Tia Telma Responde – Sou gordinha e o sexo não está agradável

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“Sou gordinha, tia. Me sinto inferior. Feia, sexo não está agradável. Me sinto, sei lá, meio bosta.”

A mensagem chegou pelo direct do Tia Telma Responde no Instagram. Aliás, vocês conhecem o perfil? Vão lá, me sigam @TiaTelmaResponde. Tem sempre umas lives com assuntos sobre sexo. E sim, é merchan (hahaha). Falando sério, me sigam.

Mas voltando ao assunto, a menina que mandou a mensagem é linda, com um corpo cheio de curvas, voluptuosa, sabe? Não chega a ser obesa, mas é um mulherão sexy. E eu fiquei pensando na crueldade que fazem com a cabeça dessas meninas que, com corpos perfeitamente saudáveis e “gostosos”, se sentem inferiores porque não estão no “padrão” da sociedade. Eu sei, já fui uma menina obesa, que passou a maior parte da adolescência e juventude tentando emagrecer a qualquer custo, que fazia dietas loucas e abusava de remédios para tirar a fome para ficar “bonita”. Então, resolvi fazer a coluna sobre esse assunto para passar minha experiência sobre como me assumi gorda e linda, e como o sexo ficou bem melhor depois disso.

Primeiro, quero deixar claro que não julgo ninguém por ter esse problema de imagem pessoal. A sociedade cobra de nós, mulheres, que sejamos perfeitas: bonitas, bem vestidas, bem sucedidas na profissão, mães adoráveis, esposas caprichosas e magras. Qualquer quilo à mais é visto como relaxo, glutonia e preguiça. A sociedade é, de forma geral, gordofóbica e é muito cruel. E, às vezes, a crueldade começa dentro de casa, com a própria mãe falando para a filha emagrecer porque, senão, não arruma namorado.

O que é preciso entender é que não é uma questão de falta de força de vontade, preguiça e gula. Os hormônios, ululantes na adolescência, ajudam muito a engordar. A herança genética também. Eu nasci gorda e só à base de muito sacrifício pessoal e até da própria saúde, conseguia emagrecer por alguns períodos. Lógico que não mantinha o peso baixo por muito tempo e voltava a engordar. Além disso, há outras condições de saúde que colaboram com o aumento de peso. Esses precisam ser investigados pro profissionais da saúde. Então, antes de julgar – e falar isso – alguém por estar gorda, cala sua boquinha. Se você não é pai ou mãe (aliás, nem esses deveriam por seus filhos para baixo pela questão de peso), não se meta no peso alheio.

O que essas meninas precisam aprender é que são bonitas como são. A beleza de uma pessoa não está no corpo perfeito. Está no conjunto de um todo, mas, principalmente, que a beleza reflete seu estado de espírito. Se você se sentir bonita, vai passar para os outros essa visão.

“Ah, tia Telma, mas o difícil é se sentir bonita”!

Eu enfrentei um divórcio 30 quilos mais gorda de que quando casei. Estava com a autoestima lá embaixo. Mas consegui dar a volta por cima e minha vida sexual melhorou muito. E como consegui isso? Treinando me sentir bonita com meu corpo gordo. Acho que é tudo uma questão de treino. Demora um tempo para se acostumar, mas treinando vai acabar se sentindo bonita, independente do tipo físico.

O primeiro passo é conhecer seu próprio corpo. Se olhar no espelho sem preconceitos, vai descobrir que seu corpo tem muitas possibilidades de ser bem explorado. A barriga incomoda? Ignore. Foque nas pernas, no colo, na cintura. Os peitos são grandes? Ótimo, comece a usar blusas e vestidos sensuais, que explore seus atributos. Esqueça as peças que “escondem” o corpo e passe a mostrá-lo em todo seu potencial. Lingeries adequadas – agora existem calcinhas e sutiãs plus size bem bonitas e sexys – ajudam a melhorar a autoestima.

Mude seu guarda-roupa, use roupas coloridas, aposente os tons escuros. A primeira vez que vesti um vestido mais ajustado no corpo, me senti péssima. Mas a reação das pessoas à minha volta me surpreenderam positivamente. Recebi elogios e cantadas. Isso me fez perceber que sim, poderia ser bonita e sexy, gorda. Comecei a pensar nas roupas como um acessório e aposentei os camisetões e calças leggings, confortáveis sim, mas sem estilo e sem graça. Passei a valorizar as melhores partes do meu corpo e me sentir bem com isso.

A partir daí, foi um pulo para me “soltar” na cama. Pensei comigo: se os caras me cantam, se interessam por mim quando me sinto bem, qual a diferença em estar nua perto de um deles? Eles sabem que sou gorda, não esperam um corpo perfeito, sem gordurinhas ou estrias. Relaxei e, literalmente, gozei. Não me preocupo em esconder meu corpo sob o lençol ou luz apagada. Só aproveito o momento, livre e leve.

O corpo gordo tem belezas próprias e sempre há aqueles que adoram mulheres bem resolvidas. Porque se esconder e perder uma das melhores coisas da vida, que é o sexo, sofrendo por não estar nos padrões? Se for pensar, ninguém nunca vai estar satisfeito com o próprio corpo. Até a Gisele Bündchen deve ter encucações com o corpo dela, querendo mudar algo que não gosta. A vida é muito curta para se sentir feia por estar com quilos a mais.

Mande suas perguntas para o email telma@olondrinense.com.br

Telma Elorza

Jornalista profissional, palpiteira e galhofeira. Adora dar pitaco na vida dos outros enquanto vai levando a sua na flauta. Não é psicóloga nem sexóloga. Apenas uma mulher que gosta de sexo e acha que ele é uma coisa natural na vida. Siga o Instagram
@TiaTelmaResponde

Foto de Roberto Hund no Pexels

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