga no Instagram @experienciasdecabide e @yopaulab
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