Sexo na praia dá mesmo mais tesão?

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Oi, tia. Tenho uma curiosidade que talvez você consiga saciar. Com uma certa frequência, eu desço para o litoral e adoro fazer sexo na praia com minhas namoradas. Parece que fico com muito mais tesão ali, trepando na areia ou até dentro do mar. Sexo na praia dá mais tesão ou é impressão minha?”

Essa pergunta chegou por e-mail há um tempinho e eu estava guardando para esse momento, quando estou na praia, kkk. Depois de um ano de muito trabalho e preocupações familiares, decidi me presentear com uma semaninha no Nordeste. Então, enquanto você está lendo essa coluna, estarei à beira-mar, tomando uns bons drinks. E não, não pretendo fazer sexo na praia. Kkk. Leia a coluna para saber o porquê.

Mas tem gente que jura que praia foi feito para isso. O famoso  “sexo na praia” é tratado quase como uma fantasia obrigatória na mente de muitos homens, principalmente. Justamente com essa premissa que ali tudo é mais intenso, gostoso e tals.

Será que é mesmo?

Se você perguntar para um cara se ele já fez sexo na praia, ele vai lhe contar uma aventura incrível, com uma trepada homérica, inesquecível. Se perguntar para uma mulher, ela pode até falar que fez e que nunca mais quer repetir. Kkk

A praia, como palco de transas legais, não é tão mágica assim. A própria ciência ajuda a separar a fantasia da realidade. Primeiro que, do ponto de vista biológico, não existe nenhum “efeito oceano” que liga o tesão. O que existe é o combo clássico que o cérebro adora: novidade, riscos (de ser flagrado) e estímulos sensorais diferentes do que está acostumado.

Transar em ambientes diferentes pode ativar o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina que está que está ligada à sensação de prazer (tô simplificando tudo, ok?). Some isso a um pouco de adrenalina da possibilidade de alguém estar observando e  pronto. O cérebro pode interpretar tudo como mais excitante do que o normal.

É o mesmo mecanismo que faz a gente achar que uma viagem curta de fim de semana numa pousada simples com o(a) companheiro(a) é mais romântica que um final de semana em casa, na cama velha conhecida. É o cérebro saindo do piloto automático.

Para os homens, isso é fantástico.

Agora, para as mulheres…..

A praia, na prática, é um ambiente cheio de variáveis pouco românticas. Areia, vento, umidade, bichinhos de praia e aquela sensação que está tudo entrando em lugares que não deviam. O corpo da mulher até pode corresponder à excitação psicológica, mas o conforto físico também pesa e, na maioria das vezes, ele ganha por nocaute. Como fazer sexo gostoso com a pepeca cheia de areia (ou até os grãozinhos de sal da água do mar)? Machuca, irrita e não tem lubrificação natural ou não que dê conta disso.

Para um homem, pode ser muito excitante saber que pode ser observado transando. Mas, para uma mulher – a menos que ela tenha fetiche por exibicionismo –, pode ser momento de forte ansiedade. O que é um grande corta-tesão. Nesses casos, o corpo libera cortisol, o hormônio do estresse. E aí, bye bye trepada gostosa.  

E um detalhe importante: se você for pego fazendo sexo na praia, pode ser levado para a delegacia, porque esse tipo de comportamento é enquadrado como ato obsceno.  Ou seja, mais uma dor de cabeça.

Ah, mas se é tão ruim, porque tem tanta gente que fantasia com isso? Fácil. Além das cenas de filmes épicas de transas na praia, a ciência também nos diz que o cérebro é obcecado por narrativas. Praia é associada com liberdade, férias, corpos praticamente nus, desligamento da rotina. Lembra que o cérebro gosta disso? Tudo isso cria um cenário mental altamente erotizado, mesmo que nada aconteça. O desejo mora na imaginação. O cérebro é, como sempre costumo dizer, nosso maior e mais potente órgão sexual.

Enfim, a praia não é um afrodisíaco natural. O que faz a diferença é como seu cérebro funciona, como ele constrói um cenário ideal em cima dela (ou dentro do mar).

Só que, antes de partir para as preliminares, é bom perguntar se sua parceira está na mesma frequência. Porque, para você, pode ser maravilhoso. Mas para ela, pode ser algo desagradável, cheio de areia.

PS – transar na praia pode ser fator de risco de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), já que poucos lembram de camisinha nessa hora; e de infecções por bactérias da areia (ali tem fezes de animais e muito lixo deixado pelos banhistas e até água imprópria para banho) que podem resultar em infecções urinárias e de pele (bicho geográfico, já ouviu falar? Pesquise), além irritações e microlesões na pepeca e no pau. E não adianta “lavar” na água do mar. O sal pode complicar ainda mais as coisas.

Espero ter ajudado. Agora, deixa eu curtir minha praia.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

O leitor adora transar na praia e diz que sente mais tesão. Será que a praia contribui para isso?
Tia Telma versão Inteligência Artificial

Quem é Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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