Por Pati Palmieri Marconi
Nos últimos meses, o mercado da coquetelaria tem passado por transformações significativas. Observando o comportamento dos consumidores e acompanhando estudos recentes, é possível identificar uma movimentação consistente em direção a opções com baixo ou nenhum teor alcoólico, ao crescimento dos destilados à base de agave — especialmente a tequila — e ao interesse crescente por bebidas funcionais.
Mas o que explica essa mudança nos hábitos de consumo?
No dia a dia do bar Mestizzo, essa tendência se reflete de maneira clara. Nota-se um público cada vez mais atento à saúde e ao bem-estar físico, comprometido com a sustentabilidade e valorizando ingredientes locais e naturais. Ao mesmo tempo, esses consumidores não abrem mão da experiência sensorial e do ritual que envolve um bom coquetel.
Outro fenômeno relevante é a influência da geração Z no cenário dos bares e restaurantes. Diferentemente de gerações anteriores, esses jovens valorizam o convívio social, mas de forma mais equilibrada. Continuam frequentando os bares, porém com maior moderação no consumo, preferindo experiências completas — da ambientação à qualidade da bebida — em detrimento da quantidade. São consumidores que buscam prazer, mas também propósito.
Foi a partir dessa observação que decidimos ampliar nosso cardápio e incluir drinks sem álcool — os chamados mocktails. Iniciamos de forma tímida, incertos sobre a aceitação do público, mas o resultado foi surpreendente: hoje contamos com quatro versões fixas e planejamos expandir ainda mais essa linha.
Afinal, o que diferencia um mocktail de um simples suco?
A tendência da coquetelaria: mocktail

A resposta está na composição e na experiência. O copo, por exemplo, é escolhido com o mesmo cuidado de um coquetel clássico, garantindo a estética da bebida. Os ingredientes são naturais e frescos, privilegiando frutas da estação e especiarias como pimenta, cravo e canela, que enriquecem o aroma e a textura. O preparo cuidadoso, a atenção com o gelo e o toque final na apresentação — com frutas desidratadas, flores comestíveis ou folhas de hortelã — completam a experiência. O resultado é uma bebida visualmente atraente e sensorialmente complexa, mesmo sem álcool.
Outro ponto que se mantém no DNA do Mestizzo é o compromisso com a sustentabilidade e com os insumos locais. Muitos dos ingredientes utilizados nos coquetéis e mocktails são produzidos artesanalmente no próprio bar, como o licor de jabuticaba, feito com frutas do quintal; o bitter de laranja; o licor de limão-siciliano, base do Limoncello Spritz; o triple sec artesanal; e as preparações à base de gengibre, como suco e espuma.
Essa filosofia se estende aos parceiros e fornecedores locais, como a cachaça ARAZ, os produtores da Divino Adega, o chope artesanal da BRAVO, a linguiça da ATAARE e as frutas congeladas da Entressafra. Essa rede de colaboração contribui para criar bebidas com identidade, autenticidade e menor interferência industrial.
Por fim, olhando para as tendências que devem marcar o final de 2025 e o início de 2026, os destilados à base de agave continuam em evidência. Nos últimos anos, a tequila vem ganhando destaque mundial, especialmente as versões 100% agave e artesanais. Há também uma valorização da cultura mexicana e da coquetelaria com destilados de agave, com drinques como:
- Margarita (clássico refrescante), temos a versão frozen muito popular
- Paloma (com grapefruit e soda)
- Tequila Sour ou versões com frutas brasileiras em bares de coquetelaria moderna.
A coquetelaria vive um momento de reinvenção. Mais do que uma simples bebida, o coquetel — com ou sem álcool — se transforma em expressão de estilo de vida, combinando prazer, responsabilidade e autenticidade.

Pati Palmieri Marconi
Conversa fiada, um bom drink e um tira gosto, me chama que eu vou. Ahhh mas também amo esportes de todas as formas. Sou mãe de menino e adoro fazer eles passarem vergonha na porta da escola kkkk. Escrevo essa coluna assistindo ao US Open, um olho em cada tela e na mão um espumante Rose e já pensando no próximo cardápio de drinks do Mestizzo.
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE
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