A “melequinha” depois do gozo feminino

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Minha namorada solta uma ‘melequinha’ depois de gozar. Isso é normal ou ela pode estar com algum problema de corrimento? Fico meio com nojo quando percebo, mas tenho receio de magoá-la se falar para ir ao médico. O que pode ser?”

Você, leitor curioso e meio assustado, que mandou a pergunta, o que precisa é de calma. Pela sua dúvida, eu vejo que você é meio inexperiente no sexo a dois, né? Então, respira fundo e guarda esse nojo aí. O que você chama de “melequinha” pode ser só resultado natural de um corpo feminino saudável que acabou de experimentar um belo orgasmo. Mas como você não especificou cor, cheiro, nem nada, pode ser também pode ser um sinal de que algo não vai bem. Bora entender sem tabu e sem nojo as diferenças?

Primeiro: o corpo da mulher não é uma máquina previsível. Ele é cheio de glândulas, hormônios e líquidos que mudam conforme o ciclo menstrual, o humor e o nível de tesão. Então, se depois do sexo aparece uma melequinha, um restinho de secreção, é completamente normal. O canal vaginal tem suas próprias formas de se limpar e manter o equilíbrio interno (aliás, duchas vaginais não são indicadas para limpeza íntima, viu, meninas? Elas podem desequilibrar o pH, remover bactérias benéficas e aumentar o risco de infecções. A limpeza adequada deve ser feita apenas na área externa, com água e, se necessário, sabonetes neutros). Ou seja, nossa vagina tem um sistema autolimpante perfeito.

O que você precisa entender é que, durante a excitação sexual, o corpo feminino produz fluido vaginal e muco cervical, que deixam tudo bem lubrificado para que a penetração aconteça sem dor. Quando a mulher goza, as contrações musculares podem expelir um pouco desse líquido (misturado com sêmen, quando transam sem camisinha, o que eu não recomendo). Pronto, nasce a famosa “melequinha”. Nada de anormal nisso e muito menos nojento. É o pós-show do sexo, se você fez o trabalho bem feito.

Ah, só lembrando: existe um fenômeno chamado ejaculação feminina, o famoso squirting. Quando trabalho é realmente muito bem feito e a mulher está extremamente excitada, algumas podem liberar uma quantidade maior de fluido, que pode ser transparente ou levemente amarelado, sem cheiro forte. Não é urina (embora tenha traços dela), como muita gente pensa, e também não é sinal de problema. É simplesmente mais uma forma do corpo feminino reagir ao prazer.

Melequinha mau cheirosa

Agora, é preciso prestar atenção à cor e ao cheiro da melequinha. Se não estiver transparente ou esbranquiçada e com cheiro leve, de sexo, pode ser sinal de problema. Se o fluido estiver muito amarelado, esverdeado e tiver um cheiro forte (aquele famoso cheiro de peixe), vier acompanhado de coceira, dor ou ardência, aí sim é caso de se preocupar. Pode ser um caso de corrimento causado por infecção. Nesse caso, o ideal é que ela procure um ginecologista. Pode ser desde uma simples candidíase até algo mais sério, como uma infecção sexualmente transmissível (IST).

Para quem não sabe, a candidíase é simplesmente um desequilíbrio na flora vaginal que permite o crescimento excessivo do fungo Candida albicans. Os principais fatores que causam esse desequilíbrio incluem o uso de antibióticos, diabetes descontrolado, alterações hormonais (como gravidez e pílulas anticoncepcionais), sistema imunológico enfraquecido e roupas úmidas ou apertadas. Sim, apenas ficar muito tempo de biquini molhado pode causá-la. Melhor jeito de evitá-la? Dormir nua, sem nem uma calcinha sufocando a bichinha.

Mas, veja bem, você não precisa sair bancando o médico e muito menos o crítico nojento. Observe e, se você reparar que o fluido é sempre igual, sem cheiro forte e sem causar nenhum incômodo nela, é provável que esteja tudo certinho, dentro do normal. Relaxe e aproveite. Agora, se estiver escura e com cheiro forte, é bom conversar com ela. Mas com um jeito de abordar cuidadoso e respeitoso. Falar sobre o corpo da parceira exige tato e delicadeza. Dá para dizer algo como: “Amor, percebi uma secreção diferente depois que a gente transa e fiquei na dúvida se é normal. Quer que a gente veja isso juntos com o médico”? Sem constrangimento, sem culpa.

A pior coisa seria alimentar o nojo e deixar a curiosidade virar preconceito. A sexualidade feminina ainda é cheia de tabus justamente porque as pessoas têm vergonha de fazer perguntas. E os homens, principalmente, de ouvir. Entender o corpo da parceira faz parte do relacionamento. Falar sobre ciclo menstrual, menstruação e melequinhas sem censura, como algo natural que é, é ótimo para ambos. Você, homem, vai entender melhor a sua mulher e ela vai se sentir acolhida nas suas fases.

Resumindo, querido leitor: nem toda melequinha é é sinal de problema, mas todo preconceito é feio. Nosso corpo feminino é um espetáculo de química, biologia e prazer. E a melhor coisa que o homem pode fazer para o relacionamento é aprender a lidar com isso sem drama. Na dúvida, o conselho é um só: diálogo, empatia e, claro, um pouco de pesquisa em sites confiáveis. Tem vários sobre a saúde da mulher para você pesquisar com fontes seguras, antes de sair julgando, ok?

Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?

O leitor estranha e sente um certo nojo da "melequinha" que sai da parceira, após ela gozar. E quer saber se isso é sintoma de doença.
Tia Telma versão Inteligência Artificial

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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