Existe direita moderada?

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Por Wilson Moreira (*)

Será que há direita moderada? Havia uma direita envergonhada de seus pensamentos, mas que, de uns tempos para cá, perdeu essa vergonha em explicitar suas ideias. O resultado está aí: uma sociedade infectada pelo ódio, medo e terror; incutidos diariamente nas pessoas pelas redes sociais. Tudo pela direita, que se dizem pela pátria, pela família e por Deus.

Na verdade, a democracia os incomoda, porque ela exige a convivência e tolerância com os diferentes. Na constante fala sobre defesa da liberdade há, contraditoriamente o desejo de silenciar as minorias e grupos excluídos na sociedade. Fazem a ferrenha defesa da liberdade de expressão sem limites, para cometer crimes. A conduta de agressões e truculência contra quem ouse os contradizer é flagrante nos parlamentos pelo Brasil inteiro. Geralmente a estratégia são os ataques pessoais e raramente há argumento de ideias. Frases de efeitos para as redes sociais onde os seguidores vão ao delírio. Infelizmente tratam os parlamentos como casas para seu espetáculo, entretanto produção política para o bem comum quase nada.

A partir da vitória eleitoral de Dilma como presidente no ano de 2010, a turma do regime de 1964 ficou inconformada. Se já detestavam a democracia agora o ódio tornara-se mortal. Se já fora difícil aceitar que Lula chegasse à presidência em 2002, Dilma no Planalto representava uma afronta ainda maior. Uma “comunista, terrorista, guerrilheira”, entre outras coisas, ousava desafiar o sistema e ascender ao poder. Para seus torturadores foi um golpe fortíssimo. A partir dali tiraram suas cabeças para fora dos quartéis e começaram buscar livrar o país do “comunismo”. Nesse intento, como vimos, não faltaram aliados.

Imagens criadas por Inteligência Artificial/Grok

O reposicionamento da direita

A direita se reposicionou na política atraindo militares, pastores e parte da elite nacional oponente ao Lula, à esquerda e ao “comunismo”. Redes sociais, púlpitos e quartéis disseminaram o anticomunismo pela sociedade brasileira. Foram revividos todos os princípios e ideias usados na guerra fria: meias verdades, distorção dos fatos e da história, descrédito na ciência, na educação, na justiça. Tudo coordenado para abalar a democracia em seu avanço pela cidadania.

Com tudo isso, a direita ganhou as eleições presidenciais em 2018 e, a partir daí, a direita pode mostrar-se tal qual é, agora sem pudor. Ataques diários à ciência, à educação, às artes e a tudo que fosse diverso do que pensam. A vontade era abolir a democracia deliberadamente. No entanto, as instituições mostraram-se sólidas.

Bom seria se a direita se voltasse aos debates das ideias, para a política racional e democrática. Nisso há poucas esperanças, pois a inoculação do ódio, do medo e do terror na sociedade hão de permanecer assombrando a convivência democrática por um bom tempo. Infelizmente.

A boa notícia é que a democracia permanece e, pela primeira vez, tivemos no Brasil a condenação de civis e militares por atentar contra a democracia. Cedo ou tarde os delirantes da direita hão de confrontar a realidade e muitos irão perceber os caminhos nefastos em que foram jogados por uma boa parcela de líderes irresponsáveis e com má fé por seus interesses mesquinhos e egoístas. São tempos obscuros, mas ainda há luz, ainda há democracia.

(*) Wilson Moreira é policial penal, cientista social, poeta e vice-presidente do diretório municipal do PCdoB em Londrina.

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