Educação e tecnologia: entre a inclusão e o isolamento

WhatsApp Image 2025-03-22 at 09.22.03

Por professor Renato Munhoz

A relação entre educação e tecnologia é um tema cada vez mais presente nos debates pedagógicos. Com o avanço das tecnologias digitais, novas oportunidades e desafios surgem no ensino e na aprendizagem. Mas até que ponto a tecnologia é uma aliada da educação? E quando ela se torna um fator de exclusão e isolamento?

Autores como Seymour Papert (1997), pensador da educação, criador do conceito de “aprendizado construcionista”, destacam o potencial da tecnologia na educação quando utilizada de forma significativa. Papert defendia que os computadores poderiam ser ferramentas para ampliar o pensamento crítico e criativo dos alunos. Nada subsistiu o seu protagonismo, e só será possível um processo educacional que faça sentido, se os educandos forem quem pensa e quem cria.

No Brasil, Moran (2000) ressalta que as tecnologias digitais permitem maior interatividade e acesso a conteúdo, mas dependem de uma mediação pedagógica eficiente. Neste sentido, a capacitação para os usos adequados das tecnologias, podem ser um grande diferencial. É preciso que os educadores conheçam as ferramentas, mas saibam impor os limites, pois nada substitui seu papel.

Desafios e desigualdades

A tecnologia tem num grande potencial na educação quando usada de forma significativa, mas também cria grandes desigualdade, principalmente quando se trata de escolas públicas

Um dos principais desafios é a desigualdade de acesso. Enquanto algumas escolas investem em laboratórios modernos e plataformas digitais, outras sequer possuem estrutura básica. A Pesquisa TIC Educação 2022 revelou que 40% das escolas públicas brasileiras ainda enfrentam dificuldades de conexão com a internet, comprometendo o uso adequado das tecnologias no ensino.

Além disso, dados do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br, 2024) indicam que, das 137.208 escolas estaduais e municipais espalhadas pelo país, 89% estão conectadas à rede, sendo que 62% afirmam utilizar a internet para o processo de ensino e aprendizagem, mas somente 29% contam com computadores, notebooks ou tablets para acesso às redes pelos alunos. Entre as que possuem equipamentos, a média é de 1 dispositivo para cada 10 estudantes no maior turno escolar.

A tecnologia tem sido uma referência não positiva, quando se trata de apontar as desigualdades regionais e territoriais. Podendo ampliar ainda mais aumentar o foço que separa o acesso a educação de qualidade da educação que luta para sobreviver. Alunos sem acesso à internet, geralmente não tem acesso a certas informações, que podem impactar no seu desempenho.

Tecnologia não substitui o elemento humano

Além disso, há o risco de a tecnologia gerar isolamento. O uso excessivo de dispositivos eletrônicos pode comprometer a interação humana e a construção de vínculos afetivos, essenciais para a aprendizagem significativa. Paulo Freire (1996) já alertava para a importância do diálogo e da relação professor-aluno no processo educativo, algo que nenhuma tecnologia pode substituir.

Portanto, o desafio não está apenas em inserir tecnologia nas escolas, mas em garantir que ela seja utilizada de maneira pedagógica e humanizada. A tecnologia deve ser um meio, e não um fim. De nada adianta uma escola altamente digitalizada se nela faltar o essencial: um professor preparado, um olhar atento, uma escuta sensível. A educação é, acima de tudo, uma relação entre pessoas. O futuro da educação dependerá do equilíbrio entre o avanço tecnológico e a manutenção da relação humanizadora que dá sentido ao aprender e ao ensinar.

Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Especialista em Juventude e em Gestão de Programas e Projetos Sociais. Pós em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Me siga no Instagram @profrenatomunhoz

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

Leia mais sobre Pensar Educação

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse