Por professor Renato Munhoz
Falar de sustentabilidade, muitas vezes, nos remete diretamente a árvores, rios, mudanças climáticas e preservação ambiental. Contudo, é urgente ampliarmos esse olhar para compreender que a sustentabilidade também precisa ser contributiva no desenvolvimento da qualidade de vida, e aqui entra um tema essencial e, por vezes, esquecido: a saúde mental.
Vivemos numa sociedade marcada pela pressa, pelo desempenho e pela pressão constante do consumo. Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, descreve bem essa condição ao afirmar que “na sociedade do cansaço, somos ao mesmo tempo senhores e escravos de nós mesmos”. Essa lógica de produtividade infinita nos desconecta daquilo que é essencial: o tempo para cuidar, para conviver, para viver em equilíbrio.
Ao pensarmos sustentabilidade apenas em termos de recursos naturais, perdemos a dimensão humana. A Organização Mundial da Saúde já reconhece que fatores ambientais, sociais e econômicos impactam diretamente a saúde mental das populações. Espaços verdes urbanos, mobilidade sustentável, acesso à cultura, alimentação saudável e relações comunitárias são elementos que reduzem estresse, ansiedade e depressão.

Em Londrina, por exemplo, estudos da UEL têm apontado a relevância dos parques urbanos como lugares de encontro e saúde. Uma cidade que investe em corredores ecológicos, áreas de lazer e convivência, coleta seletiva e planejamento urbano sustentável não está apenas cuidando do meio ambiente, mas também fortalecendo laços comunitários e criando condições para que seus cidadãos tenham melhor bem-estar mental.
Sustentabilidade e as redes de apoio
Construir uma sociedade sustentável, portanto, não se limita a tecnologias limpas ou a índices de reciclagem — é também criar redes de apoio, resgatar o valor da solidariedade, diminuir desigualdades e possibilitar que as pessoas encontrem sentido em suas vidas. A sustentabilidade é, em última instância, uma aliada no combate às doenças da alma contemporânea.
O Papa Francisco, na Laudato Si’, lembra que “tudo está interligado”. Essa frase, aparentemente simples, traz uma profundidade capaz de nos reorientar: cuidar da Terra é também cuidar de nós mesmos, e cuidar de nós mesmos é também cuidar do planeta.
O desafio está posto: só haverá saúde mental plena em uma sociedade que se reconheça parte da natureza, que promova justiça social e que compreenda a sustentabilidade como caminho para o bem viver.
Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
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