Sustentabilidade: cuidar do planeta também é uma oportunidade

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Por professor Renato Munhoz

Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada por algumas empresas como um assunto periférico. Algo para colocar no relatório anual, fazer uma campanha no Dia do Meio Ambiente ou apoiar eventualmente um projeto social.

Mas o mundo mudou.

Hoje, falar em sustentabilidade é falar também de estratégia, inovação, reputação, eficiência, gestão de riscos e futuro.

E talvez esteja justamente aí uma das grandes oportunidades para as empresas: compreender que responsabilidade socioambiental não é apenas uma obrigação ética. É uma maneira inteligente de fazer negócios.

O próprio governo brasileiro reconhece a sustentabilidade empresarial como uma estratégia capaz de promover competitividade, respeito ao meio ambiente e bem-estar das pessoas. Entre os ganhos possíveis estão o uso mais eficiente de água e energia, a redução de desperdícios e a construção de relações mais éticas com trabalhadores, fornecedores e consumidores.

O Banco Central, por sua vez, já trabalha com a perspectiva dos riscos e oportunidades associados aos fatores ambientais, sociais e de governança — o conhecido ESG. Isso demonstra que sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso ambiental e passou a fazer parte da discussão econômica e financeira.

Como reconhecer uma empresa verdadeiramente responsável sustentavelmente?

Eu arriscaria apresentar sete características.

1. Ela entende que lucro e responsabilidade não são inimigos

Uma empresa sustentável precisa ser economicamente viável. Não existe responsabilidade socioambiental consistente em um negócio incapaz de se manter.

A questão é outra: como gerar lucro sem produzir prejuízos sociais e ambientais que serão pagos por toda a sociedade?

Sustentabilidade é buscar equilíbrio entre resultado econômico, cuidado ambiental e justiça social.

2. Cuida das pessoas que fazem a empresa existir

Não há empresa socialmente responsável quando seus trabalhadores são tratados apenas como números.

Respeito, diversidade, inclusão, saúde e segurança, formação profissional, condições dignas de trabalho e combate a qualquer forma de discriminação precisam fazer parte da cultura empresarial.

O Pacto Global da ONU coloca direitos humanos e direitos trabalhistas entre os fundamentos da responsabilidade empresarial.

Uma empresa pode ter uma excelente campanha ambiental e, ao mesmo tempo, ser socialmente irresponsável. Uma boa prática não compensa uma prática ruim.

3. Olha para o impacto ambiental de suas escolhas

Quanto de água utiliza?

Quanto de energia consome?

Quanto desperdiça?

O que acontece com seus resíduos?

É possível reduzir, reutilizar, reciclar ou substituir materiais?

Uma empresa responsável não espera que o problema ambiental apareça para depois agir. Ela incorpora a prevenção ao planejamento.

O Pacto Global da ONU, inclusive, defende uma abordagem preventiva diante dos desafios ambientais e iniciativas que ampliem a responsabilidade ambiental das empresas.

As empresas precisam perceber que sustentabilidade não é apenas uma obrigação ética, mas uma grande oportunidade de negócios
Fotos: Magnific

4. Transforma sustentabilidade em inovação

Aqui está uma das grandes oportunidades.

Sustentabilidade não precisa significar apenas “fazer menos mal”. Pode significar criar algo melhor.

Novos produtos, novas tecnologias, novas formas de produção, economia circular, reaproveitamento de materiais, energias renováveis e redução de desperdícios podem gerar novos mercados.

O próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços vem colocando entre suas estratégias a economia circular, a bioeconomia, a descarbonização da indústria e a economia verde e inclusiva.

Ou seja: o futuro também está sendo desenhado a partir da sustentabilidade.

5. Conhece e transforma a comunidade onde está inserida

Uma empresa não existe no vazio.

Ela está em uma cidade, utiliza recursos daquela sociedade, emprega pessoas, movimenta a economia e estabelece relações com uma comunidade.

Por isso, responsabilidade socioambiental também significa perguntar:

O que a presença desta empresa deixa de positivo no território onde está?

Projetos educacionais, apoio à economia local, formação profissional, valorização de fornecedores locais, parcerias com organizações sociais e investimentos comunitários podem transformar a relação entre empresa e território.

A sustentabilidade social, segundo o Pacto Global da ONU, está diretamente relacionada à maneira como as empresas gerenciam seus impactos sobre trabalhadores, consumidores, comunidades e demais públicos com os quais se relacionam.

6. Tem transparência e coerência

Talvez esta seja uma das características mais importantes.

Não basta parecer sustentável.

É preciso ser.

Vivemos o risco do chamado greenwashing: quando uma organização apresenta uma imagem ambientalmente responsável que não corresponde às suas práticas reais. A própria Taxonomia Sustentável Brasileira foi desenvolvida, entre outros objetivos, para ajudar a diferenciar atividades realmente sustentáveis de alegações sem fundamento.

A empresa responsável apresenta seus resultados, reconhece seus problemas e estabelece metas.

Porque sustentabilidade não combina com maquiagem.

7. Pensa no longo prazo

Talvez seja essa a grande mudança de mentalidade.

Uma empresa sustentável não pergunta apenas:

“Quanto vamos ganhar este ano?”

Ela também pergunta:

“Que empresa queremos ser daqui a dez, vinte ou trinta anos?”

Que planeta encontraremos?

Que profissionais teremos?

Que consumidores estarão conosco?

Que comunidade estará disposta a caminhar ao nosso lado?

Que recursos naturais ainda estarão disponíveis?

Pensar sustentabilidade é pensar perenidade.

A sustentabilidade como oportunidade

Há uma mudança importante acontecendo.

Durante muito tempo, colocamos economia de um lado e meio ambiente do outro. Como se fosse necessário escolher entre produzir ou preservar, crescer ou cuidar, ganhar dinheiro ou ter responsabilidade.

Talvez a pergunta correta seja outra:

Como podemos produzir, gerar riqueza e, ao mesmo tempo, construir uma sociedade ambientalmente equilibrada e socialmente justa?

Essa é uma questão econômica, mas também é uma questão profundamente educativa.

Precisamos educar consumidores para fazer escolhas conscientes. Precisamos formar profissionais capazes de pensar soluções sustentáveis. Precisamos preparar gestores para compreender que uma empresa não administra apenas recursos financeiros, mas também pessoas, relações, territórios e impactos.

A sustentabilidade, portanto, não deve ser colocada no final da estratégia empresarial.

Ela precisa estar no começo.

Porque uma empresa verdadeiramente sustentável não é aquela que apenas reduz seus impactos negativos.

É aquela que consegue transformar sua capacidade de produzir, inovar e empreender em uma força positiva para a sociedade.

No final, talvez a grande pergunta para qualquer empresário seja bastante simples:

Se minha empresa desaparecesse amanhã, o que faria falta para a comunidade?

Se a resposta for apenas o produto que ela vende, talvez seja hora de repensar seu propósito.

Mas se a resposta envolver empregos dignos, inovação, cuidado ambiental, desenvolvimento humano, relações éticas e transformação social, então estamos diante de algo maior do que uma empresa.

Estamos diante de uma empresa que compreendeu que sustentabilidade não é um custo para o futuro. É uma oportunidade de construí-lo.

Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.

Me siga no Instagram: @profrenatomunhoz

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