Por Isabel Fontes
O rosto de uma pessoa é como um cartão de visitas. Não à toa, a paralisia facial periférica é uma condição que surpreende quem a vivencia. De repente, metade do rosto parece “desligar”: o sorriso fica torto, a pálpebra não fecha direito, a boca pode não se mover como antes. Mais do que um problema estético, a paralisia facial afeta funções básicas, como falar, mastigar, piscar e até expressar emoções.
A forma mais comum é a chamada paralisia de Bell, geralmente causada por inflamações ou vírus, mas ela também pode surgir como consequência de acidentes ou cirurgias.
Existem diferentes abordagens terapêuticas: medicamentos, fisioterapia, cirurgias em alguns casos e, cada vez mais, a acupuntura, que tem se mostrado um recurso eficaz contra a paralisia, com benefícios não apenas no aspecto físico, mas também emocional.
Acupuntura: uma visão além do sintoma
Na Medicina Tradicional Chinesa, a paralisia facial é compreendida como uma interrupção do livre fluxo de energia (Qi) nos canais que percorrem o rosto. Essa estagnação pode ser causada por fatores externos, como vento e frio, mas também por fragilidades internas que deixaram o corpo vulnerável.
A acupuntura atua justamente em restaurar esse equilíbrio. Com aplicações em pontos específicos do rosto e do corpo, ela estimula a circulação sanguínea, desinflama os nervos e “acorda” os músculos que perderam o tônus. Além disso, promove a liberação de neurotransmissores que ajudam na regeneração nervosa e no bem-estar emocional. Enquanto trabalha os movimentos do rosto, ela também atua em fatores como ansiedade, estresse e baixa imunidade, que muitas vezes desencadeiam a condição.
Comparação: acupuntura x outros tratamentos na paralisia facial
- Velocidade de resposta: Muitos pacientes relatam melhora já nas primeiras sessões de acupuntura, especialmente em sintomas como dificuldade de piscar, sorrir ou mastigar. Enquanto medicamentos atuam principalmente no processo inflamatório inicial, a acupuntura continua sendo eficaz mesmo em casos mais antigos.
- Ausência de efeitos colaterais: Diferente do uso de corticoides, a acupuntura não sobrecarrega o organismo. É um tratamento natural, seguro e que pode ser associado sem riscos às demais abordagens terapêuticas, como a fisioterapia e a fonoaudiologia.
- Aspecto emocional: Pouco se fala sobre o impacto psicológico da paralisia facial. Muitos pacientes desenvolvem vergonha de sair de casa, tristeza e até depressão. A acupuntura, por equilibrar o sistema nervoso, auxilia na redução da ansiedade e promove bem-estar, ajudando o paciente a enfrentar o processo de recuperação com mais serenidade.
Eu já atendi várias pessoas com paralisia facial periférica, inclusive gestante, e tenho autoridade para falar da alegria e do alívio que o retorno da movimentação e da harmonia da face trazem aos pacientes.
Quando eu era pequena, lá em Apucarana, a terra do vento frio, meu pai teve paralisia facial. Estava muito frio nesse dia. Não havia fisioterapia nessa época (década de 1970), acupuntura menos ainda. Segundo ele contava, recuperou-se com compressas quentes de chá.

A importância da integração
É importante destacar que a acupuntura pode ser aplicada de forma integrada, potencializando os efeitos da fisioterapia e diminuindo a necessidade de medicamentos por longos períodos.
Nos meus atendimentos a pacientes com paralisia facial periférica eu sempre faço as duas coisas: acupuntura e fisioterapia, e quanto mais sessões na semana mais rápido é o resultado. Se o paciente seguir as orientações para domicílio então, aí nada segura essa recuperação!
A grande vantagem é que a acupuntura trata a raiz e os sintomas ao mesmo tempo: devolve movimento, reduz dor e rigidez, equilibra o corpo e fortalece o emocional. Esse conjunto de benefícios amplia a chance de uma recuperação mais rápida, duradoura e completa.
Seja no início do quadro ou mesmo em casos mais antigos, a acupuntura se mostra um caminho eficaz, seguro e transformador para quem enfrenta a paralisia facial, já que não apenas auxilia na recuperação dos movimentos do rosto, mas também promove equilíbrio interno, previne recaídas e devolve ao paciente algo que nenhum remédio ou cirurgia sozinho consegue oferecer: a sensação de estar inteiro novamente.
Isabel Teresa Caramori Fontes

Graduada em fisioterapia pela UEL em 1991, especializada em acupuntura desde 2001. Pós-graduada em fitoterapia chinesa. Terapeuta floral. Especialista em dor e menopausa. Me siga no Instagram
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