CAPS AD passa a atender em novo endereço no centro

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Mudança era reivindicação de usuários e profissionais. Município estuda possibilidade de incluir leitos para emergências

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Depois de seis anos “provisoriamente” instalado num antigo posto de Saúde no Conjunto Milton Gavetti, o Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (CAPs-AD) de Londrina foi transferido, há cerca de uma semana, para o prédio do antigo Hospital Ortopédico, na Avenida JK, 3.421. O prédio, que também abrigou temporariamente o Pronto Atendimento Infantil (PAI), passou por pequenas reformas para abrigar o serviço de saúde.

A mudança, segundo o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, era uma reivindicação dos usuários e trabalhadores do local. A antiga sede estava deteriorada, com graves infiltrações e telhado comprometido, além de ficar longe do Centro, o que dificultava o acesso. “Já havia uma solicitação recorrente dos usuários e do Movimento de Moradores de Rua de Londrina, por causa da localização. Por ser na Zona Norte, eles relatavam dificuldades em chegar até lá. Em contato com nossa equipe técnica, fizemos o projeto e conseguimos a mudança”, explica. Segundo o secretário, o serviço deve ficar ali até que seja construída uma sede própria. “Em que se leve em conta que o prédio ser alugado, no nosso planejamento agora o serviço só sai dali para uma futura construção”, afirmou.

Com três andares, o prédio é grande suficiente para abrigar leitos. Mas, segundo Machado, para isso é preciso ampliar a equipe e conseguir uma habilitação junto ao Ministério da Saúde para transformar o serviço em CAPS AD III, que atenderia usuários de drogas e alcoolistas em emergências médicas. “Nós estamos finalizando um estudo de recursos humanos porque aí muda completamente o perfil do serviço. Talvez a médio e longo prazo, seja uma das nossas possibilidades”, afirmou. Segundo ele, pela construção ser de um hospital, isso facilitaria transformar parte em leitos. Segundo ele, seria preciso abrir concurso para contratação de novos profissionais. “Mas no momento não tem essa previsão”, explicou.

Questionado sobre porque optar por transferir o CAPS AD e não o Caps III – atende emergências, tem leitos e faz acompanhamento psiquiátrico à população- que sofre com problemas estruturais e falta de psiquiatras, o secretário disse que não faria sentido tirar o serviço de uma sede própria, que foi construída para atender sua finalidade e levar para um novo local. “Sabemos que o Caps III precisa de reformas. A gente já está fazendo o levantamento das necessidades e vai ser contemplada ainda nessa administração”, afirmou.

Sobre a falta de psiquiatras, Machado afirmou que “não há psiquiatras no mercado”. “Há uma falta da especialidade no mercado gigante. Nós chamamos todos os psiquiatras aprovados no concurso para assumir. Vieram dois e um deles já pediu exoneração”, disse.

Segundo o secretário, a iniciativa privada paga, por uma consulta, em torno de R$400. “É muito difícil concorrer com esse mercado. O salário dos especialistas na Prefeitura não é ruim, mas ele tem que cumprir uma carga horária, tem que dedicação e vínculo com o paciente. No consultório dele, ele tem mais liberdade”, explicou.

Machado diz que fechou algumas parcerias com unidades formadoras como a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Hospital Vida e Nova Vida, que tem uma vertente de formação profissional, para tentar articular de forma mais adequada toda a rede de psiquiatria do Município. “A gente está tentando melhorar o suporte para essa especialidade. Até mesmo porque, já é esperado, segundo vários estudos, que pós-pandemia o problema de saúde número 1 vai ser o problema de saúde mental da população”, afirmou.

Foto: Arquivo/O LONDRINENSE

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