Por Alessandra Diehl
Obesidade é uma doença e, com uma doença, as pessoas precisam de apoio e não de mais culpa! Este é o grande desafio.
Pessoas que vivem com a obesidade sabem muito bem o que é conviver em um mundo com estigma, discriminação, estereótipos e rótulos que querem lhe definir como uma pessoa “preguiçosa” e “sem vontade”, que geram tantas crenças limitantes e acabam por invalidar a existência das pessoas e retardar a busca de ajuda.
A obesidade é frequentemente associada ao estigma devido às atitudes sociais predominantes que ligam o peso corporal a falhas de caráter pessoal e falta de autodisciplina. Muitos profissionais da saúde podem ainda hoje ver a obesidade apenas como resultado de escolhas individuais, como dieta inadequada e falta de exercício, em vez de reconhecer a etiologia multifatorial. Estereótipos e suposições negativas sobre indivíduos com obesidade podem levar a atitudes discriminatórias, criando um ambiente onde os pacientes se sentem julgados ou culpados. Isso pode reduzir a qualidade do atendimento em saúde e prejudicar as relações entre paciente e equipe de saúde.
Reconhecer e desafiar esses preconceitos é importante para que os profissionais de saúde forneçam um atendimento compassivo e centrado no paciente, que aborde a natureza multifacetada da obesidade e apoie os indivíduos na conquista de seus objetivos de saúde.
Pessoas com sobrepeso ou obesidade relatam experimentar discriminação desde cedo na educação, no trabalho e na saúde, decorrente do estigma associado à condição. Essa estigmatização ocorre em idades mais jovens do que no passado, à medida que a prevalência da obesidade infantil aumenta. Crenças sociais comumente mantidas de que indivíduos com obesidade são preguiçosos, indulgentes e sem autocontrole são imprecisas e impactam negativamente os pacientes.
Dia Mundial da Obesidade: “Transformando Sistemas, Vidas mais Saudáveis”.
Pensando nessa quebra de paradigma foi que a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou o Dia Mundial da Obesidade, celebrado todos os anos em 4 de março com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a obesidade, uma doença crônica que afeta pessoas de todas as idades e classes sociais, e promover ações para combater essa importante condição de saúde pública.
O lema da campanha do Dia Mundial da Obesidade 2025 é Transformando Sistemas, Vidas Mais Saudáveis”. A campanha deste ano destaca a importância de mudar os sistemas que contribuem para a obesidade, como os sistemas de saúde, alimentares e ambientais, em vez de focar apenas nos indivíduos. Reconhecer a obesidade como uma doença crônica, como asma ou hipertensão, auxilia a promover uma abordagem holística que reduz o estigma e a discriminação experimentados pelos indivíduos afetados e melhora a educação para profissionais de saúde, formuladores de políticas e o público em geral.
Portanto, é entender que a obesidade é uma condição complexa, multifatorial e crônica e que não pode ter um foco estreito na responsabilidade individual, em vez de abordar os complexos fatores socioeconômicos, psicológicos, psiquiátricos e ambientais subjacentes a mesma.
O que é obesidade?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define obesidade como “acúmulo anormal ou excessivo de gordura que pode prejudicar a saúde.” A prevalência aumentou exponencialmente nos últimos 50 anos, e a OMS estima que mais de 878 milhões de adultos em todo o mundo viviam com obesidade atualmente. No Brasil, um quarto da população vive com a obesidade.
Ela é geralmente medida pelo Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilogramas pela sua altura em metros ao quadrado (kg/m²). Um IMC de 30 ou mais é considerado obesidade. A obesidade é um fator de risco para várias doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão e certos tipos de câncer. Além disso, pode afetar a qualidade de vida e a saúde mental, contribuindo para problemas como depressão e ansiedade.
Onde buscar ajuda?
- Sistema Único de Saúde (SUS): O SUS oferece tratamento gratuito para obesidade. A porta de entrada é a Atenção Primária à Saúde (APS), onde as pessoas são acolhidas e acompanhadas por uma equipe multiprofissional nas Unidades Básicas de Saúde. Se necessário, os pacientes são encaminhados para a Atenção Especializada
- Universidades Públicas: Algumas universidades, como a USP e a UNIFESP, oferecem tratamentos gratuitos para obesidade em ambulatórios especializados. Esses tratamentos podem incluir consultas com psicólogos, nutricionistas e outros profissionais de saúde
- Hospitais e Clínicas: Existem também hospitais e clínicas particulares que oferecem tratamentos para obesidade, incluindo cirurgias bariátricas e uso de medicamentos para controle do apetite.
Foto: Imagem gerada por IA/Freepik

Alessandra Diehl
Psiquiatra, membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Drogas (ABEAD) e membro da Associação Paranaense de Psiquiatria (APPsiq). @dra.alessandradiehl
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