Queda da Selic: um sinal de estabilidade ou um convite ao endividamento?

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Por Cláudio Chiusoli

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu diminuir a taxa de juros básica, a Selic, para 14,25% ao ano, com o objetivo de equilibrar os indicadores da economia e o controle da inflação.

Os aspectos considerados foram:

* Equilíbrio econômico: o Banco Central procurou moderar o efeito das taxas de juros altas na economia do dia a dia. A meta é permitir que a economia se expanda e se desenvolva, evitando que um custo do dinheiro excessivamente elevado prejudique o setor produtivo.

* O efeito da inflação: apesar da queda nas taxas de juros, a inflação interna (IPCA) ainda demonstra uma boa resistência, sendo pressionada principalmente pelos preços dos alimentos. As previsões do relatório Focus mais recente já alcançam 5,33% para 2026, o que coloca esse indicador acima do limite do teto estabelecido (4,5%). Com a inflação fora de controle, o Banco Central não tem liberdade para acelerar os cortes.

* Preços das commodities: uma recente redução nos preços das commodities globais contribuiu para aliviar parte da pressão sobre os preços internos, abrindo uma oportunidade para a redução de 0,25 ponto.

Selic até o final do ano

O comunicado não traz indicações sobre os passos seguintes, enfatizando que as decisões futuras dependem estritamente do cenário inflacionário. O mercado já começou a ajustar suas expectativas, e muitos analistas projetam que a Selic termine o ano na faixa de 13,75% a 14% ao ano, indicando que a abordagem suave deve permanecer.

Como consequências práticas, quando a taxa básica de juros da economia diminui, a tendência é ocorrer um efeito em cadeia que afeta o financiamento, o consumo e os investimentos.

Em relação aos financiamentos e empréstimos, a expectativa é de uma diminuição gradual nos custos de crédito (os bancos tendem a repassar essa queda para empréstimos, cartões de crédito e financiamentos imobiliários/automotivos) para o consumidor . A redução ainda leva alguns meses para refletir no mercado.

Em relação ao consumo e aos investimentos, quando o dinheiro se torna um pouco mais acessível, as compras a prazo e os investimentos das empresas (como construir novas fábricas ou comprar equipamentos) tendem a crescer, apesar dos juros reais serem um dos mais altos do mundo, perdendo somente para Rússia.

Dica de ouro: preste atenção nas taxas disponibilizadas pelas instituições bancárias e financeiras.

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Foto: magnific.com

Cláudio Chiusoli

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Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e  Instagram.

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