Por Telma Elorza
“Tenho 33 anos e minha esposa, 28. Estamos juntos já cinco anos e sempre nos demos bem. Mas, desde o princípio, temos um problema. Minha mulher não consegue gozar. Me esforço bastante para que ela atinja o orgasmo, sempre capricho nas preliminares, faço muito oral, mas o máximo que consigo é algum tremorzinho de vez em quando. Ela diz que não é problema para ela, que gosta das nossas sessões de sexo, mesmo sem orgasmo. Mas não acho normal. Será que devemos procurar ajuda?”
Amigo, antes de mais nada, respira fundo e tenha calma. Vamos analisar a situação detalhadamente. Porque o caso pode ser duas situações distintas.
Primeira situação – anorgasmia
A primeira dela é mais comum do que muita gente imagina. O que você descreveu acontece com uma parcela da população feminina e tem até nome: anorgasmia feminina, que é a dificuldade ou incapacidade de atingir o orgasmo (seja acompanhada ou sozinha). E olha só: ela pode sim sentir prazer em fazer sexo com você, gostar do contato, da intimidade da transa, mesmo sem gozar.
Nesse caso, é preciso entender que o corpo feminino é muito complexo. Enquando homens conseguem gozar rápido e no automático (pelo menos, a maioria deles), para muitas mulheres o caminho é outro. A nossa excitação envolve cérebro, emoções, autoconhecimento e, claro, estímulo físico. E aqui vai uma verdade que nenhum homem gosta de ouvir: o pênis não é o protagonista. Na maior parte dos casos, o orgasmo feminino está mais ligado ao clitóris do que a penetração em si.
E tem mais: cada corpo responde de um jeito. Algumas mulheres só gozam com penetração associada ao estímulo direto no clitóris. Outras, só com sexo oral ou masturbação. Outras, mesmo com tudo isso, demoram para atingir o orgasmo. E o pior, muita coisa, mas muita coisa mesmo pode interferir e bloquear o orgasmo, mesmo que o parceiro seja um expert na cama.
Fatores fisiológicos, por exemplo. Algumas condições como alterações hormonais – queda no estrogênio ou testosterona influem muito no desejo; uso de certos medicamentos, como antidepressivos, ansiolíticos e até alguns anticoncepcionais; além de problemas de saúde como diabetes, endometriose, doenças neurológicas ou disfunções da tireoide podem afetar ou até impedir o orgasmo.
Por isso, é interessante que procure avaliação médica. Vá com ela ao ginecologista e sejam francos sobre a dificuldade. Muita mulher tem vergonha de confessar essa “falta de orgasmos”, acham de somenos importância, mas pode ser um sintoma grave. Então, marque uma consulta o mais rápido possível. Já esperaram demais.
Além disso, as questões emocionais e culturais também podem contribuir muito para anorgasmia feminina. Ansiedade, vergonha, traumas passados, educação sexual repressora, tudo isso pesa. Tem mulher que passa a vida inteira ouvindo que “sexo é errado”, que “mulher honesta não goza”, que “mulher que gosta de sexo é puta”. Enfim, uma mulher que passou toda a infância e adolescência ouvindo esse tipo de coisa (sim, ainda acontece em pleno ano de 2025) e carrega essas crenças para o casamento, não vai conseguir relaxar e aproveitar. Ela vai bloquear todo e qualquer estímulo sexual para “não desapontar o marido”. Essas merdas fazem um estrago danado no psicológico de muitas meninas, que levam isso para a vida. E acabam sofrendo sem nunca conhecer o prazer de um orgasmo.
Outro ponto que é preciso ficar atento: a pressão de “ter que gozar” também atrapalha. Se toda vez que vocês transam, fica aquele clima de “será que agora vai acontecer?”, o corpo dela pode entrar em modo de tensão e o prazer vai para cucuias.
Assim, sugiro que, depois de afastar a possibilidade de questões fisiológicas estarem atrapalhando tudo, procurem um terapeuta sexual, um sexólogo ou mesmo um psicólogo para ela. Com ajuda profissional, ela pode se livrar dos traumas gravados na mente dela e, por fim, relaxar o suficiente.
Segunda situação – ela não consegue gozar com você
Calma, deixa eu explicar antes que você me xingue.
Você disse que se esforça, capricha no oral e nas preliminares para estimulá-la e que só consegue um “tremorzinho” de vez em quando. Mas você já perguntou se ela se masturba e tem orgasmos sozinha? Não? Sugiro que pergunte. Uma conversa franca e tranquila, sem acusações pode ajudar muito e melhorar significativamente a vida sexual do casal.
Por incrível que pareça, algumas pessoas (homens e mulheres) só conseguem gozar com masturbação. É mais comum em homens, que, por baterem punheta frequentemente, desenvolvem a chamada síndrome do punho de ferro. Mas também pode acontecer com mulheres. Escrevi uma coluna recente sobre isso, onde uma mulher reclamava que o marido não deixava que ela se tocasse e ela não conseguia gozar sem isso.
Pode ser o caso da sua esposa e ela não quer reclamar para você. E está tudo bem. Vocês podem fazer jogos sexuais maravilhosos usando a masturbação. Aliás, recentemente, fiz uma coluna sobre vibradores que seria muito interessante você ler. Imagine brincadeiras sexuais com sua mulher usando algum deles? Pode ser a solução do seu problema.
De qualquer forma, mesmo que ela não se masturbe (aqueles dogmas enfiados a ferro na mente dela), é preciso que ela se conheça. Muitas mulheres só descobrem como gozar depois de explorarem o próprio corpo. Saber que tipo de toque funciona, a pressão, o local, a velocidade. Tudo isso ajuda muito na hora de orientar o parceiro. Se ela não se masturba, incentive-a
Mas atente-se: o importante aqui é entender é que o prazer sexual não se resume ao orgasmo. Ele é importante sim, porque traz muitos benefícios para a mulher. Mas se sua esposa gosta das transas, se sente amada e se entrega, vocês já têm uma base legal para trabalhar na busca do orgasmo. Porém, sem neuras, sem transformar em obrigação, um fim que deve ser atingindo a qualquer custo. E, principalmente, sem cobranças.
Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
Leia mais colunas Tia Telma Responde
Siga O LONDRINENSE no Instagram e Facebook
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

Uma resposta
Falou tudo Telma. O principal aí é conversar com sua esposa e entender melhor ela. Sempre com respeito e não se sinta culpado também, prazer feminino tem inúmeros caminhos, esteja aberto a escutá-la