Por Telma Elorza
Londrina está envergonhada com seus políticos. A última semana foi um exemplo claro que a cidade precisa acordar e aprender a votar em quem está realmente preocupado com o povo brasileiro. Seja em âmbito municipal, estadual ou federal.
Três dos cinco deputados federais de Londrina – Diego Garcia, Luisa Canziani e Felipe Barros – votaram a favor da PEC da Blindagem. Foi um tapa na cara do eleitorado que, quando os colocaram em Brasília, acreditou que estava votando em políticos sérios. Mas, em vez de defender a população, preferiram defender a si mesmos e à classe política. Como quem fecha a porta da transparência e joga a chave fora.
Diego Garcia, sempre pronto a discursar em nome da “moral e da família cristã”, esqueceu de defender as famílias brasileiras contra bandidos engravatados. Luisa Canziani, com seu jeitinho de boa moça, meiguinha e equilibada, escolheu se proteger e a seus colegas. Afinal, a vida de um deputado federal é sempre tão difícil, né (contém ironia)? Sabe-se lá o que o futuro aguarda, não é mesmo? Já de Felipe Barros, a gente não esperava nada diferente.
Em nível municipal, mais vergonha
E não é só em Brasília que Londrina sofre com maus representantes. Aqui mesmo, dentro da Câmara Municipal, assistimos – também na semana passada – mais um espetáculo de insensibilidade, autoritarismo e desprezo pelo pobre: a aprovação de uma lei que proíbe pessoas em situação de rua de usar praças e vias públicas para dormir, cozinhar ou se higienizar, com a justificativa de “evitar a degradação do espaço público e a desordem urbana”.
Na prática, é uma lei que criminaliza a pobre e autoriza a Guarda Municipal a agir contra as pessoas em situação de rua. Com se dormir debaixo da marquise fosse uma escolha, como se cozinhar com lata de álcool fosse um prazer, como se a miséria fosse um mero capricho. E pior: a proposta, de autoria da vereadora Jessicão – sempre ela, a rainha dos projetos inconstitucionais e desnecessários – foi aprovada com 14 votos favoráveis e apenas 3 contrários.
Entre os que apoiaram essa aberração estão alguns dos mais votados na cidade. Só três tiveram coragem de dizer NÃO: Matheus Thum, Paula Vicente e Professora Flávia Cabral. O resto escolheu jogar a dignidade humana no lixo.
E sabe o que é mais irônico? Os políticos higienistas de Londrina sabiam que o projeto é inconstitucional. Ou seja, não tem a mínima validade legal. O que nos deixa com uma pergunta incômoda: se a assessoria jurídica da Comissão de Justiça da Câmara alertou a inconsititucionalidade, por que votar a favor? A resposta é simples: populismo barato, discurso vazio de “segurança pública” para tentar agradar parte da população que prefere esconder o problema em vez de tentar resolver.

O retrato de uma cidade órfã de bons políticos
Quando olhamos para Brasília e vemos três deputados federais de Londrina ajudando a blindar políticos em vez de cobrar transparência, e quando olhamos para a Câmara Municipal e vemos vereadores aprovando lei para expulsar pobres das praças, a sensação é uma profunda tristeza. Londrina está órfã de representantes que REALMENTE entendam o que significa política: cuidar das pessoas e não de si mesmos.
Enquanto o povo pega ônibus lotado numa escala de trabalho 6×1, paga mais imposto proporcionalmente que os super ricos, tem que se virar nos 30 para comprar comida, remédio e enfrentar filas para conseguir uma operação no SUS, nossos políticos – que são cheios de mordomias – discutem como se proteger e como expulsar quem não tem onde dormir. É o retrato cruel de uma elite que vive de costas para a vida real.
Ano que vem tem eleições para deputados estaduais e federais, senadores, governador e presidente. O eleitor não pode esquecer esses nomes. Muitos dos vereadores que votaram contra o miserável que mora na rua – em vez de cobrar mais abrigos, mais políticas sociais e de saúde mental e mais dignidade – vão se candidatar ao cargo de deputado estudual. Os três atuais deputados federais que preferiram proteger bandidos, com certeza, vão disputar a reeleição. A memória é a única arma do povo contra a impunidade política. Vamos lembrar deles.
E fica um recado aos políticos de Londrina: não subestimem a inteligência do povo. A máscara caiu. O eleitor já entendeu que, para muitos de vocês, representar significa apenas proteger privilégios e garantir votos com discursinhos prontos. Mas a paciência tem limite.
Londrina merece mais do que isso. Não merece deputados que se blindam em Brasília, assim como não merecem vereadores que criminalizam a miséria.
Telma Elorza
Jornalista, escritora e contadora de histórias, trabalhou na Folha de Londrina por quase 20 anos e no Jornal de Londrina por outros 10 anos, locais onde atuou como repórter, redatora e editora nas áreas de Economia, Política e Agronegócio, entre outras. Em 2019, fundou seu próprio jornal, O LONDRINE̅NSE, e se tornou entrevistadora do O LONDRINE̅NSE POD. Integra o Conselho da Mulher Empresária da ACIL.
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Uma resposta
I strongly agree with Telma Elorzas critique. Its disheartening to see politicians prioritizing self-interest over their constituents needs. Her call to hold them accountable is spot on.